A saudade me perturba.
Sua falta quase me derrota.
Mas a possibilidade de vencer e a certeza de te ver
Fazem querer-te ainda mais.
Amo você
27.2.06
30.1.06
Coisa
Não há, realmente, nada como amar você
Esse tudo que parece sempre incompleto
Este longe que se sente mesmo perto
Plausível erro de quem vislumbra o certo
Por mais certeza que se tenha em não saber o que se faz
E lho sinto assim
Uma coisa que chega e parece que sempre se vai
Vazio que preenche
Concretude que com o brandir da saudade se esvai
Eterna percepção daquilo que não se define
São inúmeras as definições
Porém geralmente indefinidas
Pois que não postulam menor regra
De tão desregrado que se apresenta
Estranha esta intimidade com este total desconhecido
Escorrega pelos braços
Por vezes pesa, quase insuportável
Por outras escapa de tão volátil; maleável
Ainda assim, extremamente nosso, cismamos em dá-lo
Como se disponível fosse; um simples regalo
Abençoado como o mais maldito dos regenerados
Cultuado, venerado, adorado
Outrossim submisso, renegado, acossado
Indistintamente perseguido, objetivado
Estado de perfeição uníssono almejado
Um pulsar desesperado que te busca em cada canto
Motivado por paixões e desencantos
Regado ao suor do esforço
Ao desalento, ou alegrar dos prantos
Coisa que te quero e de ti espero em tanto
Descobri não ser tão auto-suficiente
Tampouco onipresente e uni subsistente
É coisa dada ao bom vício da concorrência
Da necessidade do corpo presente
Atitude de querer constantemente
Por isso não demore
Não faça com que por tristeza eu chore
Venha com sua peculiar e plural fome
Conserve-me e me devore
Esqueça os olhos e me olhe
Com o sentir da lembrança
Com o querer da esperança
Com a dúvida da segurança
Com a mão de quem alcança
Agitação incontinenti que amansa
Sai de ti e vem
Dê-se a si e me tem
Seja meu eterno alguém
Saiba-se não viver sem
Pense ser impossível e iremos além
Das estrelas que nos adornam
Da lua que remete ao que foi
Da infinitude do céu que escorre límpido
Do brilho do sol que ofusca quando vem
Sejamos mais do que o mundo que se oferece
E ao construir nossa morada
Sem trincheiras ou brigadas
Quero apenas o frescor das madrugadas
Nosso reflexo nas águas iluminadas
Nossa calma nas tardes descansadas
Tenhamos teto no sossego
Posse no desapego
Prisão na eterna e indisponível liberdade
Pois apenas aquele capaz de nos fazer livre
Naturalmente ama de verdade
Esse tudo que parece sempre incompleto
Este longe que se sente mesmo perto
Plausível erro de quem vislumbra o certo
Por mais certeza que se tenha em não saber o que se faz
E lho sinto assim
Uma coisa que chega e parece que sempre se vai
Vazio que preenche
Concretude que com o brandir da saudade se esvai
Eterna percepção daquilo que não se define
São inúmeras as definições
Porém geralmente indefinidas
Pois que não postulam menor regra
De tão desregrado que se apresenta
Estranha esta intimidade com este total desconhecido
Escorrega pelos braços
Por vezes pesa, quase insuportável
Por outras escapa de tão volátil; maleável
Ainda assim, extremamente nosso, cismamos em dá-lo
Como se disponível fosse; um simples regalo
Abençoado como o mais maldito dos regenerados
Cultuado, venerado, adorado
Outrossim submisso, renegado, acossado
Indistintamente perseguido, objetivado
Estado de perfeição uníssono almejado
Um pulsar desesperado que te busca em cada canto
Motivado por paixões e desencantos
Regado ao suor do esforço
Ao desalento, ou alegrar dos prantos
Coisa que te quero e de ti espero em tanto
Descobri não ser tão auto-suficiente
Tampouco onipresente e uni subsistente
É coisa dada ao bom vício da concorrência
Da necessidade do corpo presente
Atitude de querer constantemente
Por isso não demore
Não faça com que por tristeza eu chore
Venha com sua peculiar e plural fome
Conserve-me e me devore
Esqueça os olhos e me olhe
Com o sentir da lembrança
Com o querer da esperança
Com a dúvida da segurança
Com a mão de quem alcança
Agitação incontinenti que amansa
Sai de ti e vem
Dê-se a si e me tem
Seja meu eterno alguém
Saiba-se não viver sem
Pense ser impossível e iremos além
Das estrelas que nos adornam
Da lua que remete ao que foi
Da infinitude do céu que escorre límpido
Do brilho do sol que ofusca quando vem
Sejamos mais do que o mundo que se oferece
E ao construir nossa morada
Sem trincheiras ou brigadas
Quero apenas o frescor das madrugadas
Nosso reflexo nas águas iluminadas
Nossa calma nas tardes descansadas
Tenhamos teto no sossego
Posse no desapego
Prisão na eterna e indisponível liberdade
Pois apenas aquele capaz de nos fazer livre
Naturalmente ama de verdade
16.1.06
Físico
Não há noção ainda do percorrido
E desinteressa este que não se pode mudar
Tem-se, de fato, a impressão sincera e real
Da proximidade com a chegada tão esperada
Engana-se por completo quem almeja o mero fim
Este será apenas meio
Ferramenta de um desejo maior
Um patamar seguro
De onde se pode avistar mais ao longe e respirar
É infinito o céu que se contempla
Ele chama como se urgente fosse
Conquistar seu azul e seu cinza peculiar
Agrada às vistas com o deslumbre do horizonte
Enche o peito de lágrimas quando torrencial chove
Inundando o querer de esperança
Mas há mudança neste combustível
O que antes era como uma entidade intocável, quase santo
Hoje é devasso e escravo das minhas atitudes
Uma prostituta virgem movida ao prazer das minhas conquistas
Agora acredito na concretude de meus sonhos
As tentativas estão mais consistentes
Os erros cada vez mais previsíveis, evitáveis: consumíveis
A distância, embora insabida é perceptível
Quase um objeto a se colocar no bolso
Falta realmente muito pouco
O esforço é proporcional
Assim como a velocidade dos tempos idos
Pois tempo é uma sensação e não uma coisa
Quando ocupamo-nos prazerosamente ele some
Insistir na contrariedade só traz angústia
E tudo se paralisa
O mundo pára
O peso pesa
E o pesar do mundo ampara
Todas as suas desculpas
O que se tem afinal
É um somatório de dúvidas e curvas
A cada volta enterramo-nos mais e mais
Inexiste a sensação de chão
Apenas um vôo livre e desgovernado
Anarquia nunca resultou em nada
Desde os primórdios
Existe um conceito
Que ajusta a vida em comum
Potencial é realmente nada sem controle
O mais importante deles
O exercido sobre nós mesmos
Deve ser administrado, treinado: dominado
Precisa, necessita e deve ser corriqueiro
Saber-se por inteiro é condição para dar-se e doar-se
Desprendimento não equivale a dação
Extrema agudeza de saber
Tem aquele que consegue desfazer de si
Para encontrar-se no outro
Religião do bem comum
Comungue a um lugar chamado nós
Peça a um deus chamado eu
Descubra um caminho chamado tempo
Seja uma vitória chamada resultado
Se esforce, vença e vá,
Pois sucesso é um mérito seu
Aceite quando conseguir êxito
Viva intenso este momento soberano
Só você sabe o quanto de sua paz está condensada ali
Expanda todas as suas virtudes
Só não reclame daquilo que não pode ter
Das coisas que não fez por onde conseguir
Tenhamos consciência que tentar é permitido
Mas que fazer tudo ao mesmo tempo é proibitivo
Escolhe, define, luta e consegue
E desinteressa este que não se pode mudar
Tem-se, de fato, a impressão sincera e real
Da proximidade com a chegada tão esperada
Engana-se por completo quem almeja o mero fim
Este será apenas meio
Ferramenta de um desejo maior
Um patamar seguro
De onde se pode avistar mais ao longe e respirar
É infinito o céu que se contempla
Ele chama como se urgente fosse
Conquistar seu azul e seu cinza peculiar
Agrada às vistas com o deslumbre do horizonte
Enche o peito de lágrimas quando torrencial chove
Inundando o querer de esperança
Mas há mudança neste combustível
O que antes era como uma entidade intocável, quase santo
Hoje é devasso e escravo das minhas atitudes
Uma prostituta virgem movida ao prazer das minhas conquistas
Agora acredito na concretude de meus sonhos
As tentativas estão mais consistentes
Os erros cada vez mais previsíveis, evitáveis: consumíveis
A distância, embora insabida é perceptível
Quase um objeto a se colocar no bolso
Falta realmente muito pouco
O esforço é proporcional
Assim como a velocidade dos tempos idos
Pois tempo é uma sensação e não uma coisa
Quando ocupamo-nos prazerosamente ele some
Insistir na contrariedade só traz angústia
E tudo se paralisa
O mundo pára
O peso pesa
E o pesar do mundo ampara
Todas as suas desculpas
O que se tem afinal
É um somatório de dúvidas e curvas
A cada volta enterramo-nos mais e mais
Inexiste a sensação de chão
Apenas um vôo livre e desgovernado
Anarquia nunca resultou em nada
Desde os primórdios
Existe um conceito
Que ajusta a vida em comum
Potencial é realmente nada sem controle
O mais importante deles
O exercido sobre nós mesmos
Deve ser administrado, treinado: dominado
Precisa, necessita e deve ser corriqueiro
Saber-se por inteiro é condição para dar-se e doar-se
Desprendimento não equivale a dação
Extrema agudeza de saber
Tem aquele que consegue desfazer de si
Para encontrar-se no outro
Religião do bem comum
Comungue a um lugar chamado nós
Peça a um deus chamado eu
Descubra um caminho chamado tempo
Seja uma vitória chamada resultado
Se esforce, vença e vá,
Pois sucesso é um mérito seu
Aceite quando conseguir êxito
Viva intenso este momento soberano
Só você sabe o quanto de sua paz está condensada ali
Expanda todas as suas virtudes
Só não reclame daquilo que não pode ter
Das coisas que não fez por onde conseguir
Tenhamos consciência que tentar é permitido
Mas que fazer tudo ao mesmo tempo é proibitivo
Escolhe, define, luta e consegue
2.1.06
Feliz dia novo
_Bom dia moço. Tudo em ordem?
_Bom dia. Tudo normal. Haveria motivo para desordem?
_Nenhum. A não ser pelo fato da certeza de que nem tudo que está em paz é pacífico.
_Como assim?
_Perceba como existe um burburinho crescente que vem com o silêncio. Sinta na aparente calmaria do oceano a profusão de ondas prestes a arrebentar sua força na areia. Se apenas fitarmos o superficial e palpável, pouco perceberemos do real valor das imagens que nos são ofertadas.
_Mas não tenho tempo para tanto esforço, o tempo não deixa de correr enquanto filosofo sobre o mundo.
_E quanto tempo tem além deste momento que agora consome? Quanto excesso ainda existe para desperdiçar com esta correria despropositada e sem motivo? O que lhe faz pensar que sua sobra é maior que aquilo que agora já lhe falta?
_Justo por não saber quanto disponho é que devo acelerar-me. Quem sabe quando não mais estarei aqui?
_Já se perguntou se está mesmo aqui? Se aqui é onde quer estar? E se positiva for sua resposta se lhe apraz o bastante o que és? E se de negativa forma responder, por que ainda não parou para se mover? Atinou para o quanto se ganha quando simplesmente não se perde?
_E por que esta sanha desesperada em conquistar e vencer se não preciso de mais batalhas. A vida já é muito dura para que eu tenha que enfrentar a todos. Na quietude de minha pouca ambição os dias passam e eu sobrevivo calmo, manso e imperceptível à mira alheia. Deveria expor-me pelo prazer de apenas vencer?
_Deveria vencer apenas por se expor. Ganhar de si próprio a cada pequena grande atitude. Deixar de imaginar que o mundo lhe admira como presa e descobrir pela definitiva vez que o domínio a ser exercido é aquele voltado para si. Acreditar na idéia simplória e grandiosa que poucos entendem. Espalhar pelo mundo a consciência que libertar é o caminho mais correto. Embora seja doloroso e nebuloso muitas vezes. Aprender pelo amor e não pela dor, pois a capacidade de fazer feliz é incontavelmente maior que a facilidade de errar. Segurar o ímpeto destrutivo e grosseiro que se esvai com a mobilidade dos ventos em tempestade. Exercitar um ato chamado perdão, mas na sua forma mais pura; que é ser capaz de ensinar antes que seu próximo erre e esteja sempre apto a aceitar que um melhor e maior que nós pode estar esperando na soleira de nossa porta esperando a resposta de um simples bom dia.
_É você aquele homem que esteve aqui muitos dias deste ano?
_Não, sou aquele que esteve aqui todo santo dia do ano que se passou. Que podia ter perdido a esperança de uma resposta. Que por vezes esteve aqui para dar um boa noite. Que não queria nada além de ser percebido, notado, tratado como igual. E nunca estive aqui travestido nas formas que nos causam comoção. Sempre trajei a roupa da igualdade e nem assim fui correspondido. Cometi a sutileza de usar as mesmas cores do seu sapato, o feitio de sua blusa e, ainda assim, quase idêntico, lhe fui indiferente.
_E por que então não desistiu? Para que tanta insistência com alguém que sequer nota sinais tão gritantes? O que tenho eu de tão especial para compartilhar seu tempo comigo?
_É o meu futuro rapaz. Veja como uma simples palavra demonstra que já aprendeu. Exatamente isso, compartilhar o tempo. E enquanto estiveres nesta terra de dor e injustiça, compartilhe seu amor, seu calor, sua vida. Dê como se fosse impossível fazer outra coisa, troque com o mundo que lhe cerca como se fosse a ultima atitude de sua breve existência, respire o ânimo da natureza que pode ser rude e transforme tudo a sua volta com seu esforço. Pois de nada adiantaria berrar às aves sabendo que elas, mesmo cantando aos seus ouvidos, nada lhe diriam. Vim porque para eu perpetuar precisava compartilhar com você e, como você mesmo percebeu, não perdi um segundo sequer.
_E deixou de fazer tudo que precisava para cumprir com sua missão? Não trabalha, não tem família? Não leva as crianças para escola?
_Faço tudo isso. As crianças, a propósito, estão no carro esperando para ir à escola. Minha esposa já saiu para trabalhar e o dia será pesado, com muito trabalho e responsabilidades e feliz, justo por isso.
_Você saiu de longe, me vigiou durante um ano todo? Não estou entendendo tudo isso!
_Sou seu vizinho, moro aqui faz um ano e resolvi lhe dar um bom dia. Depois da minha família, que vive comigo, você é a pessoa mais próxima. Sei até qual é a pizza que mais gosta. Queria somente poder passar a idéia que é possível ser notado, fazer parte e conviver, sem ser um fardo, um adversário ou um mero desconhecido. E isso tudo começou com um singelo bom dia.
_O que me fez responder hoje?
_Foi a pergunta que lhe fiz. Se estava tudo em ordem. É estranho como temos medo de parecer imperfeitos e frágeis. Quando apenas toquei sua suposta perfeição com uma pergunta normal, foi o bastante para que reagisse e retrucasse em tom de defesa. Neste momento, sem que fosse manifestada qualquer intenção da minha parte, você postou-se defensivamente e cedeu muito do tempo que supôs não ter. Por falar nisso, não está atrasado pra seu trabalho.
¬Sim, mas hoje nada supera o que ganhei em tão pouco tempo.
¬Verdade, dez minutos ou menos, que você acreditava que não tinha. Um abraço forte, e boa e muita sorte. E lembre-se que ela é diretamente proporcional ao desuso que fazemos dela. Assim como o destino e o acaso são meras desculpas para nossa falta de coragem, escusas toscas para nossa completa inaptidão para o sucesso. Sejamos fortes, grandes, bons e poderosos. Magnânimos na arte de conseguir e nem por isso deixar de querer e valorizar o que se tem. Que saibamos sempre medir o peso de nossos cestos em relação as sementes que plantamos com suor e afinco e não ao pomar alheio. E que sejamos humildes ao perguntar ao próximo, como fazer para colher tantos e tão belos frutos, mesmo sem dizer uma só palavra. Parto agora, a família espera e o dia é grande. Felicidades
_Idem! Obrigado! E antes que eu me esqueça, qual o seu nome?
_Não rotule as pessoas pelo que elas dizem de si próprias. Reconheça-as e as chame por aquilo que sente delas. Adeus!
_Mas para onde vai?
_Eu não, você! Seja pleno 2006!
Um feliz Ano Novo a todas as pessoas que fazem parte da minha vida. Um 2006 repleto e pleno de realizações e um bom dia, todo dia. Para que sejamos, todos nós, sempre, melhores. Que o amor invada a humanidade e que sejamos arrebatados pela vontade que move a História. Façamos nossa história e saibamos receber ajuda sempre que ela for precisa e necessária. E que saibamos doá-la, pois sabê-la egoisticamente é sim o maior desperdício.
Beijo em todos. Vamos que vamos!!
Sandro Costa, o Ambidestro
_Bom dia. Tudo normal. Haveria motivo para desordem?
_Nenhum. A não ser pelo fato da certeza de que nem tudo que está em paz é pacífico.
_Como assim?
_Perceba como existe um burburinho crescente que vem com o silêncio. Sinta na aparente calmaria do oceano a profusão de ondas prestes a arrebentar sua força na areia. Se apenas fitarmos o superficial e palpável, pouco perceberemos do real valor das imagens que nos são ofertadas.
_Mas não tenho tempo para tanto esforço, o tempo não deixa de correr enquanto filosofo sobre o mundo.
_E quanto tempo tem além deste momento que agora consome? Quanto excesso ainda existe para desperdiçar com esta correria despropositada e sem motivo? O que lhe faz pensar que sua sobra é maior que aquilo que agora já lhe falta?
_Justo por não saber quanto disponho é que devo acelerar-me. Quem sabe quando não mais estarei aqui?
_Já se perguntou se está mesmo aqui? Se aqui é onde quer estar? E se positiva for sua resposta se lhe apraz o bastante o que és? E se de negativa forma responder, por que ainda não parou para se mover? Atinou para o quanto se ganha quando simplesmente não se perde?
_E por que esta sanha desesperada em conquistar e vencer se não preciso de mais batalhas. A vida já é muito dura para que eu tenha que enfrentar a todos. Na quietude de minha pouca ambição os dias passam e eu sobrevivo calmo, manso e imperceptível à mira alheia. Deveria expor-me pelo prazer de apenas vencer?
_Deveria vencer apenas por se expor. Ganhar de si próprio a cada pequena grande atitude. Deixar de imaginar que o mundo lhe admira como presa e descobrir pela definitiva vez que o domínio a ser exercido é aquele voltado para si. Acreditar na idéia simplória e grandiosa que poucos entendem. Espalhar pelo mundo a consciência que libertar é o caminho mais correto. Embora seja doloroso e nebuloso muitas vezes. Aprender pelo amor e não pela dor, pois a capacidade de fazer feliz é incontavelmente maior que a facilidade de errar. Segurar o ímpeto destrutivo e grosseiro que se esvai com a mobilidade dos ventos em tempestade. Exercitar um ato chamado perdão, mas na sua forma mais pura; que é ser capaz de ensinar antes que seu próximo erre e esteja sempre apto a aceitar que um melhor e maior que nós pode estar esperando na soleira de nossa porta esperando a resposta de um simples bom dia.
_É você aquele homem que esteve aqui muitos dias deste ano?
_Não, sou aquele que esteve aqui todo santo dia do ano que se passou. Que podia ter perdido a esperança de uma resposta. Que por vezes esteve aqui para dar um boa noite. Que não queria nada além de ser percebido, notado, tratado como igual. E nunca estive aqui travestido nas formas que nos causam comoção. Sempre trajei a roupa da igualdade e nem assim fui correspondido. Cometi a sutileza de usar as mesmas cores do seu sapato, o feitio de sua blusa e, ainda assim, quase idêntico, lhe fui indiferente.
_E por que então não desistiu? Para que tanta insistência com alguém que sequer nota sinais tão gritantes? O que tenho eu de tão especial para compartilhar seu tempo comigo?
_É o meu futuro rapaz. Veja como uma simples palavra demonstra que já aprendeu. Exatamente isso, compartilhar o tempo. E enquanto estiveres nesta terra de dor e injustiça, compartilhe seu amor, seu calor, sua vida. Dê como se fosse impossível fazer outra coisa, troque com o mundo que lhe cerca como se fosse a ultima atitude de sua breve existência, respire o ânimo da natureza que pode ser rude e transforme tudo a sua volta com seu esforço. Pois de nada adiantaria berrar às aves sabendo que elas, mesmo cantando aos seus ouvidos, nada lhe diriam. Vim porque para eu perpetuar precisava compartilhar com você e, como você mesmo percebeu, não perdi um segundo sequer.
_E deixou de fazer tudo que precisava para cumprir com sua missão? Não trabalha, não tem família? Não leva as crianças para escola?
_Faço tudo isso. As crianças, a propósito, estão no carro esperando para ir à escola. Minha esposa já saiu para trabalhar e o dia será pesado, com muito trabalho e responsabilidades e feliz, justo por isso.
_Você saiu de longe, me vigiou durante um ano todo? Não estou entendendo tudo isso!
_Sou seu vizinho, moro aqui faz um ano e resolvi lhe dar um bom dia. Depois da minha família, que vive comigo, você é a pessoa mais próxima. Sei até qual é a pizza que mais gosta. Queria somente poder passar a idéia que é possível ser notado, fazer parte e conviver, sem ser um fardo, um adversário ou um mero desconhecido. E isso tudo começou com um singelo bom dia.
_O que me fez responder hoje?
_Foi a pergunta que lhe fiz. Se estava tudo em ordem. É estranho como temos medo de parecer imperfeitos e frágeis. Quando apenas toquei sua suposta perfeição com uma pergunta normal, foi o bastante para que reagisse e retrucasse em tom de defesa. Neste momento, sem que fosse manifestada qualquer intenção da minha parte, você postou-se defensivamente e cedeu muito do tempo que supôs não ter. Por falar nisso, não está atrasado pra seu trabalho.
¬Sim, mas hoje nada supera o que ganhei em tão pouco tempo.
¬Verdade, dez minutos ou menos, que você acreditava que não tinha. Um abraço forte, e boa e muita sorte. E lembre-se que ela é diretamente proporcional ao desuso que fazemos dela. Assim como o destino e o acaso são meras desculpas para nossa falta de coragem, escusas toscas para nossa completa inaptidão para o sucesso. Sejamos fortes, grandes, bons e poderosos. Magnânimos na arte de conseguir e nem por isso deixar de querer e valorizar o que se tem. Que saibamos sempre medir o peso de nossos cestos em relação as sementes que plantamos com suor e afinco e não ao pomar alheio. E que sejamos humildes ao perguntar ao próximo, como fazer para colher tantos e tão belos frutos, mesmo sem dizer uma só palavra. Parto agora, a família espera e o dia é grande. Felicidades
_Idem! Obrigado! E antes que eu me esqueça, qual o seu nome?
_Não rotule as pessoas pelo que elas dizem de si próprias. Reconheça-as e as chame por aquilo que sente delas. Adeus!
_Mas para onde vai?
_Eu não, você! Seja pleno 2006!
Um feliz Ano Novo a todas as pessoas que fazem parte da minha vida. Um 2006 repleto e pleno de realizações e um bom dia, todo dia. Para que sejamos, todos nós, sempre, melhores. Que o amor invada a humanidade e que sejamos arrebatados pela vontade que move a História. Façamos nossa história e saibamos receber ajuda sempre que ela for precisa e necessária. E que saibamos doá-la, pois sabê-la egoisticamente é sim o maior desperdício.
Beijo em todos. Vamos que vamos!!
Sandro Costa, o Ambidestro
9.12.05
Intenção
Quando tudo lhe for silêncio
Simplesmente escute
Sua voz interior
O chamado de sua vontade
Absorva sua própria alma
Lhe sobrevindo o calor
Transpire calmamente
Contemple cada esforço
Gotejando sobre solo fértil
Seja semente de sua criação
Ao sinal dos sinos de novos tempos
Ouça cada badalar atenciosamente
Oriente-se pela vibração de sua essência
Equilíbrio advém do domínio das ondas sonoras
Arrebentando nas areias de seu corpo
Pois quando lhe saltar aos olhos a maior das verdades
Aceite que sua visão é finita e simples
Desaprenda a não querer entender
Aquilo que é incontestável
Somos felicidade em potencial
Atravesse agora os campos fartos, vastos, castos
Macule de benfeitorias os frutos de seus esforços
Estenda mãos desejantes e quentes
Transforme cada dia num divino presente
Dê atenção aos mínimos detalhes
Também aos grandes
Que pelo porte são coisas
Mas não são objetos
Descartáveis, desprezíveis; previsíveis
Reconhecer valor é expor afeto
Abramo-nos para o mundo
Que vá embora esta mania torpe
De nos mantermos intocados
Deixemo-nos infectar pela pureza
Residente no amor que cerca a tudo
Então, neste momento, enverede pela sinestesia
Deixe arrepiar o imo
Esqueça nossas ridículas armas, trilhas; armadilhas
Que murcham nossa vivacidade
Não há vergonha em ser e permanecer feliz
E quando parecer não mais caber em si
Use-se a seu favor
Exacerbe, abunde, transborde
Seja maior que um dia supôs não poder ser
Viva completa e plenamente
Simplesmente escute
Sua voz interior
O chamado de sua vontade
Absorva sua própria alma
Lhe sobrevindo o calor
Transpire calmamente
Contemple cada esforço
Gotejando sobre solo fértil
Seja semente de sua criação
Ao sinal dos sinos de novos tempos
Ouça cada badalar atenciosamente
Oriente-se pela vibração de sua essência
Equilíbrio advém do domínio das ondas sonoras
Arrebentando nas areias de seu corpo
Pois quando lhe saltar aos olhos a maior das verdades
Aceite que sua visão é finita e simples
Desaprenda a não querer entender
Aquilo que é incontestável
Somos felicidade em potencial
Atravesse agora os campos fartos, vastos, castos
Macule de benfeitorias os frutos de seus esforços
Estenda mãos desejantes e quentes
Transforme cada dia num divino presente
Dê atenção aos mínimos detalhes
Também aos grandes
Que pelo porte são coisas
Mas não são objetos
Descartáveis, desprezíveis; previsíveis
Reconhecer valor é expor afeto
Abramo-nos para o mundo
Que vá embora esta mania torpe
De nos mantermos intocados
Deixemo-nos infectar pela pureza
Residente no amor que cerca a tudo
Então, neste momento, enverede pela sinestesia
Deixe arrepiar o imo
Esqueça nossas ridículas armas, trilhas; armadilhas
Que murcham nossa vivacidade
Não há vergonha em ser e permanecer feliz
E quando parecer não mais caber em si
Use-se a seu favor
Exacerbe, abunde, transborde
Seja maior que um dia supôs não poder ser
Viva completa e plenamente
28.11.05
Coisas minhas
Vai embora rapaz
Vai ver o dia morrer pra ver se você renasce
Aproveita a falta de compromisso e comprometa-se com você
Diga a si próprio que é impossível o possível não acontecer
Permita permitir-se viver.
Erga-se como quem irá dominar o mundo
Cheio de idéias
Repleto de vontades e novidades
Voraz na semeadura de bondade
Toma cada lacuna e as invade
Preenche este espaço sem dono
Com um bom punhado do seu ser
Fertiliza os corpos inócuos do caminho
Embrenhe de sagacidade a inamovibilidade do mundo
Faz da inércia combustível do movimento
Seja tempero dos ventos sem direção
Perceba-se em cada gota de chuva que tocar o solo
Responsabilize-se por cada nova semente que germinar
Sinta a maravilhosa força divina de ser pai
Faça-se mais que aquilo que supôs ser limite
Limite-se a não conhecer pontos finais
Portos seguros
Tormentas intransponíveis
Diga a todos a verdade maior:
Eu sou aquele que quer
Dê alma, ânimo, corpo a esta vontade
Tente de todas as formas conhecidas
Errando, lembre-se que nada finda
Use seu instinto
Pare e absorva o universo a sua volta
Reconheça que ele é seu residente
Está contido em você
É parte daquilo que desconhece de si
Um pouco do muito que pode ser
Exploda em todas as direções
Fundamente seus cacos perfurantes
Soerga pilares poderosos
Saboreie a deliciosa sensação
De escutar o mundo por dentro
Reverbere neste interior que lhe prepara
Espere apenas até o momento certo
Quando estiver tudo confortável e tranqüilo
Sob extremo e estrito controle
Desestabilize a harmonia monótona
Seja caos e traga a paz
Porque ser diferente e melhor a cada instante
Não é sinônimo de insatisfação
É busca contínua por algo que nunca chega
Almejar permanecer melhor
Beira o perfeito
Não queira, portanto
Bastar-se na completude do que parece divino
Transgrida, agrida, combata
Sempre sincero, justo e honesto
Como todo inimigo declarado: seja fiel
Diga todas as vezes
A que veio afinal
Que exteriorizar sua missão
Torne-se hábito comum
Grite: vim para conseguir e conseguirei
Esqueça as ajudas e facilidades
Por mais exposto e próximo que o objetivo esteja
Cabe a ti enxerga-lo
Querer tocá-lo
Transforme-se no gestor da sua vida
Proíba-se entregar seu destino a outrem
Compreenda de forma inescusável
Que seu caminho nunca esteve pronto
Que a rota nunca foi previamente traçada
Seja engenheiro e ocupante de sua estrada
Se por ventura lhe sobrevier bonança
Aceite-a de braços fortes e abertos
Pois que a rasura de sua capacidade também chega
E far-se-á hora de aproveitar-se da tolerância
Daqueles que se puseram em seu caminho
Não querer ajuda
Difere completamente de não pedi-la
Caso não lhe notem em apuros
Seja humilde e capaz:peça
A vergonha é ante-sala do fracasso
Doutrine-se a fazer suas regras
Justamente para não tê-las
Quem ocupa sua vida com próprias ordens
Vive pleno e satisfeito, não obedece ninguém
Só o que está ou é vazio pode ser ocupado: preencha-se!
Vai ver o dia morrer pra ver se você renasce
Aproveita a falta de compromisso e comprometa-se com você
Diga a si próprio que é impossível o possível não acontecer
Permita permitir-se viver.
Erga-se como quem irá dominar o mundo
Cheio de idéias
Repleto de vontades e novidades
Voraz na semeadura de bondade
Toma cada lacuna e as invade
Preenche este espaço sem dono
Com um bom punhado do seu ser
Fertiliza os corpos inócuos do caminho
Embrenhe de sagacidade a inamovibilidade do mundo
Faz da inércia combustível do movimento
Seja tempero dos ventos sem direção
Perceba-se em cada gota de chuva que tocar o solo
Responsabilize-se por cada nova semente que germinar
Sinta a maravilhosa força divina de ser pai
Faça-se mais que aquilo que supôs ser limite
Limite-se a não conhecer pontos finais
Portos seguros
Tormentas intransponíveis
Diga a todos a verdade maior:
Eu sou aquele que quer
Dê alma, ânimo, corpo a esta vontade
Tente de todas as formas conhecidas
Errando, lembre-se que nada finda
Use seu instinto
Pare e absorva o universo a sua volta
Reconheça que ele é seu residente
Está contido em você
É parte daquilo que desconhece de si
Um pouco do muito que pode ser
Exploda em todas as direções
Fundamente seus cacos perfurantes
Soerga pilares poderosos
Saboreie a deliciosa sensação
De escutar o mundo por dentro
Reverbere neste interior que lhe prepara
Espere apenas até o momento certo
Quando estiver tudo confortável e tranqüilo
Sob extremo e estrito controle
Desestabilize a harmonia monótona
Seja caos e traga a paz
Porque ser diferente e melhor a cada instante
Não é sinônimo de insatisfação
É busca contínua por algo que nunca chega
Almejar permanecer melhor
Beira o perfeito
Não queira, portanto
Bastar-se na completude do que parece divino
Transgrida, agrida, combata
Sempre sincero, justo e honesto
Como todo inimigo declarado: seja fiel
Diga todas as vezes
A que veio afinal
Que exteriorizar sua missão
Torne-se hábito comum
Grite: vim para conseguir e conseguirei
Esqueça as ajudas e facilidades
Por mais exposto e próximo que o objetivo esteja
Cabe a ti enxerga-lo
Querer tocá-lo
Transforme-se no gestor da sua vida
Proíba-se entregar seu destino a outrem
Compreenda de forma inescusável
Que seu caminho nunca esteve pronto
Que a rota nunca foi previamente traçada
Seja engenheiro e ocupante de sua estrada
Se por ventura lhe sobrevier bonança
Aceite-a de braços fortes e abertos
Pois que a rasura de sua capacidade também chega
E far-se-á hora de aproveitar-se da tolerância
Daqueles que se puseram em seu caminho
Não querer ajuda
Difere completamente de não pedi-la
Caso não lhe notem em apuros
Seja humilde e capaz:peça
A vergonha é ante-sala do fracasso
Doutrine-se a fazer suas regras
Justamente para não tê-las
Quem ocupa sua vida com próprias ordens
Vive pleno e satisfeito, não obedece ninguém
Só o que está ou é vazio pode ser ocupado: preencha-se!
17.11.05
Feita em verso
Não precisa permissão
Aquele que nasceu com a liberdade
Para que tanta confissão
Se portadora do convite da vontade
Deseje apenas e seja aquilo que sonha
Arrombe as portas que sequer existem
Penetre fundo como fio fino em carne tesa
Amole o desejo que lateja imenso
Inunde no mais profundo devaneio
Semeie sua existência em nossa ausência
Permita-se ser tudo que sonha
Plante cada dia do seu futuro
Neste presente que parece torto
Mas é o mais perfeito de seus dias
Seu agora é sua eternidade
Viva intensamente
Pois não o terá logo à frente
Nunca mais em sua frágil existência
Será tão indestrutível quanto agora
Nem no mais completo dos teus virtuosos pensamentos
Transpire cada gota de suor
Por algo que realmente possa fazer
Chore toda sua alegria em colos adorados
Pois a tristeza não foi feita para compartilhar
Aprenda que há coisas muito nossas
Que de tão tuas
Deixam-lhe nua
Tão minhas
Que em ti me inclua
Que sejamos aquilo que o porquê conclua
Sendo dúvida seremos sempre atraentes
Teremos em nosso seio o anseio do descobrimento
Em nosso leito o desalento atento dos que não param
Chegando enfim, num fim que nunca chega
Resta sermos contínuo movimento
Desenrolando histórias
Nem sempre narrativas
Juntando em palavras por vezes mortas
O calor intenso de brasas vivas
Colorindo de desejo a palidez da saudade
Invasora voraz e astuta
Consumidora de nossas horas
Causadora de tantas lutas
Senhora da maior das permutas
Doce o encontro do querer com poder
Verbos inocentemente separados ao nascerem
Aprendem e ensinam de forma natural
Que a bruteza da simplicidade humana
É estupenda e farta de intrínsecas qualidades
Impagável o esforço monumental de uma criança
Dando seu primeiro e radical passo
Decidindo seu destino tão prematuramente
Repare a violência deste gesto
Paradigmático ato insano de todos nós
Mesmo mergulhados em desconhecimento optamos abraça-lo
Para sermos cada vez mais fortes
Cada minuto mais poderosos
A cada passo mais senhores de nós mesmos
Sempre mais experientes
Ainda assim completamente perdidos
No infinito de possibilidades que nos tomam a reboque
Empurrando e sinalizando em qualquer direção
Fica difícil mudar o rumo
Quando postamo-nos indefesos em braços seguros
Força alheia nos contém, não traz segurança
Com pés ao chão e cabeça aos céus
Fica facílimo enxergar
Os rumos que minha visão permite
Os possíveis pontos onde devo parar
Reparar, respirar; continuar
Pois do interminável e constante desejo
Vem o ânimo que me enverga
Flexibilizando a não maleabilidade
Das certezas que se quebram
Diante do menor senão adiante
Insista em conseguir
Acredite que desistir é provável
Mas que ser derrotado é muito mais louvável
Que a fuga de si mesmo
Escreva seus próprios versos
E quando for verso de outro alguém
Acredite que não é por bondade
Foi você quem mereceu as palavras
Não havendo nenhuma caridade
Apenas dei forma ao adorar de verdade
Aquele que nasceu com a liberdade
Para que tanta confissão
Se portadora do convite da vontade
Deseje apenas e seja aquilo que sonha
Arrombe as portas que sequer existem
Penetre fundo como fio fino em carne tesa
Amole o desejo que lateja imenso
Inunde no mais profundo devaneio
Semeie sua existência em nossa ausência
Permita-se ser tudo que sonha
Plante cada dia do seu futuro
Neste presente que parece torto
Mas é o mais perfeito de seus dias
Seu agora é sua eternidade
Viva intensamente
Pois não o terá logo à frente
Nunca mais em sua frágil existência
Será tão indestrutível quanto agora
Nem no mais completo dos teus virtuosos pensamentos
Transpire cada gota de suor
Por algo que realmente possa fazer
Chore toda sua alegria em colos adorados
Pois a tristeza não foi feita para compartilhar
Aprenda que há coisas muito nossas
Que de tão tuas
Deixam-lhe nua
Tão minhas
Que em ti me inclua
Que sejamos aquilo que o porquê conclua
Sendo dúvida seremos sempre atraentes
Teremos em nosso seio o anseio do descobrimento
Em nosso leito o desalento atento dos que não param
Chegando enfim, num fim que nunca chega
Resta sermos contínuo movimento
Desenrolando histórias
Nem sempre narrativas
Juntando em palavras por vezes mortas
O calor intenso de brasas vivas
Colorindo de desejo a palidez da saudade
Invasora voraz e astuta
Consumidora de nossas horas
Causadora de tantas lutas
Senhora da maior das permutas
Doce o encontro do querer com poder
Verbos inocentemente separados ao nascerem
Aprendem e ensinam de forma natural
Que a bruteza da simplicidade humana
É estupenda e farta de intrínsecas qualidades
Impagável o esforço monumental de uma criança
Dando seu primeiro e radical passo
Decidindo seu destino tão prematuramente
Repare a violência deste gesto
Paradigmático ato insano de todos nós
Mesmo mergulhados em desconhecimento optamos abraça-lo
Para sermos cada vez mais fortes
Cada minuto mais poderosos
A cada passo mais senhores de nós mesmos
Sempre mais experientes
Ainda assim completamente perdidos
No infinito de possibilidades que nos tomam a reboque
Empurrando e sinalizando em qualquer direção
Fica difícil mudar o rumo
Quando postamo-nos indefesos em braços seguros
Força alheia nos contém, não traz segurança
Com pés ao chão e cabeça aos céus
Fica facílimo enxergar
Os rumos que minha visão permite
Os possíveis pontos onde devo parar
Reparar, respirar; continuar
Pois do interminável e constante desejo
Vem o ânimo que me enverga
Flexibilizando a não maleabilidade
Das certezas que se quebram
Diante do menor senão adiante
Insista em conseguir
Acredite que desistir é provável
Mas que ser derrotado é muito mais louvável
Que a fuga de si mesmo
Escreva seus próprios versos
E quando for verso de outro alguém
Acredite que não é por bondade
Foi você quem mereceu as palavras
Não havendo nenhuma caridade
Apenas dei forma ao adorar de verdade
11.11.05
Um ano
Queria poder dar a notícia neste texto, nestas linhas, neste dia. Mas ainda não chegou a hora. Há exato um ano eu escrevia por achar que o impossível havia me derrotado, ou simplesmente vencido. Felizmente a tristeza foi passageira, como todas são.
Precisava de uma saída para eu mesmo. Um caminho pelo qual eu trilhasse sozinho, sentindo minha dor sem ter que compartilha-la com mais ninguém. Mais ninguém que não merecesse ou fizesse parte daquilo que eu estava passando no momento.
Procurei um meio de expurgar sentimentos que atormentaram minha cabeça de forma muito construtiva. Doeu muito passar por tudo que eu não queria. Ver o amor de a minha vida entregar-se à formalidade da falta de saída, da ausência de coragem, da despresença de ousadia. Respeitei, cada um tem seu limite, este definidor de coisas impossíveis.
Descobri que eu era menos forte, menos direto: desmotivado. Encontrei milhões de significados novos para palavras e sentimentos que pareciam esgotados ou exaustivamente batidos e monótonos pela experiência alheia e até própria. Mergulhei num universo inédito de nomes carregados de novos significados, de significantes embrenhados em vida e cores jamais sonhadas.
Briguei comigo mesmo infinitas ocasiões e ainda o faço, pois que a dúvida é mãe da inteligência e ficar parado sem sequer pensar no próximo movimento é dar aos demônios a paz que não se tem. Encorajei a mim mesmo, toda vez que supunha estar na pior das situações e lembrava que toda vez que eu cogitava não suportar, eu já havia pensado isto antes e havia superado aquele obstáculo.
Aprendi da forma boa, que despenhadeiros, abismos e montanhas são feitas para serem escaladas, transpostas e vencidas. Desafios são coisas a serem superadas e lembradas com alegria, por mostrarem que as cicatrizes são marcas reais daquilo que se opôs a nossa vontade.
Tenho momentos felizes e faço questão de expô-los. Tenho lembranças boas e ineditismos maravilhosos. Fiz amizades sólidas e saudosas como só este meio sabe fazer. Aprendi que aprender é importante, mas que ensinar é uma arte fina e sutil, que demanda tempo, coragem e treino. Ficou claro que tentar é o verbo mais poderoso do mundo desde que atrelado, apaixonado e carnalmente ligado ao verbo querer.
Lancei-me esporros homéricos e xinguei todos os palavrões que queria e podia para agredir minha teimosia nos momentos de inércia total. Sacudi-me muitas vezes com umas porradas na cara, mas nunca quis meu próprio mal. Veio à tona uma grande faceta do ser humano: amamos sentir dor e pena de nós mesmos. Um vício que pode se tornar letal quando dominamos o prazer que o mínimo de felicidade pode trazer quando nos metemos em buracos muito fundos e de paredes lisas. Daqueles que são quase inescaláveis.
Criei muitas palavras novas. Neologismei muitas vezes, como agora, brincando com o substantivo e fazendo dele um verbo que não existia. É esta capacidade de construir coisas e sentimentos e sentidos que consegui tocar com este blog, que passou de terapia ou coisa parecida, a um imenso prazer, um lugar onde eu exponho minhas vivências e passagens, meus desejos e anseios, minhas tentativas, minhas derrotas e vitórias.
Felizmente, consigo me ver em cada palavra sussurrada ou vociferada nestes versos de métrica torta e ímpar que pessoas maravilhosas passaram a gostar e mostrar interesse. Queria mesmo ser tudo aquilo que alguns consideram e, quem sabe, talvez até seja, mas é melhor que eu não saiba, para continuar querendo melhorar sempre.
Não estou me despedindo, ou dando um tempo do blog. Estou apenas marcando uma data que é especial para mim também. Neste 11 de novembro de 2005 comemoro um ano de história, e como em poucas em minha vida, construí algo totalmente meu, prazeroso e independente.
Fica uma lição neste tempo e algumas considerações que julgo valiosas. Saibamos querer, pois quando decidimos que atitude tomar, resta ao mundo à opção de nos contrariar e não de ofertar um caminho. Tentemos sempre, sabendo que a tentativa é a única coisa perfeita do mundo; foi feita para se buscar um movimento e basta-se nesta vontade. A tentativa não influi na qualidade do resultado, apenas faz com que o resultado aconteça, ou não, como esperado. Sejamos inteligentes, para que além de estarmos alegres, permaneçamos felizes. Estar alegre é efêmero demais para a felicidade que uma vida consome. Sintamos dor o quanto for possível, mas apenas para ficarmos cada vez mais fortes, pois no mundo há injustiça e ingratidão demais para que contribuamos com nossa mesquinhez e egoísmo.
E, por fim, amemos sempre. Como eu costumo dizer: o ser humano precisa de amor! Amem de graça. Sejamos ultra sinceros. Entreguemos a vida por momentos de amor sem ter que morrer por causa disso. Choremos e liquefaçamos em corpo e alma, em desejo e lágrimas, mas que tenhamos saudade e lembranças para que suspiremos vida a fora. A todos que fazem parte da minha vida, que me lêem e que vivem comigo, um beijo e um abraço verdadeiro, grato e completamente feliz.
Para você Criatura, tudo aquilo que quiser de mim. Amo você!
Precisava de uma saída para eu mesmo. Um caminho pelo qual eu trilhasse sozinho, sentindo minha dor sem ter que compartilha-la com mais ninguém. Mais ninguém que não merecesse ou fizesse parte daquilo que eu estava passando no momento.
Procurei um meio de expurgar sentimentos que atormentaram minha cabeça de forma muito construtiva. Doeu muito passar por tudo que eu não queria. Ver o amor de a minha vida entregar-se à formalidade da falta de saída, da ausência de coragem, da despresença de ousadia. Respeitei, cada um tem seu limite, este definidor de coisas impossíveis.
Descobri que eu era menos forte, menos direto: desmotivado. Encontrei milhões de significados novos para palavras e sentimentos que pareciam esgotados ou exaustivamente batidos e monótonos pela experiência alheia e até própria. Mergulhei num universo inédito de nomes carregados de novos significados, de significantes embrenhados em vida e cores jamais sonhadas.
Briguei comigo mesmo infinitas ocasiões e ainda o faço, pois que a dúvida é mãe da inteligência e ficar parado sem sequer pensar no próximo movimento é dar aos demônios a paz que não se tem. Encorajei a mim mesmo, toda vez que supunha estar na pior das situações e lembrava que toda vez que eu cogitava não suportar, eu já havia pensado isto antes e havia superado aquele obstáculo.
Aprendi da forma boa, que despenhadeiros, abismos e montanhas são feitas para serem escaladas, transpostas e vencidas. Desafios são coisas a serem superadas e lembradas com alegria, por mostrarem que as cicatrizes são marcas reais daquilo que se opôs a nossa vontade.
Tenho momentos felizes e faço questão de expô-los. Tenho lembranças boas e ineditismos maravilhosos. Fiz amizades sólidas e saudosas como só este meio sabe fazer. Aprendi que aprender é importante, mas que ensinar é uma arte fina e sutil, que demanda tempo, coragem e treino. Ficou claro que tentar é o verbo mais poderoso do mundo desde que atrelado, apaixonado e carnalmente ligado ao verbo querer.
Lancei-me esporros homéricos e xinguei todos os palavrões que queria e podia para agredir minha teimosia nos momentos de inércia total. Sacudi-me muitas vezes com umas porradas na cara, mas nunca quis meu próprio mal. Veio à tona uma grande faceta do ser humano: amamos sentir dor e pena de nós mesmos. Um vício que pode se tornar letal quando dominamos o prazer que o mínimo de felicidade pode trazer quando nos metemos em buracos muito fundos e de paredes lisas. Daqueles que são quase inescaláveis.
Criei muitas palavras novas. Neologismei muitas vezes, como agora, brincando com o substantivo e fazendo dele um verbo que não existia. É esta capacidade de construir coisas e sentimentos e sentidos que consegui tocar com este blog, que passou de terapia ou coisa parecida, a um imenso prazer, um lugar onde eu exponho minhas vivências e passagens, meus desejos e anseios, minhas tentativas, minhas derrotas e vitórias.
Felizmente, consigo me ver em cada palavra sussurrada ou vociferada nestes versos de métrica torta e ímpar que pessoas maravilhosas passaram a gostar e mostrar interesse. Queria mesmo ser tudo aquilo que alguns consideram e, quem sabe, talvez até seja, mas é melhor que eu não saiba, para continuar querendo melhorar sempre.
Não estou me despedindo, ou dando um tempo do blog. Estou apenas marcando uma data que é especial para mim também. Neste 11 de novembro de 2005 comemoro um ano de história, e como em poucas em minha vida, construí algo totalmente meu, prazeroso e independente.
Fica uma lição neste tempo e algumas considerações que julgo valiosas. Saibamos querer, pois quando decidimos que atitude tomar, resta ao mundo à opção de nos contrariar e não de ofertar um caminho. Tentemos sempre, sabendo que a tentativa é a única coisa perfeita do mundo; foi feita para se buscar um movimento e basta-se nesta vontade. A tentativa não influi na qualidade do resultado, apenas faz com que o resultado aconteça, ou não, como esperado. Sejamos inteligentes, para que além de estarmos alegres, permaneçamos felizes. Estar alegre é efêmero demais para a felicidade que uma vida consome. Sintamos dor o quanto for possível, mas apenas para ficarmos cada vez mais fortes, pois no mundo há injustiça e ingratidão demais para que contribuamos com nossa mesquinhez e egoísmo.
E, por fim, amemos sempre. Como eu costumo dizer: o ser humano precisa de amor! Amem de graça. Sejamos ultra sinceros. Entreguemos a vida por momentos de amor sem ter que morrer por causa disso. Choremos e liquefaçamos em corpo e alma, em desejo e lágrimas, mas que tenhamos saudade e lembranças para que suspiremos vida a fora. A todos que fazem parte da minha vida, que me lêem e que vivem comigo, um beijo e um abraço verdadeiro, grato e completamente feliz.
Para você Criatura, tudo aquilo que quiser de mim. Amo você!
28.10.05
Inevitável
Tomara que seja mesmo
Um dom desses que se cultiva
Apenas por se estar vivo
Simplesmente por ser comum
Nada mais que habitualidade
Dizer que não se percebe seria falso
Sei que as palavras têm certa importância
Um quê de extravagância
E em momentos como o deste exato
Doses cavalares de ignorância
Motivos para uma explosão existem
Seria aproximar do ridículo
Usar comum justificativa
Prefiro o difícil exercício
De entender a posição alheia
Paciência é relacionada à ignorância
Quanto menos sei das razões alheias
Mais paciente permaneço
Quando consigo mostrar que entendo os motivos
Já não devo segurar
Bondade não significa submissão
É ser justo com erros próprios
Ser receptivo aos acertos dos outros
Manter-se inteligente para perceber sutilezas
Estar pronto para ser grosso
Quando pisarem no seu calo doído
Olhando na sua cara torcida
Com o hálito do propósito impregnando
Não tenha dúvidas
Parta para dentro
O abuso descarado e iminente
É convite ao revide
Trinque seus dentes com bastante raiva
Segure no pescoço do oponente
Parta-lhe a cara
Seja visceralmente incontrolável
Lute por seu território
Derrube aquele corpo inútil
Pise naquela garganta escrota
Exemplifique aquela velha e boa lei
Estes dois corpos não ocuparão o mesmo espaço
Nunca,
Jamais,
Nem fodendo
Pois não há amor
O ser humano precisa de amor
Ondas devastadoras de calor
Regado a bastante desejo
Vontade de consumir aos beijos
Destrua, então, este ser repugnante
Que teima em encher o saco
Falso, asqueroso, nojento e descartável
Ignóbil, tosco, podre, maldito
Infeliz, desgraçado, babaca
O verdadeiro merda
Quero que você vá
Para a puta que o pariu
Vai chamar sua mãe, aquela vaca
De amigão
Amigão é o caralho
Vem com esta voz mansa
Este jeito mole, falso
Ridículo e intragável feito um verme
Personificação do vazio mal intencionado
Um porra nenhuma ambulante
Com a nuvem carregada sobre a cabeça
Cheia de pensamentos e vontades tortas
Dispara sorrisos entre dentes amarelados
E olhares cinzentos, pesados, malvados
Louco por uma vaga na minha alegria
Que possa ser ocupada por sua dureza
Transmutada em sua aspereza rude
Na rouquidão desta garganta que pigarreia
Feliz ao perceber tristeza em outros corpos
Sinto pena de você, infeliz
Pois aquilo que é estado passageiro para mim
É condição inconteste para os da sua laia
Enquanto sou feliz por não estar triste
Ficas triste por estar feliz
Sorva a lama de sua construção desprezível
Seja o porco mor deste chiqueiro nauseabundo
Só não venha com seus braços e abraços
Pois sua sujeira é dos poucos entes que me desfaço
Mantenho meu interior limpo
Por mais que minhas vestes lhe digam quase nada
Dói notar
Que ao perceber-se em meu brilho simples
Sua alma rugosa chora invejosa
Deus perdoe você, amém!
Um dom desses que se cultiva
Apenas por se estar vivo
Simplesmente por ser comum
Nada mais que habitualidade
Dizer que não se percebe seria falso
Sei que as palavras têm certa importância
Um quê de extravagância
E em momentos como o deste exato
Doses cavalares de ignorância
Motivos para uma explosão existem
Seria aproximar do ridículo
Usar comum justificativa
Prefiro o difícil exercício
De entender a posição alheia
Paciência é relacionada à ignorância
Quanto menos sei das razões alheias
Mais paciente permaneço
Quando consigo mostrar que entendo os motivos
Já não devo segurar
Bondade não significa submissão
É ser justo com erros próprios
Ser receptivo aos acertos dos outros
Manter-se inteligente para perceber sutilezas
Estar pronto para ser grosso
Quando pisarem no seu calo doído
Olhando na sua cara torcida
Com o hálito do propósito impregnando
Não tenha dúvidas
Parta para dentro
O abuso descarado e iminente
É convite ao revide
Trinque seus dentes com bastante raiva
Segure no pescoço do oponente
Parta-lhe a cara
Seja visceralmente incontrolável
Lute por seu território
Derrube aquele corpo inútil
Pise naquela garganta escrota
Exemplifique aquela velha e boa lei
Estes dois corpos não ocuparão o mesmo espaço
Nunca,
Jamais,
Nem fodendo
Pois não há amor
O ser humano precisa de amor
Ondas devastadoras de calor
Regado a bastante desejo
Vontade de consumir aos beijos
Destrua, então, este ser repugnante
Que teima em encher o saco
Falso, asqueroso, nojento e descartável
Ignóbil, tosco, podre, maldito
Infeliz, desgraçado, babaca
O verdadeiro merda
Quero que você vá
Para a puta que o pariu
Vai chamar sua mãe, aquela vaca
De amigão
Amigão é o caralho
Vem com esta voz mansa
Este jeito mole, falso
Ridículo e intragável feito um verme
Personificação do vazio mal intencionado
Um porra nenhuma ambulante
Com a nuvem carregada sobre a cabeça
Cheia de pensamentos e vontades tortas
Dispara sorrisos entre dentes amarelados
E olhares cinzentos, pesados, malvados
Louco por uma vaga na minha alegria
Que possa ser ocupada por sua dureza
Transmutada em sua aspereza rude
Na rouquidão desta garganta que pigarreia
Feliz ao perceber tristeza em outros corpos
Sinto pena de você, infeliz
Pois aquilo que é estado passageiro para mim
É condição inconteste para os da sua laia
Enquanto sou feliz por não estar triste
Ficas triste por estar feliz
Sorva a lama de sua construção desprezível
Seja o porco mor deste chiqueiro nauseabundo
Só não venha com seus braços e abraços
Pois sua sujeira é dos poucos entes que me desfaço
Mantenho meu interior limpo
Por mais que minhas vestes lhe digam quase nada
Dói notar
Que ao perceber-se em meu brilho simples
Sua alma rugosa chora invejosa
Deus perdoe você, amém!
13.10.05
Inflexivo
Sangra desgraçado
Arranca a face deste sorriso
Leva embora a verdade desta doce mentira
Naufraga nestes céus turbulentos
Inventa o caminho que lhe sobrevirá
Costura a pele com pontos grandiosos
Doloridos como a crença na vitória
Que esgota suas forças
Rebrotando vontades sequer tidas
Encare o inimaginável
Esmurre toda dúvida
Espere o vento que lhe fará combustão
Alimente este fogo com seu suspirar
Entregue aos profanos deuses sua carne pura
Morra outra vez
É o que faz a cada dia pois
Reinventar-se, renascer-se, retirar-se
De um mundo que não lhe regozija
Alijando-te da naturalidade do processo
Os pilares já não te sustentam
Houve alegria de certo
Mas ela finou-se, findou, cresceu
Transmutou-se e quase ninguém entendeu
Mostrou-se tão nova e simples que se perdeu
Pergunte ao si, se este é o eu
Resposta banal para um movimento crucificante
Que machuca, tortura, agonia; muda
Isto incomoda, irrita, destoa
Porém, de inevitável forma vem
Domando o ímpeto e criando realidades
Já não se lhe pertence mais
Decaiu seu próprio direito de ter-se
Perambula a esmo, esquálido, invalido: enfermo
Procurando um nada absurdo que inexiste
Pare de entregar sua vida
Admita que o você seja o eu
Esqueça o traste que um dia foi
Aceite o açoite deste que também morrerá
Foi exatamente pra isso que veio
Desapegue-se desta mania infame de encerrar-se imutável
És completamente transitório
Instável, inconstante; itinerante
Versátil, versado, versante
Indiscutivelmente mutante
Permita-se de derradeira vez
Note que sua história lhe pertence
Que sua vontade tem aliados
Inteligência e saúde proporcionam
A mudança que necessita existir
Acorde para o objetivo
Esqueça o medo, a dor, a crença
A força, o devaneio
O cansaço e a doença
Seja carrasco, sentenciado e sentença
Sem conseguir ser egoísta
Dome este bicho louco que ricocheteia em ti
Deixe-o explodir ao menos uma vez
Sinta a força que ferve em seu interior
Expila suas sementes ao sabor das tormentas
Veja-se nas ondas que arrebentam num lindo espetáculo
Forte, poderoso, barulhento e proposital
Insista em manter-se vivo afinal
Deseje, queira, ame
Aprenda que conseguir e vencer
São verbos de sua primeira pessoa
Continue aspirando aqueles inconhecidos horizontes
Ultrapasse os pontos antes inalcançáveis
Quando achar-se pensando que já é o suficiente
Lembre que isto já havia sido cogitado
Ensurdeça o mundo com seu silencio
Encha sua vida de brilho
Misture ao suar a lágrima da conquista
Argua-se se tem tudo que quer
Responda sempre que não
Pare de querer parar
Movimente-se,
Canse, descanse, dance
Ao som da sua própria música
Ritmada pelos solavancos de seu corpo
Pulsando desesperadamente
Jamais sossegue
Mesmo completamente estático
Dedique-se a criar o perfeito hábito
De criar vontades
Para mudar sua intima história
Que apesar de exclusivamente sua
Arrebanha personagens através do tempo
Sinta o prazer de ser o navegador destes mapas
Responsabilize-se pelo destino destes
Que confiam plenamente em ti
Dê-lhes carinho e os escute
Espalhe afeto e fale a todos
Seja sincero e escolha os mais necessitados
Seja amor e abrace o mundo
Seja você, mar que me inundo
Arranca a face deste sorriso
Leva embora a verdade desta doce mentira
Naufraga nestes céus turbulentos
Inventa o caminho que lhe sobrevirá
Costura a pele com pontos grandiosos
Doloridos como a crença na vitória
Que esgota suas forças
Rebrotando vontades sequer tidas
Encare o inimaginável
Esmurre toda dúvida
Espere o vento que lhe fará combustão
Alimente este fogo com seu suspirar
Entregue aos profanos deuses sua carne pura
Morra outra vez
É o que faz a cada dia pois
Reinventar-se, renascer-se, retirar-se
De um mundo que não lhe regozija
Alijando-te da naturalidade do processo
Os pilares já não te sustentam
Houve alegria de certo
Mas ela finou-se, findou, cresceu
Transmutou-se e quase ninguém entendeu
Mostrou-se tão nova e simples que se perdeu
Pergunte ao si, se este é o eu
Resposta banal para um movimento crucificante
Que machuca, tortura, agonia; muda
Isto incomoda, irrita, destoa
Porém, de inevitável forma vem
Domando o ímpeto e criando realidades
Já não se lhe pertence mais
Decaiu seu próprio direito de ter-se
Perambula a esmo, esquálido, invalido: enfermo
Procurando um nada absurdo que inexiste
Pare de entregar sua vida
Admita que o você seja o eu
Esqueça o traste que um dia foi
Aceite o açoite deste que também morrerá
Foi exatamente pra isso que veio
Desapegue-se desta mania infame de encerrar-se imutável
És completamente transitório
Instável, inconstante; itinerante
Versátil, versado, versante
Indiscutivelmente mutante
Permita-se de derradeira vez
Note que sua história lhe pertence
Que sua vontade tem aliados
Inteligência e saúde proporcionam
A mudança que necessita existir
Acorde para o objetivo
Esqueça o medo, a dor, a crença
A força, o devaneio
O cansaço e a doença
Seja carrasco, sentenciado e sentença
Sem conseguir ser egoísta
Dome este bicho louco que ricocheteia em ti
Deixe-o explodir ao menos uma vez
Sinta a força que ferve em seu interior
Expila suas sementes ao sabor das tormentas
Veja-se nas ondas que arrebentam num lindo espetáculo
Forte, poderoso, barulhento e proposital
Insista em manter-se vivo afinal
Deseje, queira, ame
Aprenda que conseguir e vencer
São verbos de sua primeira pessoa
Continue aspirando aqueles inconhecidos horizontes
Ultrapasse os pontos antes inalcançáveis
Quando achar-se pensando que já é o suficiente
Lembre que isto já havia sido cogitado
Ensurdeça o mundo com seu silencio
Encha sua vida de brilho
Misture ao suar a lágrima da conquista
Argua-se se tem tudo que quer
Responda sempre que não
Pare de querer parar
Movimente-se,
Canse, descanse, dance
Ao som da sua própria música
Ritmada pelos solavancos de seu corpo
Pulsando desesperadamente
Jamais sossegue
Mesmo completamente estático
Dedique-se a criar o perfeito hábito
De criar vontades
Para mudar sua intima história
Que apesar de exclusivamente sua
Arrebanha personagens através do tempo
Sinta o prazer de ser o navegador destes mapas
Responsabilize-se pelo destino destes
Que confiam plenamente em ti
Dê-lhes carinho e os escute
Espalhe afeto e fale a todos
Seja sincero e escolha os mais necessitados
Seja amor e abrace o mundo
Seja você, mar que me inundo
4.10.05
Sons
Não dificulte
Pare de errar propositalmente
Deixamos de ser felizes
Por pura teimosia
Escute uma música boa
Viaje
Pense em lugares maravilhosos
Visite cada boa lembrança
Recorde como você foi capaz
E exercite apenas
Lute, ame, grite
Vá em frente
Fé em si deposite
Traga deus para o seu devido lugar
Mantenha-o dentro
Alimente-o
Trate-o com eterno carinho
Cuide-se
Ame-se
Seja verbo das suas ações
Cultive as boas
Semeie o vento
Para que as brisas levem
Sua bondade pelos arredores
Perfume o céu com sua cor
Ensine o que é ser bom
Chore ao contar a história
Emocione-se
Deixe vazar tudo que lhe transborda
Jamais se segure
Abunde
Exacerbe
Extrapole
Exorbite
Transcenda
Perpasse todo o caminho
Todos eles
Seja um deles
Profundamente clame
Por mais uns dias para viver
Que sua passagem, mesmo breve
Dure eternamente
Consiga ser único
Importe-se apenas em ser
Desimporta lembrar dos feitos; imperioso lembrar do autor
Continue simples
Cada vez mais puro
Limpo, verdadeiro; seguro
Absorva a responsabilidade
De conseguir fazer alguém feliz
Chore novamente
Se entregue
E quando lhe perguntarem
O motivo das lágrimas
Responda serem de alegria, fruto de amor
Pare de errar propositalmente
Deixamos de ser felizes
Por pura teimosia
Escute uma música boa
Viaje
Pense em lugares maravilhosos
Visite cada boa lembrança
Recorde como você foi capaz
E exercite apenas
Lute, ame, grite
Vá em frente
Fé em si deposite
Traga deus para o seu devido lugar
Mantenha-o dentro
Alimente-o
Trate-o com eterno carinho
Cuide-se
Ame-se
Seja verbo das suas ações
Cultive as boas
Semeie o vento
Para que as brisas levem
Sua bondade pelos arredores
Perfume o céu com sua cor
Ensine o que é ser bom
Chore ao contar a história
Emocione-se
Deixe vazar tudo que lhe transborda
Jamais se segure
Abunde
Exacerbe
Extrapole
Exorbite
Transcenda
Perpasse todo o caminho
Todos eles
Seja um deles
Profundamente clame
Por mais uns dias para viver
Que sua passagem, mesmo breve
Dure eternamente
Consiga ser único
Importe-se apenas em ser
Desimporta lembrar dos feitos; imperioso lembrar do autor
Continue simples
Cada vez mais puro
Limpo, verdadeiro; seguro
Absorva a responsabilidade
De conseguir fazer alguém feliz
Chore novamente
Se entregue
E quando lhe perguntarem
O motivo das lágrimas
Responda serem de alegria, fruto de amor
26.9.05
Pequena Verdade
Nunca é cedo o bastante
Quando é tarde demais
Por mais pueril que seja a madrugada
É noite eterna quando já se foi
E a volta nunca volta
Há tempo para se fazer outra vez
Possível repetir mesmos erros
Tentar de diversificada forma
Mas acertar é sempre inédito
A eficácia elimina a mesmice
Desrotinifica atitudes simples
Torna cada gesto único
Potencializa qualquer atitude
Requerendo atenção imensa
Desastres nascem instantaneamente
Aquela palavra ríspida
O gesto não meditado
A falta de tato
O excesso de sensibilidade
Atrocidades são sempre banais aos que praticam
Reverter certos atos é impossível
Conseguimos apenas reduzir o impacto
A bofetada já foi dada, porém
Não será esquecida
Retirar a culpa não elimina o verbo
Engraçado pensar assim
Mas só sabemos o doer
No exato momento em que o sentimos
Não dói no físico quando recordamos
Lembrar sim, traz sentimentos
Transporta-nos a um estado vivido
Remonta certa particularização de nosso real
Emergindo angústias
Nó no peito que quem lembra sabe:
Dói só de lembrar
Quando for errar
Seja completamente ignorante
Faça-o por puro desconhecimento
Tenha o que aprender com sua atitude
Não espezinhe quem você gosta
Agir por pura picardia é idiotice
Não existe vitória
Na derrota daquele
Que devia ser resguardado
Da nossa cruel capacidade de fazer sofrer
Atinja com sua ira
Apenas seus reais inimigos
Que felizmente existem
Sinceros como nuvens carregadas
Que por vezes relampejam e trovejam
Exclua seu amor de sua mira
Afine sua pontaria
Preserve a incolumidade e a paz
De quem optou por estar ao seu lado
Sujeito às suas intempéries
Saber da disposição alheia
Não é sinônimo de usurpação
Acreditar que pode acontecer
Não é convite ao merecimento
Antes de urrar silencie
Olhe a sua volta
Perceba se os que te circundam entenderão
Meça se valerá a pena discursar aos surdos
Ao perceber que estão vocês sozinhos
Abrace-a, para não ferir-lhe os ouvidos
Conduza seu calor no prazer do aconchego
Respire quente no interior do corpo dela
Acaricie aquele rosto magnífico
E após respirar levemente
Agradeça sem ter um aparente por que
Lembre-se que é bom fazer bem
Que na vida escolhemos alguém
Por quem vale a pena receber e dar
Uma vida que nos ensina constante
Não ser preciso sofrer para amar
Quando é tarde demais
Por mais pueril que seja a madrugada
É noite eterna quando já se foi
E a volta nunca volta
Há tempo para se fazer outra vez
Possível repetir mesmos erros
Tentar de diversificada forma
Mas acertar é sempre inédito
A eficácia elimina a mesmice
Desrotinifica atitudes simples
Torna cada gesto único
Potencializa qualquer atitude
Requerendo atenção imensa
Desastres nascem instantaneamente
Aquela palavra ríspida
O gesto não meditado
A falta de tato
O excesso de sensibilidade
Atrocidades são sempre banais aos que praticam
Reverter certos atos é impossível
Conseguimos apenas reduzir o impacto
A bofetada já foi dada, porém
Não será esquecida
Retirar a culpa não elimina o verbo
Engraçado pensar assim
Mas só sabemos o doer
No exato momento em que o sentimos
Não dói no físico quando recordamos
Lembrar sim, traz sentimentos
Transporta-nos a um estado vivido
Remonta certa particularização de nosso real
Emergindo angústias
Nó no peito que quem lembra sabe:
Dói só de lembrar
Quando for errar
Seja completamente ignorante
Faça-o por puro desconhecimento
Tenha o que aprender com sua atitude
Não espezinhe quem você gosta
Agir por pura picardia é idiotice
Não existe vitória
Na derrota daquele
Que devia ser resguardado
Da nossa cruel capacidade de fazer sofrer
Atinja com sua ira
Apenas seus reais inimigos
Que felizmente existem
Sinceros como nuvens carregadas
Que por vezes relampejam e trovejam
Exclua seu amor de sua mira
Afine sua pontaria
Preserve a incolumidade e a paz
De quem optou por estar ao seu lado
Sujeito às suas intempéries
Saber da disposição alheia
Não é sinônimo de usurpação
Acreditar que pode acontecer
Não é convite ao merecimento
Antes de urrar silencie
Olhe a sua volta
Perceba se os que te circundam entenderão
Meça se valerá a pena discursar aos surdos
Ao perceber que estão vocês sozinhos
Abrace-a, para não ferir-lhe os ouvidos
Conduza seu calor no prazer do aconchego
Respire quente no interior do corpo dela
Acaricie aquele rosto magnífico
E após respirar levemente
Agradeça sem ter um aparente por que
Lembre-se que é bom fazer bem
Que na vida escolhemos alguém
Por quem vale a pena receber e dar
Uma vida que nos ensina constante
Não ser preciso sofrer para amar
19.9.05
Tecnologia
Hoje não caibo em mim
A saudade é maior que meus limites
Reside em cada canto do meu ser
Que é nada frente sua ausência
Suspiro insistentemente
Como se adiantar fosse
Como se o ar que ponho para fora
Abrisse espaço para você entrar
Mas você não vem
Aonde está você, assim tão transitória?
Por que não pára em um lugar conhecido
Por que não se mostra de um modo batido
Por que não me gritas sussurrando aos ouvidos
Por que esta falta neste eterno domingo
?
Sei todas as respostas
Perguntas que não são minhas
Vontades que são só nossas
Teimosas em não se acharem
Acho tudo e não me certifico de nada
O que quer que eu faça é sempre sem graça
Falta você, seu cheiro, seu jeito
Minha alegria que enternece
Sua vida que me aquece
Faltam verbos na primeira pessoa do nosso plural
Chuva fina a piorar tudo
Faz as pessoas se esconderem
Desfazendo minhas diminutas chances
De encontra-te por uma rua qualquer
Ninguém passeia nestes dias molhados
Exceto eu
Que choro por dentro diariamente
Encharcado de amor por todo instante
Vejo-me multiplicado quando, torrencialmente chove
Estado da natureza cuja beleza comove
Escuto nossas músicas e choro
Pois não tenho vergonha de amar
Tampouco pena de sofrer
Sinto cada instante, intenso, constante; amante
Quero ser mais que aquilo que presumo poder ser
Se perguntam o motivo de minha estranheza
É por que não me conhecem
Se percebem que não sorrio
É por que levei minha alegria pra junto de ti
Estou aqui o contrário do que sou em você
Sei da impossibilidade de estarmos juntos agora
Por isso troco a ansiedade da espera
Pela paciência da esperança
Suspiro outra vez
Para que eu me torne mais fácil de carregar
Nada me tira a vontade enfim
Necessito inspirar seu expirar
Aquecer no vapor de seu suor
Estar perto a ponto de mesclar
Dentro de ti é onde adoro permanecer
Me acolhe com calor
Incendeia com amor
Olha com fervor
Me inunda por favor!
Deixe-me ser o seu furor
Ainda é hoje, entretanto
Seu sentimento, expresso em linhas, é que me anima
Espero angustiado ele sinalizar
Esquisito e insano este inusitado ato
De ser mensagem em celular
A saudade é maior que meus limites
Reside em cada canto do meu ser
Que é nada frente sua ausência
Suspiro insistentemente
Como se adiantar fosse
Como se o ar que ponho para fora
Abrisse espaço para você entrar
Mas você não vem
Aonde está você, assim tão transitória?
Por que não pára em um lugar conhecido
Por que não se mostra de um modo batido
Por que não me gritas sussurrando aos ouvidos
Por que esta falta neste eterno domingo
?
Sei todas as respostas
Perguntas que não são minhas
Vontades que são só nossas
Teimosas em não se acharem
Acho tudo e não me certifico de nada
O que quer que eu faça é sempre sem graça
Falta você, seu cheiro, seu jeito
Minha alegria que enternece
Sua vida que me aquece
Faltam verbos na primeira pessoa do nosso plural
Chuva fina a piorar tudo
Faz as pessoas se esconderem
Desfazendo minhas diminutas chances
De encontra-te por uma rua qualquer
Ninguém passeia nestes dias molhados
Exceto eu
Que choro por dentro diariamente
Encharcado de amor por todo instante
Vejo-me multiplicado quando, torrencialmente chove
Estado da natureza cuja beleza comove
Escuto nossas músicas e choro
Pois não tenho vergonha de amar
Tampouco pena de sofrer
Sinto cada instante, intenso, constante; amante
Quero ser mais que aquilo que presumo poder ser
Se perguntam o motivo de minha estranheza
É por que não me conhecem
Se percebem que não sorrio
É por que levei minha alegria pra junto de ti
Estou aqui o contrário do que sou em você
Sei da impossibilidade de estarmos juntos agora
Por isso troco a ansiedade da espera
Pela paciência da esperança
Suspiro outra vez
Para que eu me torne mais fácil de carregar
Nada me tira a vontade enfim
Necessito inspirar seu expirar
Aquecer no vapor de seu suor
Estar perto a ponto de mesclar
Dentro de ti é onde adoro permanecer
Me acolhe com calor
Incendeia com amor
Olha com fervor
Me inunda por favor!
Deixe-me ser o seu furor
Ainda é hoje, entretanto
Seu sentimento, expresso em linhas, é que me anima
Espero angustiado ele sinalizar
Esquisito e insano este inusitado ato
De ser mensagem em celular
14.9.05
Carta
Queria poder te mandar esta carta. Mas não sei seu endereço. Seria impossível que ela chegasse, enfim. Não será por isso que não irei fazê-la. Pelo contrário. Irei até o final. Para que eu possa reler finitas vezes, pois sei que volta. Recitá-la-ei, portanto, de tanto que lhe sei, quando retornares.
Tolice minha ater-me diante da falta de sua localização. Estás tão perto que sequer preciso escrever. Basta que eu pense, mudo e estático, para que te alcance. Não necessito mover um músculo para sentir-te por completo. Deixarei que minha saudade envolva você. Na eternidade de meus momentos, estarei tão perto que será difícil separarmo-nos.
Condição que já ocorre. Mesmo desunidos pela lacuna física que nos distancia, o sentimento que nos permeia, preenche qualquer distância. E te sinto em cada passo, em cada ato que pratico, em cada medo que desfaço, em cada lembrança que relança a esperança de ver seu rosto de criança na próxima esquina. A pureza de seu semblante simples que carrega meu juízo para além destas ruas. Deixando minhas vontades todas nuas, minhas verdades todas cruas e os dias com sóis e luas de tão completa a minha felicidade ao percebê-la.
Queria que se apagassem as estrelas nesta hora. Para que os incautos percebessem que elas apenas refletem o rutilo que vem de sua direção. Apropriando-se da propriedade intrínseca da sua personalidade brilhante e reluzente. Que você nem sente, quase que dormente. Os astros noturnos então te seguem e perseguem sua posição. Querem ser expectadores de sua linda passagem. Tentando aprender aquilo que não se ensina por não haver meio. O que não se da por não se possuir. Este seu jeito, seu acerto, seu defeito, sou eu quem nota. Talvez, quem sabe uma vez, ou outra, seja possível a ti, sentir o quanto te percebo; o como te concebo.
Por mais que pareça exagerado, desmedido e sem propósito é normal, sincero e real. Duvido que aquele verbo agregue todo o valor que lhe meço. Que caiba em quatro letras a imensidão de sentires que afloram ao som de seu corpo intenso. Desconheço a palavra, ou conjunto delas, que revele a descrição de sua nudez desfeita pelo meu toque, na mais completa escuridão, ausentes de visão. Quando seu contorno vem à mente pelos caminhos trilhados por meus dedos que te enxergam mudos, sem dizer sequer uma sílaba.
É para estas horas de estar sozinho que me preparo quando fico a te admirar. Por saber que estes momentos ainda são necessários é que lhe interiorizo. Percebo cada gesto. Sua voz, seu andar, seu perfume. Teu gosto fresco que me inunda o paladar e sempre desconcerta minha noção de certeza. Sua imparidade de beleza, sutil, ardil, febril, desarma qualquer defesa que eu nunca tive. Se te abrigo no meu abraço é por que preciso sabê-la por inteiro nestas temporadas de singular morada. Vives em minha existência e serei seu pelo tempo que a vida permitir.
Volte logo, amor da minha vida. Pense em mim, para que minha nuca esquente. Para que eu tenha as orelhas vermelhas de tanto você lembrar. E que não demore para que eu sinta seu cheiro pela escada. Para que eu me veja nos teus olhos marcados, esverdeados. Que eu possa em breve estar, mais uma vez, fluindo amor em sua boca.
Como já disse antes, ao seu lado não é lugar; é o único momento, em que existo feliz. Amo você, criatura!
Tolice minha ater-me diante da falta de sua localização. Estás tão perto que sequer preciso escrever. Basta que eu pense, mudo e estático, para que te alcance. Não necessito mover um músculo para sentir-te por completo. Deixarei que minha saudade envolva você. Na eternidade de meus momentos, estarei tão perto que será difícil separarmo-nos.
Condição que já ocorre. Mesmo desunidos pela lacuna física que nos distancia, o sentimento que nos permeia, preenche qualquer distância. E te sinto em cada passo, em cada ato que pratico, em cada medo que desfaço, em cada lembrança que relança a esperança de ver seu rosto de criança na próxima esquina. A pureza de seu semblante simples que carrega meu juízo para além destas ruas. Deixando minhas vontades todas nuas, minhas verdades todas cruas e os dias com sóis e luas de tão completa a minha felicidade ao percebê-la.
Queria que se apagassem as estrelas nesta hora. Para que os incautos percebessem que elas apenas refletem o rutilo que vem de sua direção. Apropriando-se da propriedade intrínseca da sua personalidade brilhante e reluzente. Que você nem sente, quase que dormente. Os astros noturnos então te seguem e perseguem sua posição. Querem ser expectadores de sua linda passagem. Tentando aprender aquilo que não se ensina por não haver meio. O que não se da por não se possuir. Este seu jeito, seu acerto, seu defeito, sou eu quem nota. Talvez, quem sabe uma vez, ou outra, seja possível a ti, sentir o quanto te percebo; o como te concebo.
Por mais que pareça exagerado, desmedido e sem propósito é normal, sincero e real. Duvido que aquele verbo agregue todo o valor que lhe meço. Que caiba em quatro letras a imensidão de sentires que afloram ao som de seu corpo intenso. Desconheço a palavra, ou conjunto delas, que revele a descrição de sua nudez desfeita pelo meu toque, na mais completa escuridão, ausentes de visão. Quando seu contorno vem à mente pelos caminhos trilhados por meus dedos que te enxergam mudos, sem dizer sequer uma sílaba.
É para estas horas de estar sozinho que me preparo quando fico a te admirar. Por saber que estes momentos ainda são necessários é que lhe interiorizo. Percebo cada gesto. Sua voz, seu andar, seu perfume. Teu gosto fresco que me inunda o paladar e sempre desconcerta minha noção de certeza. Sua imparidade de beleza, sutil, ardil, febril, desarma qualquer defesa que eu nunca tive. Se te abrigo no meu abraço é por que preciso sabê-la por inteiro nestas temporadas de singular morada. Vives em minha existência e serei seu pelo tempo que a vida permitir.
Volte logo, amor da minha vida. Pense em mim, para que minha nuca esquente. Para que eu tenha as orelhas vermelhas de tanto você lembrar. E que não demore para que eu sinta seu cheiro pela escada. Para que eu me veja nos teus olhos marcados, esverdeados. Que eu possa em breve estar, mais uma vez, fluindo amor em sua boca.
Como já disse antes, ao seu lado não é lugar; é o único momento, em que existo feliz. Amo você, criatura!
12.9.05
5.9.05
Desvio
Por vezes preciso de a música triste
Que revele meu estado de espírito
Que traga a tona aquela dor que faz tanta falta
Depurando a vontade que se esconde
Sob as vestes da comodidade incômoda
Que incomoda pela mesmice
Que deturpa pela babaquice
De se achar que ter pena de nós próprios
É atalho para sermos salvos de nós mesmos
Grandiosa putaria que fazemos
Prostituindo nossa imaculada felicidade
Em troca de momentos vis e toscos
Personificados em corpos sujos
Que nos invadem com aqueles toques assépticos
Prefiro mãos impregnadas de desejo, de verdade
Quero o suor do esforço
Daquele que lutou para me conquistar
Quero o cheiro de corpo cansado
O gosto do gozo alcançado
A exaustão maravilhosa dos que se apaixonam
Meretriz de alto nível a auto piedade
Chega travestida em mansidão
Cheirando a paraíso
Quente e úmida como o inferno
Assando a pele e queimando o juízo
Envolve como o exímio dançarino
Que ao levantar seu peso do solo
Carrega você para nuvens
Deixando-nos a mercê de exterior desejo
Trocando obscenamente nossa liberdade
Por vontades podres
Usa um corpo que não é dele como quer
Posicionado como dono da situação, pois
Sinalizando para um fim antecipado
Que nós mesmos procuramos
Quando desistimos de tomar a vida sob controle
Achando que o mundo seria bom e gentil
Esquecendo que ele compete conosco
Que quer se sobrepor a nossa existência
Imperioso ser forte pra caralho
Foda-se se não te acompanharam
Se a velocidade do seu cruzeiro é demais para os demais
Se o espaço que você ocupa é imensidão
Se seu jeito não é tão dócil
Se de suposições vivem os que te rodeiam
Só não pare de continuar por causa disso
Lute com toda força e inteligência
Detone cada fraco pensamento que lhe sobrevier
Aniquile qualquer pedido de piedade interior
Algoz é aquele que nos dá chance
Ficamos preguiçosos, ridículos: odiosos
Tornamo-nos lesmas que rastejam
Quando sabemos voar e caçar
Deixamos o rastro inocente das presas
Quando deveríamos terminantemente predar
Sejamos justos quando derrotados
Que choremos, que odiemos
Mas com total franqueza
Pois fraqueza é esconder-se do inevitável
Passividade é medo em forma bruta, inerte, ilesa
Lapide este sentimento esfuziante
Que prepara o corpo para a fuga
Prevendo o perigo onde não se enxerga
Pondo fim ao que nem começa
Use-se a seu favor
Encare a morte com sua sorte
Esbraveje, lute, sofra
Mire seu inimigo e corra
Diretamente de encontro a ele
Faça desta encruzilhada uma enorme trombada
Ruidosa, enorme, ruinosa
Alguém ira perder neste embate
Se for você melhor: aprenda
Se for alguém, sem dó: ensine
Nunca tome atitudes desmotivadas
Pare de desperdiçar tempo
Com coisas que você nem sabe se quer
Ele não se mede pelo que se usou
Mas justamente pelo que não mais se tem
Seu faltar é medida de seu desperdício
Seja urgente, direto e preciso
Forte, inteligente e conciso
Mire a alma das coisas
Pois ao alcançá-la
O corpo já terá sucumbido
Trace sua meta com calma
Pense em seus movimentos
Sossegado, tranqüilo
Siga sua rota firmemente
Só permita a você ser seu desvio
Que revele meu estado de espírito
Que traga a tona aquela dor que faz tanta falta
Depurando a vontade que se esconde
Sob as vestes da comodidade incômoda
Que incomoda pela mesmice
Que deturpa pela babaquice
De se achar que ter pena de nós próprios
É atalho para sermos salvos de nós mesmos
Grandiosa putaria que fazemos
Prostituindo nossa imaculada felicidade
Em troca de momentos vis e toscos
Personificados em corpos sujos
Que nos invadem com aqueles toques assépticos
Prefiro mãos impregnadas de desejo, de verdade
Quero o suor do esforço
Daquele que lutou para me conquistar
Quero o cheiro de corpo cansado
O gosto do gozo alcançado
A exaustão maravilhosa dos que se apaixonam
Meretriz de alto nível a auto piedade
Chega travestida em mansidão
Cheirando a paraíso
Quente e úmida como o inferno
Assando a pele e queimando o juízo
Envolve como o exímio dançarino
Que ao levantar seu peso do solo
Carrega você para nuvens
Deixando-nos a mercê de exterior desejo
Trocando obscenamente nossa liberdade
Por vontades podres
Usa um corpo que não é dele como quer
Posicionado como dono da situação, pois
Sinalizando para um fim antecipado
Que nós mesmos procuramos
Quando desistimos de tomar a vida sob controle
Achando que o mundo seria bom e gentil
Esquecendo que ele compete conosco
Que quer se sobrepor a nossa existência
Imperioso ser forte pra caralho
Foda-se se não te acompanharam
Se a velocidade do seu cruzeiro é demais para os demais
Se o espaço que você ocupa é imensidão
Se seu jeito não é tão dócil
Se de suposições vivem os que te rodeiam
Só não pare de continuar por causa disso
Lute com toda força e inteligência
Detone cada fraco pensamento que lhe sobrevier
Aniquile qualquer pedido de piedade interior
Algoz é aquele que nos dá chance
Ficamos preguiçosos, ridículos: odiosos
Tornamo-nos lesmas que rastejam
Quando sabemos voar e caçar
Deixamos o rastro inocente das presas
Quando deveríamos terminantemente predar
Sejamos justos quando derrotados
Que choremos, que odiemos
Mas com total franqueza
Pois fraqueza é esconder-se do inevitável
Passividade é medo em forma bruta, inerte, ilesa
Lapide este sentimento esfuziante
Que prepara o corpo para a fuga
Prevendo o perigo onde não se enxerga
Pondo fim ao que nem começa
Use-se a seu favor
Encare a morte com sua sorte
Esbraveje, lute, sofra
Mire seu inimigo e corra
Diretamente de encontro a ele
Faça desta encruzilhada uma enorme trombada
Ruidosa, enorme, ruinosa
Alguém ira perder neste embate
Se for você melhor: aprenda
Se for alguém, sem dó: ensine
Nunca tome atitudes desmotivadas
Pare de desperdiçar tempo
Com coisas que você nem sabe se quer
Ele não se mede pelo que se usou
Mas justamente pelo que não mais se tem
Seu faltar é medida de seu desperdício
Seja urgente, direto e preciso
Forte, inteligente e conciso
Mire a alma das coisas
Pois ao alcançá-la
O corpo já terá sucumbido
Trace sua meta com calma
Pense em seus movimentos
Sossegado, tranqüilo
Siga sua rota firmemente
Só permita a você ser seu desvio
24.8.05
Fundamento
Em troca do benefício alheio
Dias passam
Ficam nossas faltas
Faltam nossas coisas
Deixamos de viver pequenas eternidades
Como se adivinhassemos valer a pena
Abrir mão de tanta vida indiscriminadamente
Por indivíduos indistintos
Risco grande tomar todos como iguais
Mas é indispensável
Senão perder-se-ia muito com tarefa desimportante
É preciso separar o realmente útil
Porem sejamos metodológicos
Usemos o instinto puro e salvador
Para que nos livremos do nosso próprio mal
A teimosia de não fazer
A facilidade em dar-se
A dificuldade de tentar
O medo fóbico de conseguir
Como se ser feliz fosse um pecado, um estigma
Ironicamente somos ultra capazes
Sabemos fazer coisas inimagináveis
Sem ter que sofrer por ou com isso
Simplesmente saber merecer
Querer é dom gratuito
Amoral por não ser punível
Atípico por não reter forma
Alucinante por suas virtudes
Amável por ser aquilo que buscamos
Atômico por sua indivisibilidade
Que difere completamente de ser egoísta
Queira ser feliz e compartilhe
Alce vôos longínquos
Alcance grande numero de pessoas
Leve em suas asas bondade e paz
Rancorise o rancor que arranca tristezas
Incruste jóias de atitudes boas
Ignore a falta de brilho que faz pesar
Seja luz de sua própria penumbra
Sorria por todo seu sempre
Dias passam
Ficam nossas faltas
Faltam nossas coisas
Deixamos de viver pequenas eternidades
Como se adivinhassemos valer a pena
Abrir mão de tanta vida indiscriminadamente
Por indivíduos indistintos
Risco grande tomar todos como iguais
Mas é indispensável
Senão perder-se-ia muito com tarefa desimportante
É preciso separar o realmente útil
Porem sejamos metodológicos
Usemos o instinto puro e salvador
Para que nos livremos do nosso próprio mal
A teimosia de não fazer
A facilidade em dar-se
A dificuldade de tentar
O medo fóbico de conseguir
Como se ser feliz fosse um pecado, um estigma
Ironicamente somos ultra capazes
Sabemos fazer coisas inimagináveis
Sem ter que sofrer por ou com isso
Simplesmente saber merecer
Querer é dom gratuito
Amoral por não ser punível
Atípico por não reter forma
Alucinante por suas virtudes
Amável por ser aquilo que buscamos
Atômico por sua indivisibilidade
Que difere completamente de ser egoísta
Queira ser feliz e compartilhe
Alce vôos longínquos
Alcance grande numero de pessoas
Leve em suas asas bondade e paz
Rancorise o rancor que arranca tristezas
Incruste jóias de atitudes boas
Ignore a falta de brilho que faz pesar
Seja luz de sua própria penumbra
Sorria por todo seu sempre
22.8.05
16.8.05
Instrumental
Não consigo enxergar a dificuldade
Em se fazer desta maneira
De se entregar de forma verdadeira
Com o entusiasmo de como se fosse a primeira
Com a liberdade de uma brincadeira
Experimentar cada novo movimento
Que baila ao sabor do vento
Que se move pelo firmamento
Amanhecendo noite adentro
Olhar sorridente de contentamento
Aquele arrepiar gostoso
Brisa fina, toque saboroso
Carinho iniciado no pescoço
Descendo costa abaixo em contorno sinuoso
Sensação de prazer vultoso
Grandes são estas pequenas coisas
Escondidas em enormes detalhes
Essas fendas, estes entalhes
Ferro quente em que se malhe
Criando formas que por si valem
O esforço, o suor, o gosto
A lágrima do corpo
Todo o seu sacro exposto
Beleza infinda sem sequer um rosto
Apenas a vontade incrível de se fazer
Precisamos de calor
De contato, toque, tato: imediato
Trocar, receber, doar: compartilhar
Fazermos sós, mirando a nós
Simplesmente desesperar
No sentido de não querer troco
De não retribuição
De ser senhor de todos os atos
Ser sozinho em comunhão
Abrir a porta ao coração
Sem exibir ou emitir convites
Fazer com que passem por nós
Como se portais fossemos
Levando nossos viajantes
Ao mundo mais bonito
Desinteressa se perfeito
Melhor ou insubstituível
Necessário que estes emigrantes
Percebam sua natureza
Que se saibam portadores da riqueza
De sermos enfim eternos construtores
Fazedores de construções imensas
Tão atateis quanto densas
Não queira ser cobiçado
Almeje ser dividido
Prepare-se para o bem intraduzível
Que é ser querido, preferido
Ser mais um entre os tantos bons
Conter e ser contido
Saibamos não ser preteridos
Grite a si mesmo que precisamos de amor
Que ele se espalhe por todas as esferas
Demos carinho indiscriminadamente
Independente do bem que tenham nos feito
Pandóricos de coisas boas
Tenhamos em mente sempre que as ruins existem
Enfurnam-se em nosso ócio e persistem
Encontrando lugar em maus vícios
Na mistura de maldade e cobiça: malícia
Convivamos com ela então
Mas sejamos inteligentes
Informemo-nos sobre as atrocidades morais
O suficiente para reconhecê-las
Troquemos contato com elas o necessário para não exerce-las
Mergulhemos na lama pútrida e respiremos pureza
Acreditemos que mesmo sob escombros
Seguros como água em represa
Há força para romper barreiras
Dúvidas para se alcançar certezas
Existe amor, invasor de qualquer fortaleza
Em se fazer desta maneira
De se entregar de forma verdadeira
Com o entusiasmo de como se fosse a primeira
Com a liberdade de uma brincadeira
Experimentar cada novo movimento
Que baila ao sabor do vento
Que se move pelo firmamento
Amanhecendo noite adentro
Olhar sorridente de contentamento
Aquele arrepiar gostoso
Brisa fina, toque saboroso
Carinho iniciado no pescoço
Descendo costa abaixo em contorno sinuoso
Sensação de prazer vultoso
Grandes são estas pequenas coisas
Escondidas em enormes detalhes
Essas fendas, estes entalhes
Ferro quente em que se malhe
Criando formas que por si valem
O esforço, o suor, o gosto
A lágrima do corpo
Todo o seu sacro exposto
Beleza infinda sem sequer um rosto
Apenas a vontade incrível de se fazer
Precisamos de calor
De contato, toque, tato: imediato
Trocar, receber, doar: compartilhar
Fazermos sós, mirando a nós
Simplesmente desesperar
No sentido de não querer troco
De não retribuição
De ser senhor de todos os atos
Ser sozinho em comunhão
Abrir a porta ao coração
Sem exibir ou emitir convites
Fazer com que passem por nós
Como se portais fossemos
Levando nossos viajantes
Ao mundo mais bonito
Desinteressa se perfeito
Melhor ou insubstituível
Necessário que estes emigrantes
Percebam sua natureza
Que se saibam portadores da riqueza
De sermos enfim eternos construtores
Fazedores de construções imensas
Tão atateis quanto densas
Não queira ser cobiçado
Almeje ser dividido
Prepare-se para o bem intraduzível
Que é ser querido, preferido
Ser mais um entre os tantos bons
Conter e ser contido
Saibamos não ser preteridos
Grite a si mesmo que precisamos de amor
Que ele se espalhe por todas as esferas
Demos carinho indiscriminadamente
Independente do bem que tenham nos feito
Pandóricos de coisas boas
Tenhamos em mente sempre que as ruins existem
Enfurnam-se em nosso ócio e persistem
Encontrando lugar em maus vícios
Na mistura de maldade e cobiça: malícia
Convivamos com ela então
Mas sejamos inteligentes
Informemo-nos sobre as atrocidades morais
O suficiente para reconhecê-las
Troquemos contato com elas o necessário para não exerce-las
Mergulhemos na lama pútrida e respiremos pureza
Acreditemos que mesmo sob escombros
Seguros como água em represa
Há força para romper barreiras
Dúvidas para se alcançar certezas
Existe amor, invasor de qualquer fortaleza
10.8.05
Anseio
A vida se encarregou de fazer a arte
Escreveu tudo com tinta muito colorida
Trouxe a brisa
Levou o sossego
Ficou a saudade
Toda vez que ela bate em minha porta
Pergunto-me se devo mesmo abrir
Se preciso desta rotina tão incerta
Que é não saber o momento depois do agora
De viver por derradeiro instante
Sou feito de vida
Que reside em meu corpo útil
Um sentimento vital
Que quer você sempre e mais
Amor que me faz único, imortal
Quero mais e sempre
Alucinado, descontrolado
Suplicante de sua especificidade
Louco por sua poesia única
Cego diante de sua aparição
Ofuscando as estrelas
Neste momento, tão pequenas
Fazendo da lua enorme
Detalhe quase despercebido
Frente sua grandiosidade
Vindoura e edificante
Pilar de uma vontade que transcende
Arrimo de verdade incontestável
Impossível aquilo que nos fará parar
Continuarei indefinidamente
Mas quero todas as definições
Preciso daqueles pontos finais, afinal
Não quero ser mais reticente
Desdesejo ser o último ponto de suas reticências
Serei a interrogação mais concreta de sua vida
Para que se pergunte sempre
O que somos definitivamente
E que se responda todas as vezes
Que somos perfeitos
Feitos um para o outro
Escreveu tudo com tinta muito colorida
Trouxe a brisa
Levou o sossego
Ficou a saudade
Toda vez que ela bate em minha porta
Pergunto-me se devo mesmo abrir
Se preciso desta rotina tão incerta
Que é não saber o momento depois do agora
De viver por derradeiro instante
Sou feito de vida
Que reside em meu corpo útil
Um sentimento vital
Que quer você sempre e mais
Amor que me faz único, imortal
Quero mais e sempre
Alucinado, descontrolado
Suplicante de sua especificidade
Louco por sua poesia única
Cego diante de sua aparição
Ofuscando as estrelas
Neste momento, tão pequenas
Fazendo da lua enorme
Detalhe quase despercebido
Frente sua grandiosidade
Vindoura e edificante
Pilar de uma vontade que transcende
Arrimo de verdade incontestável
Impossível aquilo que nos fará parar
Continuarei indefinidamente
Mas quero todas as definições
Preciso daqueles pontos finais, afinal
Não quero ser mais reticente
Desdesejo ser o último ponto de suas reticências
Serei a interrogação mais concreta de sua vida
Para que se pergunte sempre
O que somos definitivamente
E que se responda todas as vezes
Que somos perfeitos
Feitos um para o outro
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