28.1.05

Fratura Exposta

Oi, amor. Vim me apresentar para lhe dizer tchau. Sim, para me despedir num pra sempre eterno. Daqueles que duram para sempre. Pois que o pra sempre sim, invariável finda. Oi amor, estou aqui pra abrir mão da última vez de um, por que não, talvez. Sem mais afirmativos, negativos ou meros porquês.

Prazer amor. De ter sentido, de ter querido. Prazer amor, por não ter sofrido, por sequer ter sido. Prazer amor, agora sabido, que não foi nada mais que dolorido. Pois não se tem alegria na tristeza que é viver pra ser preterido, incompleto e dividido. Prazer amor, mas que prazer mais incontido.

E se a dor que me vem agora trará alívio ou compensação só meu único Deus mostrará. O Tempo passa e nunca despercebido. Sabido este moço. Arranca dúvidas, traz certezas e num segundo infinito muda sua vida como mero brinquedo. Acaba com tudo. Constrói com tudo. Faz do todo um tudo e do tudo que se foi um nada que já o é. Complexo o tempo, mas é o único que verdadeiramente nos quer.

Apaixonado, amor. Paixão de ter sentido, de ter tentado de ter perdido. Apaixonado por você, por ter lutado, por, enfim, ter sido derrotado. Já não podia mais levantar do chão e pedir para outra vez ser abatido, açoitado, surrado; amado. Abatido por eu próprio, pelo que se sente, pelo fogo que nos impulsiona, pela paixão pela qual se é consumido. Que paixão destruidora e acabei por destruído.

Obrigado, amor. Por ter me deixado aprender. Por ter me feito sentir. Quantas palavras velhas se me vieram inéditas e quantos sentimentos por outrora tolos se fizeram indispensáveis. Obrigado amor por não caber em peito próprio e por procurar um ninho quente e seguro no peito de alguém que não eu mesmo. Agradeço pela saudade, pela alegria e por toda a verdade. Obrigado por me ensinar a querer e ter vontade.

Adeus, Amor. Por nunca assim ter lhe chamado, por sempre assim ter sido querido só por mim. Adeus amor, por nunca, em nenhum momento eu assim ter sido. Adeus e obrigado por somente eu não ter conseguido. Adeus com todo sentimento; explicado, exposto, dado, experimentado. Adeus, amor, meu amor. Adeus nosso amor

Adeus de amor é impossível e para milagres não conheço outro jeito. Só há Deus

Amor

Atitulorium

Não sei se sou eu que estou muito sensível, se as pessoas com que estou encontrando têm passado pelas mesmas ou coisas parecidas ou se tudo isto ao mesmo tempo. A vontade de escrever que estou feliz é muito grande só que este momento não está chegando e curiosa e paradoxalmente sei que por minha causa.
Me chamo idiota, burro e imbecil a cada segundo e mesmo assim não consigo a última dança. Não a quero e parece que esta lacuna da despedida que não vai haver está me deixando longe de mim mesmo o suficiente para achar que não vou conseguir. Mas vou e vou!

A música que toca já é tão conhecida que a desconheço
Em cada versão que te dou lhe reconheço
Sim, é alto pagar este preço
Danças em salões vazios
Entre faltas de olhares e espios
Arrepios

Me encontro ao redor
De um centro que se espalha pelas fronteiras
De um lugar sem geografia
De terras tão distantes e esguias
Que pela extensão de seus mares se aproxima
Duma perdição encontrada
Onde só a vontade se enfia
Agonia

E me ofereço o mapa que desvenda toda trilha
Diante do desfecho; o fim
Afinal!
E o mapa se fecha e surge uma estrada maior
Um caminho novo e infeito
Onde eu posso sorrir e criar
Onde eu consiga enfim, pedir, aceitar e chorar
Uma vida nova e desconhecida: o, em si, desejo
Perfeito

25.1.05

Teoria do Vício

Queria não contaminar as pessoas em volta com meu estado de espírito, mas já percebi que é impossível. Todos se preocupam, gostam e querem saber para ajudar e não para espezinhar ou rir dos acontecidos.
Tomara que passe antes d’eu me adaptar, que eu seja limitado o suficiente para não conter um sentimento que parece me espremer contra a parede.
O sofrimento dói, entretanto faz das pequenas alegrias, que são banais e freqüentes, coisas maiores e boas de se sentir e ter.

24.1.05

Caminhando

De mais um papo casual com pessoas não menos essenciais me sai um assunto que poderia passar despercebido não fosse a implicância teimosa e perseverante de minha atenção que, relutante, persiste em achar sempre um novo num bom e velho acontecimento conhecido qualquer.

E aí Sandrão como vão as coisas?
To caminhando Placerdinha, caminhando..
Pelo menos está indo pra algum lugar, o que é bom.
Ou talvez saindo, o que pode ser melhor.
Mas se sai está indo pra algum lugar
Nem sempre. As vezes só se quer sair sem ir pra lugar nenhum

É claro que todo movimento nos remete a algum lugar, mas o que consegui ver e apreender foi que, sair, é importante. Pois ficar pode concretar suas sementes em terrenos inférteis que farão raízes hipotróficas que não nos levarão, senão, ao tombo irremediável de um andar tardio e covarde.

Ainda é nublo o céu. Mas a certeza da possibilidade é tão grandiosa quanto o sol que marca o Tempo. Eis um verdadeiro deus. Sempre em maiúsculo em sinal de respeito

19.1.05

Ruim de Aturar

Ta tudo muito nublado e por mais que eu vislumbre um risco maior de sol no horizonte que se coisifica pelo toque alcançável de um esticar de dedos, o barulho da chuva ainda é ensurdecedor. E num reflexo físico, toda vez que dói aos ouvidos fecho os olhos, como se não enxergar diminuísse meu incomodo, na tentativa de desviar o som para o lugar de onde ele realmente emana; dentro de mim.
Adoro estas tempestades, mas como não podia deixar de ser tudo se faz diferente. Sou eu quem fez chover e somente eu posso decidir quando parar. Molhar é a intenção de toda tempestade. Seu fim porém nem sempre traz a finalidade proposta, ainda mais quando se propõe o que não se quer cumprir.
Ta difícil, ta dolorido, ta diferente e ta me fazendo mal. Me deixando pra baixo, pra dentro e irreativo. Sim, palavras novas para sentimentos novos que não sei como descrever e não tenho obrigação de saber como senti-los. Mais raso do que parece, sei qual é a melhor saída para caso este de difícil solução que eu mesmo me propus. A felicidade está na minha frente, passeamos de mãos dadas sob um luar bonito em noite de calor insuperável. E mesmo assim me dói perder ou deixar de querer ter alguém por quem lutei desesperadamente e que sabidamente não fará o mesmo comigo e por mim..
Impossível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo e na dúvida sobre quem se gosta mais a solidão é a companheira menos dolorosa que me permito ter. Tomara que eu tenha tempo para acertar e que acertem comigo. Caso contrário azar o meu e vou ter merecido.

18.1.05

Obrigado

De alguns dias para cá tenho passado por decisões que afetam e afetarão minha vida de forma sensivelmente decisiva. Como se novidade fosse, poucas pessoas ou nenhuma daquelas que deveriam e teriam obrigação de faze-lo, perceberam. Pois bem, foda-se
Sim, to puto a ponto de mandar-me eu mesmo pra puta que pariu, mas prefiro deixar isso pra depois. Em momentos como este, minha já aguçada capacidade de observação aumenta e, proporcionalmente, meu senso critico e minha acides mórbida e voraz para julgar atitudes e defeitos alheios.
Não é a primeira, tampouco a última, em que esbarrarei em situações desta amplitude. Só que desta vez ta foda. Ta tudo acontecendo ao mesmo tempo e as oportunidades de melhorias brotam a cada certificação de piora e parece que o planeta resolveu tirar uma onda com minha lata.
Voltando do desabafo, vamos ao que interessa. Tem uma atitude filha da puta do caralho, que eu já detestava e que agora me dá nojo e repugnância. Acho que todos que fazem dela desculpa para torrar a paciência e o juízo dos outros deviam se fuder de verde e amarelo, só para deixarem de babaquice.
Que se tenha medo das coisas e que não se faça nada ou se faça a maior merda do mundo por pura apatia ou por impossibilidade técnica tudo bem. A pessoa tem medo, não consegue fazer e vai pro caralho, FODA-SE.
Agora, me vem o infeliz, dizendo que quer uma coisa e não faz por que é covarde, por que deve satisfação pro mundo e fica numa merda dos infernos, vivendo uma vida que não se quer porque fez pacto com o capeta, pra você só tem uma solução: V A I S E F U D E R filha de uma puta do caralho. Que você sofra no colo do capeta até sua alma sublimar na profundeza dos infernos que será sua consciência e seu presente, por ter sido ínfimo o suficiente pra ter certeza do que era melhor e fazer diferente e por puro masoquismo manter uma atitude, situação e vida de merda do caralho.

14.1.05

Amora, amor há

É isso aí, bom e velho. Como se eu não te conhecesse. Como se tudo que você faz fosse simples e não renascesse. Mas já não sou criança e na maioria das vezes, queria continuar a sê-la. Pra não doer, pra não saber, pra não temer.

Pois é, amigo velho. A gente cresce, tu apareces e nada mais me cabe. O espaço que tu demandas é sempre mais que o peito agüenta e dói entender que seu lugar é fora em outro alguém. É lá que você mora. Fino frágil, gostoso e visível como pé de amora

Amora
Amor que fora
Amor agora

Raiz que finca
Brotando desejos.
Brinca
E o sentimento brota
Suas frutas doces de caldo marcante
Levam a boca o sabor do que se persegue
E a cada mordida se sangra um suor querido
E sempre se rega a árvore naquela certeza do ser constante
Amores nascem, frutificam e vão
E é sempre certo
Que, invariavelmente
Amor há e como toda coisa de dois
O amor são

Substantivo masculino singular e por mais estranho e esquisito que se lhe pareça, errado é aquele que tenta, em qualquer forma, sua forma aprisionar.

Bruxinha

Difícil entender esta sensação que me impulsiona a cada comentário seu. Como se me inspirasse cada impressão sua sobre mim, sobre o que escrevo. Fonte de idéias o que você escreve e o quanto você se mostra. Realmente prazeroso invadir os domínios de seu recanto digital e quase poder sentir sua presença em palavras que traduzem claramente suas emoções.
Pela liberdade do seu blog não me sinto invasor, pois. Parece que fui convidado por sua vontade e pelo seu carinho que, pelo menos para mim, é límpido e rutilante como brilho de estrelas.
Sinto falta de suas palavras e com certeza o encanto que proporciono a você equivale ao que recebo.
Obrigado Bruxinha, por, no mínimo, acreditar e entender. E isto é muito!

Beijão

7.1.05

Angela

Algo diferente me acometeu nestes dias. Existe uma mulher agora em minha vida que me divide ao meio, fazendo-me sentir como se fosse eu uma criança inexperiente que acabou de aprender a andar. E por mais que ela me permita entrar, estou incompreensivo demais para dar-me o prazer de ser feliz, como se o sofrimento que eu carrego no peito fosse suficiente para suprir a carência que me assola.

Sim, estou falando de você e toda vez que me reflito em seus olhos me pego sangrando sem saber se lhe beijo a boca ou se lhe peço desculpas por ser tão estranho.

P.S: Concordo com você. O coração foi feito pra sentir e quando ele dói à cabeça não sabe o que fazer.

Perola

Jornadas rumo a lugar nenhum são norteadas por bússolas sem norte algum. Estou precisando urgentemente de uma bússola quebrada, pois mais que nunca, estou perdido, sem saber para onde ir.

Aceito ajuda.

4.1.05

Lei

Lascivo, corta a carne e penetra.
Lânguido, esgueira-se pelas arestas polidas do corpo e introduz-se
Luxurioso, toma-lhe pelas mãos sua cabeça e repousa o sexo em sua boca
Loucos, fecham os olhos para conter o prazer em corpos que já não se bastam
Livres, dão, como se fosse a única saída escolhida pelo desejo para entregar a carne a alguém

Externo como o pouco ar que se aspira neste momento
Esperto em mãos que fazem percorrer seu caminho inconhecido para destino certo
Espetaculares, os movimentos que desencadeiam sentimentos de prazer e chuva
Esvaziando pelo suor o peso confortável da presença do corpo desejado
Ejaculação sinestésica de pensamentos coisificados em corpos que se crescem em sexo

Incontrolável como o tato que de tão usado já confunde
Imensurável a ponto de transformar palavras em gemidos fortes
Inaudível para olhares mudos que só escutam o que se sente
Imaculados na arte de manchar com força e sangue um intento de carinho e paixão
Impossível de se conter na palavra que as três letras iniciais de cada estrofe são.



3.1.05

Sem título

Preciso de alguém que me ame
Que chame
Que sinta que queira
Que inflame
Preciso de alguém por quem eu clame

Quero um amor que me queira
Que se abra
Que se doe
Que se tenha
Quero uma mulher por inteira

Serei um amado a minha maneira
Que se entrega
Que se enxerga
Que se leva
Serei no amor pessoa derradeira

Que na brincadeira das palavras
Se me amoleçam as virtudes e
Como num ato da força
O amor vença e
Que no meio do silêncio seu idioma imenso
Não seja capaz de suprir amor, esse tão denso

31.12.04

Ano novo

Sinal de esperança. Que se renova e que se alcança. Pelos olhos, pelas mãos, pelo desejo e confiança. Nem sempre de rimas fáceis e ricas, mas sempre com uma intenção que se justifica. Às vezes por promessas. Por outras, por obrigações a algumas já feitas. Na maioria delas, apenas por puro acerto.
Dias são como horas que formam anos e tudo são momentos: de reflexão, inflexão, extroversão, introspecção: coração. Tem que haver desejo, vontade, sentimento. Da amizade fiel à paixão de verdade que tudo se lembre com saudade. Pena perceber que poucos notam que o ano que se foi e que na maioria das pessoas, o ano que se deixa para ser esquecido foi o ano que se desejou ser vivido há um igual período atrás
E agora tanto fez como tanto faz. Que neste próximo que se aproxima, que se possa dar voltas por cima e que se aprenda que passar por baixo também é maravilhoso.
Desejo a todos um ano de paz. Um ano diferente e melhor. E que eu saiba fazer das mesmas horas por dia, dias melhores pelo ano todo.
Com a certeza que muda a nomenclatura e que dentro da criatura que irá transpô-lo existe um desejo infindável de fazer com que sejam e de ser feliz.
Gostaria de abraçar a todos neste momento e de fazer sentir-me grato e feliz. Pelo que sou e pelo que me deixam ser.

Feliz sabido ano novo

29.12.04

Batismo

Religiões sempre discutiram as mortes em massa e sempre deram nomes diferentes para estas tragédias coletivas. Em umas chama-se karma, em outras, resgate e no fim, a idéia principal é a de que, particular ou coletivamente, as almas das pessoas ou seus espíritos, antes de encarnarem na condição de seres mortais, definiram que morreriam daquele modo. Uma forma de elevação pelo próprio sofrimento material.
Sendo coisas distintas, a alma ou essência e corpo, por que um tem que pagar pelo outro? E por que em todas as religiões só se chega à purificação ou perfeição através da dor, do erro e do sofrimento? Que cultura é essa de abstinência do prazer em troca de uma vida correta, bonita e feliz? Como se fosse sujo, errado e mal aprender pelo acerto e ter prazer nas e pelas coisas que nos tornam melhores perante nós e aos outros. Como se todo grande líder tivesse que ser no fim das contas, um coitado que só fez sofrer e que invariavelmente morre de forma trágica e dolorosa, desestimulando o seguimento de sua ideologia e tornando sua filosofia apavorante, pois o destino do séqüito será morrer assustadoramente. É o preço que se paga para obter a tão sonhada perfeição.
E as pessoas que morreram pelas águas das tsunami na Tailândia e adjacências queriam mesmo purificação pela dor? Já estavam no paraíso, curtindo suas merecidas férias. E os habitantes locais? Pagaram o preço por já terem nascido no paraíso? Quantas delas se conheciam? Quantas eram laicas ou religiosas? E os peixes e animais marinhos? Também faziam parte de uma seita animal pela busca da baleia Buda sagrada do reino abissal?
Não. Morreram pela força devastadora, incontestável e colossal da natureza. Quieta e tranqüila que num simples desabrochar, que por se espreguiçar apenas, pôs suas coisas no lugar e moveu o oceano, por seis mil quilômetros de extensão, assim, por extenso, para mostrar o tamanho de seu alcance. Nunca haverá escalas que meçam a natureza e infelizmente, seu rastro, desta vez, foi de pavor destruição e morte.
A natureza, das tsunamis, maremotos, terremotos, vulcões, tufões e tempestades não têm religião, não baixa cabeça para qualquer deus e se olharmos para nós mesmos veremos que ela é perfeita.
Lugares propensos a aparições da natureza deveriam ter planos de contenção de catástrofes naturais a serem seguidos à risca. Havaí, Japão, Itália Estados Unidos e outros países assolados por estes acontecimentos, deveriam preocupar-se menos com o destino político e religioso e aterem-se mais aos passos largos da natureza que são mais concretos que o destino e tão certos quanto a morte.

Paz na Terra. E que nós, seres humanos, aprendamos que simplesmente somos parte dela

13.12.04

Transitivo, Direto

Amar é simples Ser
Complexa ciência
Junção de e Ser Ciência
Essência.

Ciúme é trair
Mania de induzir
Erro em conjunto de trair e induzir
Traduzir.

E tudo que traduz o ciúme
Simplifica amar
E surge enfim o Verbo
Imperativo o conjugar

Faça-se sujeito
Ponha o predicado a funcionar
E o pequeno verbo, transitivo
Por seu objeto, direto
Fará sempre certo
Ao cuidar de quem amar.

8.12.04

Incomeçado

A sensação é de estar com o corpo mergulhado em sangue,
no próprio sangue. Que esquenta
Ferve
As bocas se chamam se querem . Beijam e se transportam.
Impelem.
Levam os corpos que se
Atraem, se servem
E tudo que não se precisa é mais um
Beijo
E o beijo é tudo
Os corpos vermelhos, mais que rubros pedem
Desejo
O corpo já não pensa
A euforia do sexo compensa
A sensação perplexa é intensa
A impossibilidade do lugar
E de Tempo, imensa
Outro beijo e haja
Paciência
Corpos dormentes de querência,
Não conhecem obediência

Federal

Sou suspeito para falar, mas a polícia federal vem fazendo um trabalho excelente. Não se noticia outra coisa nas primeiras páginas dos grandes jornais. Prisões de figuras políticas, delegados, juizes, agentes federais da própria instituição e quem estiver na rota das operações. Divulga-se nome e até as conexões destas incursões que prendem pessoas por todo o território nacional.
Espero que a PF chegue até os figurões do contrabando de armas. Não me sai da cabeça que alguns daqueles que deveriam barrar a entrada de armas de fogo de uso exclusivo das forças armadas, fazem justo o contrário, abrindo as pernas e fazendo destas campanhas para a destruição e desarmamento mera cortina para desviar as atenções de fronteiras e aeroportos.
Se não me engano é o comando do exercito e não o SINARM quem fiscaliza a entrada, saída e permanência deste tipo de armas e munições no país. Acho que deu pra entender o recado, né?
Parabéns para Policia Federal, que para mim, é um exemplo a ser seguido. Concursos públicos de nível superior com alto grau de dificuldade, teste psicológico, exames médicos completos, inclusive teste para maconha, anfetaminas e cocaína, teste físico puxado, três meses de academia e por lei, 24 meses de estagio probatório e estabilidade só aos três anos de efetivo exercício da função publica. Tempo suficiente para o puto aprender que agir corretamente é o mais correto a se fazer.
No próximo concurso vou tentar de novo, e vou passar. Já estou estudando.

P.S: Aumentou o número de vagas públicas em concursos para 2005. A PF prendeu tanta gente que as promoções não suprem a vacância. E que a seriedade e tranparencia da Federal seja habitual, solida e definitiva.

7.12.04

Estrelas

No começo elas nem se olhavam, não se conheciam nem sentiam realmente a presença uma da outra no lugar comum que partilhavam. Estavam ali todos os dias e simplesmente ignoravam a beleza uma da outra. Tinham brilho próprio e intenso e todos que as admiravam ao longe, de longe, não podiam realmente distinguir sua beleza e luz. Elas mesmas não faziam outra coisa a não ser viverem suas próprias vidas, adorando seu próprio brilho.
A luz do dia não proporcionava o espetáculo. Neste período é o sol que ilumina e toma conta de todos os olhares, chamando para si, com exclusividade, a atenção de todos. Mas tanto brilho pode ter efeito contrario ao desejado. Não há quem adore ao sol mais que a si mesmo, pois contempla-lo por muito tempo não é tarefa possível para qualquer ser humano. Tanta beleza ofusca e seu brilho acaba por ser perigoso.
À noite não! A noite é democrática por excelência. Linda realmente. Nada é concentrado ou único. Não existe, aparentemente pelo menos, um ente entre os demais que esteja lá, sozinho e destacado. Existe brilho por todo o céu. Para onde se olha se vê um ponto iluminado, uma estrela a brilhar de forma exclusiva e maravilhosa.
Eis que numa destas infinitas noites o que podia ser impossível ou, quase em todo, improvável, deu o ar de sua graça: duas estrelas, igualmente brilhantes saíram de seu estado de amor próprio e enxergaram a outra logo à frente. Duas estrelas lindas que agora se encontravam completamente apaixonadas. Passaram a dar valor ao restante da constelação ao redor e percebiam, agora, que o mundo podia ser mais que uma noite apenas e que uma noite apenas era tudo que elas queriam que o mundo realmente fosse.
As estrelas começaram a se conhecer melhor. Pulsavam alegremente, queriam realmente que a outra a quem adoravam percebesse a diferença de seu brilho entre as demais, naquelas noites de céu estrelado. E mesmo quando tudo estava nublado ou uma nuvem teimosa impedia que elas se vissem, era sabido que estavam pensando uma na outra, que estavam se querendo e que cada amanhecer, apesar de finalizar mais uma noite, traria de volta a esperança de mudar tudo na noite seguinte.
As apaixonadas de brilho intenso, se viam num dilema triste e ao mesmo tempo estimulante: elas tinham tudo para ser os astros mais felizes do universo, mas sua condição de estrela, naturalmente as impossibilitava de estarem uma com a outra. Nem todo brilho, nem toda beleza, nem mesmo a capacidade de estar longe de qualquer perigo ou dor supria a falta que o outro fazia. Estavam sempre ali, próximas, ao alcance dos olhos, entretanto não podiam tocar-se, era impossível sentirem o calor uma da outra a possibilidade de um dia estarem juntas poderia fazer o céu ruir e tudo se perderia por uma noite.
Tudo o que?-pensou uma delas - Que mais faço eu na minha existência de bilhões de anos senão brilhar como todas as outras, para que me contemplem? E justo agora que há um motivo para se viver o mais certo que se tem a fazer é poder morrer por esta felicidade.
E as almas gêmeas bolaram um plano que só podia dar certo. Juraram para si mesmas que iam fazer de tudo para estarem juntas o mais cedo possível apenas e justamente as duas já que não há motivo para estarem separadas mesmo que tenham entre si uma impossibilidade universal.
E naquela noite a lua parecia estar mais linda que nunca. Enorme, tomando conta do céu, exatamente como elas queriam, pois era preciso não chamar muita atenção para aquilo que elas estavam prestes a fazer e que podia ter conseqüências catastróficas. Eis que as duas estrelas apaixonadas começaram a brilhar e emitir energia como nunca. Os mares em reverencia a força daquele sentimento pareciam criar as maiores ondas já vistas, como se quisessem mostrar que mesmo ele, preso em sua própria imensidão era capaz de fazer todo aquele movimento. Uma brisa leve e constante tomou conta do ar e a paixão daquelas estrelas fez com que elas mudassem de cor. Elas vibravam tanto de vontade que já estavam avermelhadas e era impossível não perceber todo o processo que se iniciava no céu.
A lua, companheira de sempre, deve ter percebido a intenção das duas sapecas e dispos-se a brilhar magnificamente e pode mostrar o caminho mais curto entre as duas. Estava tudo pronto e elas começaram o trajeto que com certeza daria certo.
Começaram a chamar uma pela outra, mirando toda sua luz para onde queriam e desprenderam-se de seus lugares, pré-definidos, e rumaram em direção do seu único e derradeiro encontro. A velocidade era inimaginável e a força daquele momento mudou o céu por completo. Não havia nada mais além daquele movimento em direção a felicidade completa, nada os impediria agora e o maior sonho deles estava se realizando naquele momento.
Sempre achamos que estrelas cadentes se movimentam para realizar nossos desejos, mas nos enganamos muito com elas. Elas se movimento rasgando os céus para se encontrarem e se amarem, pois a externalidade, muda e estática, é uma prisão inconcebível para amores, que não podem ser contidos. Estrelas cadentes desafiam o impossível por apenas um instante, o instante em que seu amor é possível e este segundo de liberdade vale mais que qualquer tempo na eternidade.
Nossas estrelas se encontraram e a explosão que elas ocasionaram foi mais forte que qualquer luz do dia pode ser e, neste momento, todo o céu se rendeu à força de um amor que mesmo contra toda a história dos tempos fez o necessário para se manter vivo.
Estes brincos são uma lembrança apenas e um exemplo de nossa história como a história das estrelas. Aparentemente eles nunca se encontram, pois só os vemos separados, um em cada orelha, mas poucos percebem seu momento posterior quando saem delas, ou o anterior, que a pouco você realizou, quando os colocou em suas mãos para abrir esta carta e poder lê-la. Se quisermos, eles podem sim, permanecer juntos
Suas mãos são um mundo e você querendo, eu estarei nelas, como já estou.

Adoro você do verbo! Muita coisa.


P.S: Esta carta foi dada junto com um par de brincos em formato de estrelas. Esta pessoa desafia o conceito de Impossível. É uma pena sermos um casal perfeito na existência errada. A falta de coragem injustifica o medo e faz dele uma desculpa para a infelicidade completa.

2.12.04

Informação

Já estamos no segundo mes de blog. Isso é que é progresso e resistencia. Parabéns pra nós mesmos e obrigado bruxinha, por ter sido a única pessoa a nos visitar. Um beijo.

Eu até fiz minha inscrição no site metter, mas como manjo porra nenhuma de HTML e to sem tempo para aprender, não sei nem se alguém além de mim acessa o blog.

Fabiana

Ela estava ali diante dos olhos. Com certeza a mulher mais bonita que vi este ano até hoje. Uma combinação fulminante de olhos azuis super-expressivos, cabelos negros, pele branca, voz grave e suave e de uma beleza realmente impressionante.
Fiquei boquiaberto como há muito não ficava. Acho que trocamos dois olhares. Um mais rápido quando ela falava com um amigo meu que estava conversando comigo e outro. Este mais direto, mirado, direcionado. Dei sorte de descer justo quando ela se preparava para ir embora e fitamo-nos mais uma vez, ainda achando eu que com a mesma intenção.
Baseado nesta intenção, pela primeira vez na vida tive a coragem de pegar seu telefone num cadastro e ligar pra ela. Queria passar a cantada mais fulminante que houvesse, mas só consegui em meio ao meu nervosismo, ser o mais sincero possível:

_Você é linda. Realmente muito bonita!
_Muito obrigada! Disse ela entre a surpresa e a falta de entendimento.
_Só isso!
_Tudo bem.Obrigada.

Sou um idiota, mais talvez ligue para a dona dos olhos azuis amanhã, me desculpando por ter sido tão inconveniente, ou não?

Saberei amanhã.