13.5.08

Queria que fosse você

Se você se visse andando
Certamente saberia o quanto marca
Como é fascinante simplesmente
Um ato banal como este

Novas realidades

Se apenas olhasse o horizonte
Mas faz pior, maltrata
Faz questão de mirar nosso desejo
Advinha nossas intenções

Desfila

Segura
Certa do que queremos
Definindo até onde podemos ir
Com um sorriso ou a falta dele

Dispara

E vai ou fica
Sorte para uns
Azar para outros
Sempre deslumbrante

Qualquer que seja a decisão tomada

Não bastasse toda essa maldade
Mira o sol nas tardes que sempre vêm
Mantém o rosto na claridade
Luz natural que lhe convém

Cintilando

Pedir para não olhar é fictício
Se já não posso tocar-lhe o cheiro
Ouvir-te a boca
Tocar seu viço

Tamanho desperdício

Perdido entre sair de mim e encontrar você
Continuo torto
Olhando de lado, escondido
Completamente iludido

Por sua falsa vontade de me conter

Tolice responder-me por que mirar-te
Sei todas as respostas
Ignoro perguntas a mais
Conheço todos os motivos

São todos eles reais

A voz
O corpo
O movimento
O jeito

O inexplicável que me atrai demais

10.2.08

O presente

Sempre achamos que a pior coisa existente
É ver um amor desvigorar, desexistir, acabar
Mas há coisa muito pior, duradoura e eterna
Solene, plena e completa

Um amor pode não continuar

Ainda vivo, intenso, ardente
Enterrado, soterrado, acossado
Mesmo que livre para crescer
Cheio de esperança

Ele só tem isso

Nada que o apóie e o coloque de pé
Pulsante, desforme, desamparado
Parado numa vontade rota, torta
Quase morta

Uma fístula

Aquele concentrado de força de um lado só
Empuxo severo demais
Sobrecarga deveras estafante
Transcendendo o limite do possível

Impossível sofrer ainda além

Instalado o misto de dores
Confusão de prazer e horrores
Pois ao mesmo tempo que este amar só desola
Só o amor consola

Mas esperar indefinidamente, demora

Fosse este tempo menor
Mensurável nos parâmetros que conheço
É além, porém
e só suponho que o mereço

Escapam de minha ampulheta estes oceanos de areia

Secos e vastos
Amplos e nefastos
Embebecidos num vento árido
Rasgador de minha veste simples

Alma que liqüefaz por ti

Chorarei por dentro certamente
Cada lágrima que tocar meu solo solidão
Nutrirá semente chamada liberdade
Descomprometido de minha própria sentença e prisão

Amarei e serei amado de verdade

8.1.08

Raro

Difícil
Logo eu que sempre exibo verdades
Deparei-me com uma há pouco
Mas muito, densa e bruta

Devastadora

Raridade
É o que sou em pessoa
e o que poderia ser bom
O é, e é mais

Completamente des é

Estranho que uma qualidade tão apessoal
Desvinculada de moral
Seja exatamente o que sou
E ainda assim tão singular, único e ímpar

Cismo em ter um par

E outra vez o que sou
Redesfaz o que não desejo ser
Acabo sendo nesta lógica insana
Exatamente o que não sei ser

Justamente por nem saber

No tempo mesmo de conquistar e afastar
De trazer e distanciar
Sou responsável e culpado
Eximido e perdoado

Alijado por participar demais

Uma vez eu fui incompatível
Era muitas coisas diferentes no mesmo tempo e lugar
Administrava diversas facetas
Quando achavam que deveria ser comum

Mas eu nunca sou o que acham de mim

Vislumbro na quase certeza dos demais
A inexistente dúvida que me faz
Sou exatamente o que sou
Nem muita a menos, nem pouco a mais

Raridade é ser o quem que se faz; eu

30.12.07

Vazio Denso

Deixe de esperar que venha de lugar incomum
Quando é da comunidade de sua existência
Que surgem as surpresas e presentes
Descobertas encobertas nos corredores cobertos da alma

Ante-salas longas e vastas de uma certa busca

Procura que pode ser eterna
Se simplesmente não repousarmos nossa pressa
Refletindo sobre o que queremos
Acordando do sono letárgico e leve

Que invariável ao fim abreviado nos leva

No acordar sereno e curto
Mantenha-se logo de pé
Sabido que já sabe andar, pois
Cometer o mesmo acerto duas vezes

É errar ao menos uma vez propositalmente

Desagregue-se desta perda que parece reforçar confiança
Fazer o mesmo para provar a si mesmo
Que é excelente no que já domina
Torna óbvio e enfadonho o resultado

Deixe-se arrebatar pelo frio sulfúrico do desconhecido

Enfrente todos os novos desafios
Escolha todos seus novos inimigos
Perca para os mais fortes sempre
Vença sempre os que momentaneamente

O escolheram como o mais forte a ser combatido

Nunca ouse questionar se merece ser feliz
Apenas mereça
Mantenha-se melhor que seu passado
Determine outras regras

Regre-se por uma tríade sagrada:

Coragem
Liberdade
Responsabilidade
Geram um conceito muitas vezes transfigurado

Fé é mais que exercício; é o vício da vontade

Aos que disserem que todo vício é letal
Responda que respirar é natural
Comer é fundamental
Amar descomunal

Nem tudo que vicia é imoral ou amoral

Tire dos vivos o ar e morrerão
Dos que andam o alimento e perecerão
Dos que sonham o amor
e todos perderão

o amor é alimento que nos faz suspirar

Por mais ar que se oferte nos tempos
Por mais alimento que se agregue ao corpo
Por mais amor que se carregue no peito
Nada será perfeito

Se aquela fé não lhe fizer tentar

Respire e ainda assim suspire
Alimente-se e deseje devorar o mundo
Ame e saiba acima de tudo conseguir se amar
Perca definitivamente tudo

Neste momento, se permita ganhar

Pois nessa vida de milênios que não vivemos ainda
Desde os grandes reis ao maior dos moribundos pérfidos
Dos santos caridosos aos escroques ocasionais
Nos recantos da mente ou em cantos prisionais

Sempre ganhou tudo quem se soube dar mais

28.12.07

Anne Caroline

Aconteceu porque um belo dia cismamos que tínhamos que aprisioná-lo. Por mais que se prove que só perdemos aquilo que temos e que ele é o único ente que apesar de não possuirmos conseguimos perder, ainda assim, mediante às conseqüências desastrosas que invariavelmente iríamos sofrer e acabamos sofrendo, nós, todos, seres humanos, resolvemos prender a nós mesmos numa rotina cíclica, enfadonha e inescusável. Teimamos em achar que controlamos o Tempo.

E o fizemos em horas, minutos e segundos. Sim, numa gradação decrescente, para que tenhamos a impressão de esgotamento, de que ele está se perdendo, de que a areia do tempo que se esvai ao menor lufar dos ventos é tão incontrolável que por mais que ele se acabe, ele recomeça. Sem correrias, sem rotinas, sem pressas. Ele apenas passa, numa velocidade constante de sessenta minutos por hora, ou, para os mais apressados, a sessenta segundos por minuto.

Já que a medição é a mesma, por que esta pressa desenfreada pelo conseguir, esta ambição irreal pelo ter e a preocupação de estar algo novo e único aos olhos alheios a cada instante? Não é mais justo com a natureza dos que trespassam o tempo ser mais e melhor durante o tempo que se tem? Quantas coisas fazemos apenas para gastar o tempo que não temos quando na verdade, na imensa maioria das vezes, nem sabemos o que queremos? Por que sacrificar nossas virtudes num claustro temporal quando deveríamos ganhar tempo nos forjando ao máximo para sermos e permanecermos felizes durante todo o processo de obtenção de um êxito qualquer, seja ele qual for?

E mais, usarmos o tempo integralmente, sendo felizes durante todas as separações e divisões de crescimento e evolução que fazemos nos nossos ditos acontecimentos evolutivos. Vai tentar emprego novo? Seja feliz consigo próprio, da idéia ao acontecimento. Quebrou a cara com a tentativa? Orgulhe-se de sua coragem. Foi quase? Ainda vai precisar fazer um aperfeiçoamento, esperar um pouco? Ótimo, perceba que você mesmo foi capaz de visualizar um ponto fraco e como aumentar sua força.

Não confundamos tudo isso, porém, com inércia em potencial. Estudos de física quântica dizem que todas as coisas, num momento anterior a elas mesmas são e não são qualquer de suas possibilidades. O gatinho colocado numa caixa com um elemento químico mortal, no momento que que fechamos a caixa e liberamos a substância pode estar morto ou vivo e neste momento de dúvida ele é e não é as duas possibilidades.

Assim é nossa vida quando estamos em dúvida ou abarrotados de certezas. Ficamos inertes resolvendo a questão shakespeariana de ser ou não ser, de fazer ou não fazer, de tentar ou não tentar, de morrer ou de viver e acabamos sendo usurpados pelo tempo que, inexoravelmente nos toma de forma devastadora, passa e nos corrói. E entre o vazio da falta de opção e as intermináveis rotas do excesso de probabilidades ficamos ali, energia potencial, vida potencial, força em estado primário, bestializados, fossilizados, liquidados.

Portanto, escolhamos um caminho, um apenas, um de cada vez, um a cada tempo e façamos nossa jornada. Nós entre nós mesmos. Sentindo, sofrendo, crescendo, sangrando, andando. Nunca, jamais fiquemos parados. Perdidos ente os “se” que não movem a História, a nossa história. Defina seu primeiro passo e vá embora. Morra sempre, pra reviver aqui na frente. Como o dia que acaba e sem pestanejar, sem esperar, recomeça com mais um segundo, mais um minuto, mais uma hora, indefinidamente. E se tudo der errado: recomece! Amanhã virá independentemente de seus malogros ou seus sucessos. Prefira que o amanhã, embora chuvoso e cinza, esteja embrenhado do brilho de suas conquistas. Perceba que o único responsável por escolher entre conseguir ou não é você.

Meus sinceros votos de feliz ano novo, desatrelado a quantos ciclos de vinte quatro horas tenham se passado para que isso acontecesse. Lembremos que tempo é sensação de vida. Se os momentos são alegres, o tempo voa, se os momentos são ruins, o tempo pára. E como o tempo é interminável e inesgotável, melhor consumi-lo de forma prazerosa e feliz do que se deixar ser consumido pela infelicidade lenta, mortal e covarde.

Coragem! Liberdade! Responsabilidade!

Plenitude e paz. Um feliz você para 2008!!!!


26.1.07

Acíclico

No lugar que acabei de abandonar
Não havia sequer uma parede
Um encosto qualquer
Sequer um amparo

Realmente não queria parar

Do canto que me afasto
Não sonhei qualquer encanto
Nem mesmo quis um quanto
Desejava apenas realizar

Construí muralhas intransponíveis

Deste ambiente alijado
Ficou apenas arremedo
Pedaço de ressentimentos desnutridos
Medo de não ter sentido

Pulsava dentro e escutava ao longe

No quando que agora apóio
As qualidades afloram
Perenes, latentes: presentes
Sentir é naturalmente efervescente

Ebulir é característica comum

No chão que atualmente piso
Pés são desnecessários
As ferramentas mudam
Ao prazer daquilo que convém cumprir

Cumpramos o que for conveniente

Para nosso bem, nossa mente
Vislumbremos além do latente
Do óbvio, sensorial e pungente
Extrapolemos o egoísmo inato

Olhemos pra dentro visando em frente

Diante dos perigos, armadilhas e percalços
Seja forte, altruísta e decente
Escolha o caminho reto, correto e justo
Ao topar consigo mesmo; aguente

Instigue-se e enfrente-se

Desfaça-se da idéia que a dor será demais
Lembre que toda vez que o fundo chegou
O desespero só atrapalhou
E desceste ainda mais fundo

Ainda assim levantaste

Impávido, mordido
Doído, mas ávido
Sangrando, mas querendo
Chorando, crescendo

Rasgando a veste antiga e vencendo

Admita: sempre vencemos
Despertar para esta verdade absoluta
É realmente devastador
Por vezes alucinante

Cabe a nós controlar este ser dominante

Quem morre e fica
Naquele lugar sem paredes
É o eu que só sabia perder
Que fincava suas vontades no passado

Tolhendo o direito inalienável de crescer

O quem nascente corre com as pernas da vontade
Voando alto nas nuvens seguras da verdade
É o eu que sabe que vencer
Jamais foi um direito

É mera, pura e inefável obrigação

Profane seus santuários já devastados
Limpe suas cavidades mais escuras
Para que elas reluzam
Quando a luz casta e pura entrar

Expanda-se em luminosamente

Escolha ser o seu sempre melhor
Aceite que somos mais e maiores
Acredite que a cada era de sua existência
Será preciso desfazer de si

Desfazer-se é enriquecer

Vazio de coisas
Saiba ser o que precisa
Baixe suas muralhas
Guarde sua navalhas

Volte a aprender

Aprenda sempre o que ainda não sabe
Desanime-se das facilidades
Estagnação advém
Do medo perpetrado

Pela incapacidade de renascer

Somos nós quem escolhemos
A responsabilidade cabe
Aos que admitem ter poder
De mudar o mundo em volta

Conhecendo o íntimo que podem tocar

Apresente-se, cuide-se
Avalie-se e mude
Duvide sempre de você
Pois ser nunca é defeso

Aos que se dispõe a morrer.

16.1.07

Empoeirado

Precisou de um tempo novo
Que enterrasse a velha história
Momento difuso e confuso
Envolto em perda e glória

Apenas mais um reencontro

Mais próximo do eu que sempre se ausenta
Naquela busca incerta, dispersa
Levando a nada e lugar nenhum
Fazendo os muitos desnecessários

Quando urge somente um

Antigo, inconhecido
Envolto nos mistérios criados
Pelo desejo do medo tolo
Que impede a vitória exata

Querer é pleno e intenso

Mas não ouse simplesmente começar
Invada campos muito além
Pise os lugares que lhe convidam
Polinize descaradamente

Fecundador fértil das fazendas destino

Desatine, desopile desobrigue
Desconstrua, desacredite, destrua
Descontrole, destoe
Destempere, desconcerte

Porém, construa sempre

Imponha em cada atitude
Vontade e ânimo
Nunca se mova desnecessariamente
Jamais repouse sem por-se exausto

Esgote o ser e afaste o estar

Apreenda que nada fica
Quando não precisamos
Sinta que nada vive
Quando desamamos

Desarme-se


9.1.07

as coisas ficam velhas sabia?

nem todas

sentimentos não envelhecem

amizade e amor também não

é verdade

o vento, as impressões das coisas e cores

o cheiro das paixões e o peso das decisões

nada disso envelhece

28.12.06

Novo Rumo

A prepotência, enlouquecida
Ousou supor que o amor tinha desaparecido
Sumido no mapa do descaso
Encrustado num tesouro que coroava o nada

Engano infindável

O amor sequer se encontra
Apenas se sente
Em todo lugar
Perto, distante, importante

Imponente e constante

Alheio a qualquer clamor desesperado
Surdo, inteiramente insensível
Aos grotescos graves entraves
Propostos por nossa pressa infame

Embaralhamos todos os sentires

Somos complexos quando a simplicidade é imperiosa
Desligados e desleixados quando efervescem detalhes
Velozes quando imprescindível a paciência
Crianças quando devemos ser amantes lascivos

Dissimulação afasta o sucesso

Sejamos sinceros
Verdadeiros e eternos
Aprendamos que a verdade muda de pessoa para pessoa
Que existe em todo lugar

Principalmente em nós

Crie o deus dentro de sua existência
assuma seus erros, suas desavenças
exponha suas vitórias, suas sentenças
descubra de maneira inquestionável

Todos somos amor

13.10.06

Devaneio

Perfeito o caminho
Que transcorre limpo, ímpio: límpido
Cristalino como a chuva que nos fecha os olhos
Fazendo enxergar mais do que se pode pela visão

Mergulhe na conveniência audaz de sentir completamente

No fluxo daquilo que sequer se compreende
Novamente amadureço a infância jamais perdida
Troque a ignorância amável da falta de experiência
Pela inteligência decisiva da maioridade

Debulhe sua humildade nos campos do orgulho

Abra mão apenas quando tiver tudo a perder
Seja caridoso justamente quando tudo lhe for abundante
Jejuar na ausência total das posses
É a única alternativa existente

Não há nada de obstinado nisso

Não peque pela maldade indecente
Que escorre pelas mãos
Feito luz que não se segura
Quando a impossibilidade lhe for insuperável

Sucumba. Sofrer e perder são grandes chances para melhorar e vencer

Tente com toda sua vontade
Perceber a oportunidade que se esconde
Em cada pequeno ou grande revés
Considere-se capaz para toda luta

Prove do mundo e o tenha a seus pés

Escolha não pisá-lo, porém
Quando tiver que ser guardião do exemplo
Seja o próprio em questão
Toda vez que parecer óbvio permitir-se o erro

Troque de lugar com o espelho e instrua o perdão.

4.10.06

Te Beijo

Dai a mão como se fosse perdê-la
Encontre-se, justo assim, na próxima
Que com certeza absurda
Se lhe estenderá

Entrega escancarada

Siga sua alma
Chore toda vez que lhe ocorrer vontade
Viva infinitamente
Presenteie-se com a dádiva maior

Abra-se

Desconsideráveis oceanos bravios
Mares, vales, terremotos
Desdenhe de qualquer ente da natureza
Estranhe a força descomunal

Desde que seja possível reconhecer-se

Desvincule sua essência do que o mundo o supõe estar
Acredite, levemente, naquilo que é
Seja, lhe suplico
E não serás nada mais do que já o é

Tudo, simplesmente

Por muitas vezes, na sua jornada
Parecerá que o que tens
Transcende o que merece
Que abunda o que aos desprovidos rareia

Inverta sua posição

Merecimento deriva dum binômio
Tão dolorido quanto gratificante
Jamais abra mão de ser
Capaz e confiante

A sorte só é aliada daqueles que têm azar

Faça tudo para desmerecê-la
Escute, olhe, sinta, toque
Erre, acerte, tente, aprenda
Ajude, ensine, compartilhe, compreenda

Aos capacitados é impossível falhar

Trabalhe a injustiça do mundo de forma justa
Quando lhe pedirem para ser um pouco pior
Repreenda-se, impermita-se
Repouse a compaixão aos olhos

Renda-se : seja, simbolicamente, menos melhor

Tradição é algo que ocupa muito espaço
Inconvenientemente
Desfaçamos-nos como um todo destes ranços
Precisaremos estar vazios, pois

Paremos de confundir caridade com mediocridade

Desconsidere qualquer pedido de retorno
Quando a anterioridade obrigatoriamente
Remeter a patamares retrógrados, arcaicos
Quando alguém lhe estender a mão, de baixo

Curve-se quando estiver forte o bastante para puxá-lo

Melhore o universo que lhe cerca
Mesmo que este compreenda ínfima geografia
Entenda que tudo que fazemos
Se expande sem harmonia

Vivendo entre os outros, harmonicamente

Continue crescendo
Mais, muito, indefinidamente
Ao duvidar ser possível
Reponde tranqüilo:

Sou aquele que merece, perfeitamente

27.9.06

Atitulorium

Descansa enfim em minha boca
Como a saliva quase gota
Dependente e insustentável
Perfumada ao hálito de minha necessidade

Sinta meu prezo por ser-te indispensável

Cola em meu colo onde te coloco afável
Desbanca meu banco de carne e osso
Enlaça meu peito com seu dorso
Dobra seu desejo em meu pescoço

Abraça minha vontade com a firmeza de suas pernas

Suspira em minha vida esta morte breve
Seu prazer insano de imortalidade leve
O peso ínfimo que quer que releve
Seu interior que meu exterior revele

Ser dentro de seu ser tudo que pode o querer

Acorrente minha solidão hipócrita lá fora
Arremesse as chaves despenhadeiro abaixo
Prove ser fêmea onde me acho
Fenda sem arestas rústicas onde me encaixo

A rima desta frase é desnecessária

Preciso é o que preciso de você
Seu cheiro, seu gosto, seu rosto
Repousado em minhas mãos carinho
Coração ao teu lado, alado: passarinho

Que não passa de um filhote no ninho

A espera de seu calor proteção
De seu compromisso caução
Sua mentira; ilusão
A verdade: paixão

Vida entregue em sua mão

Ao se por às minhas em gratidão
Fechamos o ciclo de uma só vez
Sem esperar retorno, tudo tivemos
Sem o menor esforço tudo se fez

Repetiria tudo, sem a menor desfaçatez

20.9.06

Primavera

Atrelamos tanto o passado ao indesejado
Que por vezes, preconceituosamente
Abandonamos consultá-lo
Preterimos o pretérito aprendizado

Continuamos num futuro errado

Partimos da premissa que precisamos o novo
Esquecemos da instrução básica
Anterior a todo almejado destino
Fundamental e precedente a tudo

Há sempre um lugar de onde partimos

Um antes que prevê o depois
O aceno que será adeus
O breve que perdurará
Amanhã que sempre foi e será hoje

Futuro é ser filho do passado

O tempo longe do papel
Provou-me o significado da saudade
Pulverizou qualquer noção de idade
Apanhei-me escrevendo as linhas do costume

Retas-atalhos das minhas voltas tortas

Que entortam, rodilham, envolvem
Que cansam, insistem, comovem
Trazem de volta o velho hábito
Ressuscitam este antigo jovem

Que renasce a cada escolha nas palavras

A vida impôs-se ao meu viver
Ultimou minha rotina com propostas voláteis
Mas passageiro á a única coisa que o tempo não é
Ele fica, agrura, perdura

Escolhi viver

Aprendi que decidir deriva de inoportunidades
Da total falta de escolha
De ausência de liberdade
D’uma imposição que permiti fazerem-me

Anecessária posição

Tal qual regras de escrita e das palavras
Que nem sempre abarcam meus significados
Outrossim, quase nunca os absorvem
Ouso criar algumas que me satisfaçam

Ousadia; fruto dos que colocam o desejo ao norte

Incuta razão em seus sonhos
Embuta coragem a seus atos
Imprima confiança a seus acompanhantes
Exprima-se somente por derradeiros fatos

Fatalmente irá vencer

Continuo buscando mais
Persisto em fazer melhor
Por mais que eu prospere e vença
Cobrar-me-ei em ser maior

Não se limita o imensurável, ninguém mede o desejo pois

10.7.06

Sinceramente

O que fica da saudade é vento
Da vontade ausente; lamento
Cansado de tanto fazer nada eu calo e sento
Exausto de rimas pobres, simplesmente não me agüento

Arrebento em sons que não sei escutar

Choro cada alegria como se única fosse
Verdadeiramente são
Despeço-me do marasmo da falta de rotina
Entregando-me a insatisfação por estar sempre satisfeito

Refaço-me naquilo que não perdura

A simples falta remete àquilo que mais preciso
Mirando o esmo infinito da certeza
Acerto lugares que são ausentes
Na presença que monto fora do que existo

Desconexo, tendo a pender pelo sumiço

Na fumaça espessa da bruma que se arrima
Sinto perto a distancia que se apruma
Ferramentas pesam em minha bolsa vida
Nasço novo de forma desprovida

Onde cada passo é uma torre que se ergue

Fica quase intransponível meu passado
Lacrado num tempo que só pode ser dele
Dono dum poder que não se aliena
Próprio da índole que sempre o condena

Imutável e apaixonante como a piada do novo dia

Todo dia a cada dia e sempre
Tão belo quanto único
Tão singular quanto fugaz
Completamente efêmero se desfaz

Levando consigo a perfeição de ser incopiável

Se fossem eternos trariam torpor
A beleza imutável traz a certeza da indiferença
Quando acaba a possibilidade de novidade
Esvai-se a riqueza da surpresa

Fica a mesmice da ignorância

Pois a pretensão daquele que se antecipa
Mumifica o movimento dos que caminham
Ignorar as mudanças do intangível
É petrificar a mobilidade do sentimento

Não se aprisiona o que não se lhe pertence

Viva para estar pronto a perder-se
Encontrando-se em cada nova dação
Pratique a arte de dar o que precisa
Em troca de receber o que não se tem

Dói muito mais o fardo do tudo que a leveza do nada

Somos recipientes de nossos desejos
Dimensionados para experimentar, aprender e trocar
Percebamos enfim, mas não no fim
Que devemos compartilhar com o ambiente

Que os sentidos são um ecossistema vasto

Enxerga a ti mesmo no outro e serás em todos
Estenda seu ser aos que são em sua volta e eternize
Embrenhe-se nas almas boas e ruins a sua volta
Saiba deixar-se em umas e sair das outras

Puerilmente viva; auspiciosamente

Seja oportuno e não oportunista
Encare a sua possibilidade como algo que deve ser conquistado
Quando não puder ser completamente certo
Entenda-se justo

Faça com que seja entendido por todos

Estando assim em lugar comum
Lapide a mesmice com a diferença
Gere dúvida em cada vida que lhe toca
Soerga nelas a certeza de sua presença

Seja em tudo, sempre: uma crença

14.6.06

Perceptivo

Porque as pessoas deveriam entender
Que as vontades não podem ser escutadas
Merecem ser sentidas
Sem ter que tomar emprestado o caráter físico do pedido

É maravilhoso adivinhar o outro

Antecipar de forma natural
Um ato proporcionador de felicidade
Atitudes simples que nos tornam especiais
Detalhes que nos fazem imprescindíveis

Segredos são as mais intimas publicidades

Palavras que trocamos em silencio
Olhares que miram à saudade
Suspiros que remontam seu corpo
Sons que tocam a pele e arrepiam

Sua presença onde quer que você esteja

Independente de marco ou comemoração
Quero festejar sempre
A grandiosidade inexplicável
Que é amar e ser amado

Por, para e com você

12.5.06

Alternativa

As músicas parecem estar calando
Deve ser a esperança cedendo lugar à verdade
A certeza de perder começa a latejar mais constante
Já penso no jeito de tentar aceitar

Que eu te deixe partir pra sempre

Dolorido novamente
Só que desta vez não será apenas tentativa
Conseguirei definitivamente
Irá doer como nunca

Mas será de única vez

Conseguirei sofrer como poucos
Abrirei mão de muito
Como recompensa terei a mim novamente
Completo, solitário

Como nunca deixei de ser

Voltarei ao estado de hermetismo de que tanto gosto
Trancado, intocável, impenetrável
Sisudo para as alegrias breves
Ausente aos comburentes que se vão num mero sopro

Surdo às notas que noticiam nada

Passei por isto antes e fugi
Desta vez encararei
Sinto ser necessário mais este tempo
Ele novamente

Identicamente, sem minha culpa

Vista grossa para coisas demais
Fingi não enxergar o escancarado a minha frente
Agora já incomoda
Sentir o limite do próximo

Que não pulsa, expulsa: me repulsa

Só quis amar este tempo todo
Doei, entreguei, compartilhei
Desfiz de mim em prol do outro
Fiz tudo que devia fazer

Porém, ao amar, não se deve nada

Tudo é o espontâneo
Obrigação e ingratidão são incompatíveis com o nobre verbo
Ele não pede nada em troca
Apenas pessoas, duas

E não somos, pois

Infelizmente não seremos jamais
Certos passos nos tiram completamente da rota
Desvirtuam nossa jornada
Aniquilam certos destinos

As decisões mais devastadoras são sempre conscientes

Estou prestes a tomar uma delas
Gigantesca, atormentadora
Não tenho medo de colocar-me pedindo ajuda
Prezo a possibilidade de não recebê-la

Apenas proíbo-me ficar parado

Meu tempo de fazer findou-se
Qualquer apêndice é mero exaurimento
Precisamos de um passo seu
Daqueles devastadores

E então, sabe o que está fazendo?

Afirmativas sucessivas seriam bem vindas
Para que a duvida fosse apenas salva guarda
Ferramenta da heresia
Luxo de quem quer apenas ratificar

Vitória da perseverança sobre a teimosia

13.4.06

Meio assim ...

Luto por um tempo
Onde as noites não serão longas por sua ausência,
Mas curtas, pois a eternidade é pouca quando ao seu lado
Procuro um mastro para amarrar meus ponteiros
Norte de meus delírios perdidos
Que ao mesmo tempo me aponte você
Perco o rumo num escuro raso
Em que náufrago, afogo minhas dores profundas
Sutis pesares de uma angústia suave
Brandindo abrupta na profundeza de minha face exposta
Encarnada nas entranhas de um parto que não resolve
Saída de um retorno que não devolve
Sequer fragmento do meu lamento derramado

Vem suspiro como se vento fosse
Venha vento que com suspirar levasse
Qualquer lembrança que me sustentasse

Em ruína breve a essência da saudade
Compõe-se em arrimos basilares
Soerguendo arremedos de desfaçatez
Na vontade unânime e uníssona de conquista e domínio
Aquela pelo respeito e admiração
Este pela liberdade eterna que planifica e iguala
Mantendo a única diferença aceita por aqueles que comungam
O dom de conviver no estado pleno e denso; intenso
Pois amar, além de arder e doer é mutante e tenro
Faz o mestre retroceder e aprender
Transforma soberba em humildade
Doa à maldade a mais profunda nulidade

As palavras dizem exatamente o que o silêncio promete
Descumprem-se todos os destinos
Desatinos passam a ser dogmas inalienáveis

Tudo ao fim, enfim, não passa de mero instante
Novo que é exatamente como era antes
Estático que cisma em seguir adiante
Defunto que não se impede que levante
Idéia viva, fixa, sem centro: mirabolante
Errante em qualquer ser que se mostre vivo
Leve demais para ser constante
Muito denso para ser bastante
Sentimento de valor físico irrelevante
Filtro de vida purificante
E antes que desavisado algum se encante
Pequeno aviso intrigante:

Amar é sem conceito
Sem preconceito:
Edificante.

22.3.06

Concordo

Justamente por que
Há horas em que urge
Fazer a volta, contornar o local
Bordar o destino com os jardins que ele merece

Embora na maioria das vezes ele o peça

Seguir em frente pode ser fatal
Orgulho em retroceder
Pode levar à inércia
Ficar parado, matará a vida

Volte atrás

Não para fazer o mesmo
Repetir acertos também é errar
Pois perdemos tempo
Divindade que nos consome e sempre escapa

Torne o caminho de volta uma nova ida

Que lhe desvie o abismo intransponível
Sem desvirtuar-lhe o ponto de chegada
Fazer da maior distancia um atalho
É arte conhecida por poucos

Depende de quanto se dispõe a perder para ganhar

Preferências são rumos sem dor
Escolhas pela facilidade circunscrita
Apaixonante e fácil
Isenta de pecados e proibições

Porem, tende à certeza do marasmo

Toda vez que for muito fácil
Queira mais, anseie maior: ambicione
Ou simplesmente perceba
Que o algo já lhe pertence ou não é o que se quer

Fuja do imediatismo que despersonifica a conquista

Diante do abismo passado que antes o paralisava
Remonte o trajeto que percorreu até aqui
Lembre-se que poderia estar lá em cima
Inerte, ileso: sonhando simplesmente

Fossilizado por um tolo medo

De pensar-se retrógrado e menor
Por ser incapaz de transpor o impossível
Quando o oponente consumar-se invencível
Seja inteligente

Decida não enfrentá-lo

Pois a vida pode até ser construída com sonhos não vividos
Desvirtuada e triste devido a escolhas infelizes
A lembrança entretanto
Nunca é composta por passagens mortas

Ela pulsa, arde e vibra; involuntariamente

Aguarde o momento certo
Torne-se colossal, intransponível
E se mesmo com fenomenal esforço
Derrotar aquele inimigo continuar impossível

Volte, pois só nós mesmos estamos em todos os nossos caminhos