10.6.05

Saindo

Dispa-se
Deixe esta pano escorregar por sua presença
Tire esta roupa íntima
Revele toda sua intimidade

Vista-se desta água quente que expõe seu corpo

O vapor faz seu olhar rutilar
Adoro a leveza sublime de sua silhueta única
Perfeição de curvas retas
Sempre o menor caminho

Entre meu desejo e toda sua carne

Seus poros abertos, sensíveis, visíveis
Cabelo e rosto molhados, ilhados
Sensualidade arrebatadora e calma
Meus olhos vidrados

Seu ser cercado do meu por todos os lados

Mão percorre próprio corpo
Seguindo um rito perfeito
Espalhando seu colorido pleno
Por seios, coxas e umbigo

Tanto carinho denota o perigo

A alvura do algodão acolhedor
Enxugará a pureza do banho
Mas não levará nada de sua beleza
Esfoliará sua pele apenas

Impregnando o ar com todo seu perfume

Que se espalha por minha cabeça
Toma conta de meus pensamentos
Transformando a realidade simples do ato
Numa implicância incessante

Quase um mal-trato

A nudez é seu melhor traje
Por saber disso instiga, fustiga
Antes de cair, a toalha sortuda se agarra
Livre de qualquer amarra

Nua em pelo de novo

Um dos pés sobre a cama
O dorso elevado
Janela ao fundo aberta
E a lua cheia é nada

Comparada a sua capacidade de ser bela

Desimporta a roupa que porá
Mas sabe que fica linda de preto
Realça seus olhos marcados
A vida em festa que vive em você

Intensifica o brilho da sua pele lisa

Os adornos são realmente bonitos
Tentam em vão executar missão ingrata
Vai ser impossível
Desviar a atenção do conjunto majestoso

Fica irresistível somente de sandálias e brincos

Usa uma sombra leve
Lápis para avisar
Que é melhor não se descuidar muito
Há fogo neste lugar

Ofego por me queimar

Como se não bastasse
Quase como uma louca
Tira o brilho da bolsa
Espalha por toda a boca

Amanheça meus lábios noturnos com esta luz

Sabe que já não agüento mais esperar
Em frente ao espelho
Um dedo indica
Que devo me aproximar

Mestra na arte de desconcertar

O toque conhecido é sempre surpreendente
O cheiro, quase infame, contundente
O pescoço forte, firme, aparente
Vontade imensa de fincar meus dentes

Quando sou invadido por um olhar

Tudo o que sente é meu
Nada do que vê é seu lugar
Aquilo que ninguém pode possuir
É justo o que quero lha dar

Vestindo para se desnudar

Um abraço por trás carinhoso
Momento tranqüilo, gostoso
Suspiramos felizes, leves no ar
Já não falta nada, está tudo pronto

Daqui não podemos voltar

Fecho todas as portas
Apago as luzes do quarto
Deixo o silencio entrar
Pego as chaves do carro

Aonde vamos jantar?

8.6.05

Uivantes

Fala brincando como se fosse possível
Tarefa que se dá a crianças para executar
Coisa que se resolve num piscar de olhos
Num balançar de folhas com o vento

O que nos une é maior, exige cuidado

Muitos querem ter e não conseguem
Fazem força, simulam, intitulam: inferem
Mas estão longe de sentir
Fazem apenas iludir e mentir

Sinto você como se fosse perto

Desconheço as linhas que nos dividem
As peças que nos desmontam
Histórias que não nos contam
Limites que não me limito ter

Nada faz existir o distante

Quero sempre mais
Por desejar querer, tentar
Um tom vermelho sangue
Que nos faz viver, chamar: pulsar

Sequer cogite esquecimentos

Faço palavras para sua capacidade de ler
Juntando em frases pro seu tino de entender
Construo imagens no seu apreender
Para que me prenda junto a você

Nas entrelinhas, que me carregue, me enxergue: descubra

Inunde, veleje, navegue
Com seu desejo, nos dentes cerrados; me pegue
Sendo bom, convide e me leve
Serei querido, contido e entregue

Sua vontade não há quem negue

Além do que eu possa representar
Dos sentimentos que venha a despertar
Prende-me seu apego, seu pacífico desassossego
Suas palavras braços destronando medos

Seu jeito completamente conquistador

Segurança no que acredita
Crença no que faz
Uma força que extrapola meios
Destes cantos digitais

Esta vontade enorme de concertar o mundo

Acabou me acertando
Foi entrando e me levando
Se entregando e me roubando
Brincando eu fui amando

Sem pedir eu fui ficando

Fui acolhido, observado: escolhido
Felicidade lhe falar e ser ouvido
Por isso não chore saudade
Pense em mim e esteja comigo

Impossível ter te esquecido

Muitas vezes quero estar a seu lado
Vontade de um abraço
Sentir de verdade estar perto
Unido como um laço

Distancia concreta e real

Compenso escolhendo minhas melhores falas
Para encontrá-la, poder dá-las
Como se através delas você me sentisse
Fazendo com que eu existisse

Sua aparição revela o acerto

Desejo um dia ficar bem perto
Sob a mesma chuva
Debaixo do mesmo teto
Ao alcance instantâneo

Do enorme e verdadeiro afeto

6.6.05

Menos Fácil

Se fizéssemos pelo que dizem
Pararíamos antes de começar
É tudo tão aterrador
Quando não sabem o que queremos

Farei sempre, por toda minha vida

Independente de adivinhar se melhora ou piora
Se rápido ou se demora
Faça com intuito de conseguir
Junta a força a vá embora

Saiba quando chegar a hora

Escutaremos várias verdades pelo trajeto
Muitos estarão errados, outros serão certos
Haverá dias duros e noites sem nenhum teto
Mantenhamos a esperança e todo resto

Pessoas nunca são objetos

Difícil descoisificar alguns que nos cercam
Complicado não retribuir a altura
Opte pela simplicidade complexa
De sabermos ser melhores ao lidar com piores

Não adianta doutrinar bestas feras com violência

Este é o linguajar delas
Devemos demonstrar segurança e poder
Mas é preciso ser gentil
Agir com extrema inteligência

Queremos que elas aprendam

Contrário de mostrar que sabemos ser menores
Que conseguimos maltratar
É fácil fazer errado, diminuir
O resultado é imediato

Crescer é lento, demorado, e só se percebe com o tempo

Tomaremos mordidas certamente
Será doloroso
Quereremos parar com tudo e desacreditar
Que não fomos capazes de domar aquele bicho revolto

Sem atenção miraremos errado mais uma vez

Ele é mesmo difícil, relutante, replicante
Chega a ser bruto, pontiagudo e ignorante
Capaz de destruir no intervalo de um instante
Ignorância parece nunca ser bastante

Aspiremos o bem-querer

Por sua vida, quando discordar de alguém
Ou do próprio mundo
Seja inteligente, delicado e sutil
Lembre como a beleza aproxima o desconhecido

Sorria ao estranho com sinceridade e paixão

Com amor pela vida, pelo outro
Que ser motivo de reconhecimento e aconchego
Seja um fato corriqueiro
Atitude de uma alma em desapego

Consigamos ser amáveis até para discordar

Que acordemos para o significado das palavras
Sem brigas, sem turras, sem pedras
Sem picardias, ardis e emboscadas
Façamos o possível para sermos supremos

Porém, que não subjuguemos

Que não sejamos retrógrados
Não aprisionando para libertar
Sem guerras para pacificar
Sem cruzes para exemplificar

Sem ódio para justificar o amar

3.6.05

Sinestesia

Nem sei se eu mesmo entendo
Sei que sinto as coisas do mundo
Batendo em minhas palavras
Que saem com firmeza aterradora

Sei exatamente do que não estou falando

Os arrepios quentes descem pelo couro
Fazendo ouro das minhas extremidades em decimal
Estes dedos frágeis que tentam captar
Idéias ágeis que confundem minhas clarezas

Arrumo tudo em grupos de cinco linhas

A ordem dos acontecimentos
Deriva daquilo que absorvo ao meu redor
Por vezes me falta um langanho de escrita qualquer
Na maioria das vezes sobra a escassez do grafite

As rimas que fogem parecem mais belas que as ficantes

Quase prepotente invento palavras
Verbifico substantivos
Dou alma a coisas mortas
Enxergo vida na tristeza infinita de rompimentos errantes

Sensibilizo um pós no que era apenas antes

Este próprio, do que fala, não sei dizer
Fruto de um comentário carinhoso que pude ler
Não tenho a resposta que deveria
Dou-me a todos por minhas letras

Sou aqui descrito ao escrever

Se toco a muitos é porque fui tocado
Retribuo cada afeto, cada gesto, cada teto
Esforço-me para olhar no silêncio dos que apenas passam
O que faltou para que eles parassem

Comentando o que sentiram

Mas faço de forma igual
Por muitas leio com pleno respeito
Admiro, paro, reflito e respiro
Tomado por emoção contida sequer sugiro

Apenas adoro pois nelas creio

A invisibilidade das tormentas criadas
Esquentam minha cara calma
Rebatem em minhas dúvidas claras
Sacudindo uma estrutura maleável

Recebo cada idéia como um presente

Sou feliz por perceber
Que duvido de minha própria escrita
Achando que poderia ser refeito
Algo que para alguém foi perfeito

Acreditar que há outro jeito

Porem, em todas as minhas linhas
Há um desejo que sei de cor
Espero que todos queiram
Fazendo de si, seu mundo

Lugar feliz de tempo habitável e a cada dia um lugar melhor

1.6.05

Cego de Visão

A magreza consumia-lhe, faminta
Como se quisesse roubar seus ossos
Pois já não havia carne alguma
Só o esboço, um croqui, bisonho, em pelancas

Não havia traço do que poderia ter sido

Desconhecido o motivo da derrocada
Incerto também se existe crise
Naquela visão triste
Vida esvaindo e morte em riste

Expondo a todos aquele espetáculo

Sem saúde, sem beleza, sem virtude
Entregou-se a pista perigosa
Procurou paz num carro apressado qualquer
Queria privar os expectadores da aterradora visão

Mas há cegos pelo caminho

Que têm o sentir como profissão
Enxergam além dos puros olhares
Mergulham na feiúra volátil das estampas
Respirando a beleza esquecida em farrapos de vida

Aspiram o bem de quem já não o tem

Seria mais uma vítima do excesso de azar
Mais uma culpada pela fraqueza da sorte
Há existências dignas de pena
Reais merecedoras da morte

Trabalham os cegos

Repletos de autoridade imobilizam a via mortal
Chegam reforços na viatura flamejante
Munidos da parafernália necessária
Que cessará o tumulto causado

O silêncio toma conta do lugar

Saem os cegos com seus escudos de espelho
Abrem um clarão em volta daquele arremedo de vida
Que desanimado se entrega ao conforto áspero do chão
Suplicante por um fim indolor, eficaz e voraz

O circulo de reflexos mostra opções

Variadas, boas e perturbadoras
Umas infinitamente piores que o agora
Algumas melhores que os mais lindos sonhos
Um único espaço vazio e a via vazia ao longe

Nossa amiga abatida resolve levantar

Descobriu que ainda havia força para mais alguns passos
Que se quisesse conseguiria andar
Desdenhou dos infortúnios e glórias das imagens
Resolveu caminhar

Descobriu que sabia enxergar

Cambaleante e feliz dava passos fracos
Imponentes, comoventes: decentes
Sustentava sua fraqueza com a devida austeridade
Pedia ajuda como quem reconhece o valor

De querer ser ajudado

Daquele instante em diante
Uma vida nova desestagnava
O corpo esvaziado do ontem
Deu lugar as chances do presente difícil

O futuro continua incerto e inseguro

Porém existe
O póstumo se posta de pé e caminha
Ali jaz um defunto que vive
Promessa absoluta da vontade de ser feliz

Nem todos acordam vivos quando abrem os olhos

Somos mortos se não fazemos por nós
Egoístas, mesquinhos e pobres se sós
Infelizes aqueles que não entendem
A verdade absurda do sorriso intacto das crianças

Que amam na mais completa cegueira

Escolhem pelo instinto
Pelo cheiro, carinho e confiança
Mirabolantes, entregam-se ao colo santo
Que lhes reconforta e traz esperança

Desconcertantemente são

Que seu destino refletido em nós
Seja tão maravilhoso quanto seu passado inteiro
Pois elas sabem amar a todos
Com sentimento simples, verdadeiro

Sem espaços para reflexão

Mire-se nos olhos do dito sadio
Como se este fosse fisicamente incapaz
Encontre nele a opacidade branca pacificadora
Que não lhe reflete jamais

Sem sua imagem pronta é você quem se faz



P.S: Gostaria de explicar o motivo e o porquê deste texto. Hoje, ao sair para trabalhar, normalmente, o transito ruim de costume estava pior. Uma viatura do corpo de bombeiros estava resgatando uma cadela. Magra, mal tratada, talvez vadia e sem dono, mas uma vida. Assustada, tinha os quantos baixos, rabo entre as pernas e aquele olhar de: me ajude por favor. Foi o que ocorreu. Os bombeiros pararam o transito, liberaram o caminho e puseram-na em segurança, sem puxá-la ou forçá-la em momento algum.
Já vi bicho gente em situação igual ou pior e felizmente existem bombeiros de vida por aí, esperando por um chamado. É bom perceber que certas pessoas entram no fogo literalmente por semelhantes que sequer conhecem e em certas situações que estes mesmos são capazes de arriscar a própria vida para salvar a daqueles que talvez nem as tenham mais.
Que tenhamos a decência de sabermos quando pedir ajuda. E mais importante, que quando formos ajudar, que façamos de coração, sem esperar gratidão, sem estarmos motivados pela aparência ou conhecimento sobre aquele que receberá nossa ajuda. Que antes de começarmos a fazer qualquer coisa em nossas vidas, saibamos que estamos fazendo por simplesmente querermos fazer. Obrigado e desculpem qualquer maluquice. Beijos

30.5.05

Sem asas

Venho de mais um início
Eles sempre acabam assim
Despenhadeiros silenciosos
A voz sempre berra na minha vontade

Vou pular, irremediavelmente

Procuro por estes saltos sempre
Como de costume sento no seu ponto crítico
Apesar de conhecer tudo que deixei pra trás
Contemplo este novo passado recém concluído

Acenando com gestos de presente

Consegui tanta coisa nele
Que me parece tentador
As chamas de conquistas conscientes
Aquecem meu orgulho que perece querer calmaria

Levanto humilde: respiro fundo

Deixo meu último sopro no ar
Meu âmago num derradeiro suspiro
Sorrio por dentro e aprazo-me
Deliciosa esta sensação do vazio que se preenche

O futuro do meu presente está liberto novamente

Um vento infame sibila a meus ouvidos
Pedidos de estagnação serpenteando
Sinto pena dele
Sequer imagina aonde quero chegar

Suicídio seria parar repentino, imotivadamente

Puro movimento
Falta de contentamento
Inconfundível com tristeza
Certeza que conseguirei sempre

Calculo o tempo da queda livre em lembranças

Terei do ontem sinceros sorrisos
Contundentes cicatrizes pela alma
Invisíveis aos meus amigos
Indizíveis aos que apenas criticam

Perdemos quando nossa fala nos ensurdece

Queremos tanto ser voz
Acabamos por nos mudificar
Deveríamos ser audíveis
Mas apenas vemos com nossos ouvidos tortos

Oásis pérfidos, perdidos e amorfos

Meus olhos não servirão de nada agora
Fecho-os, e meu coração se expande
Minha pele sente cada alteração da temperatura
O calor da coragem invade

Sei que vou precisar de força

Posicionamento é essencial
Devemos saber como e onde cair
Quando queda e dor são inevitáveis
Quando crescer é incontrolável

De pé, pois precisarei da cabeça intacta

Pulo completamente feliz
Cobiço a mim mesmo plenamente
Aprendi que é importantíssimo perceber
Quando conseguimos o que queríamos

Não quero sonhos quando estou acordado

É tempo de fazer sempre
Salto revitalizantemente sublime
Certamente terei pernas tremulas no final
Este recomeço é ulteriormente distante

Tudo envereda saber e busca

Membros inferiores completamente impedidos
Impossibilitado de andar devido ao choque
Queda livre alucinante
Sem um desquerido pára-quedas

O momento limitador

Podemos deixar que o passado apressado nos consuma
Como um alento para a dor do atual desconhecido
Tornando impróprio tamanho desprendimento
Desperdiçando o fortalecimento forjado nos idos

Miro meu sol ao longe e limito meu próximo passo

Pensamentos no lugar me dão asas
Voarei até poder caminhar
Fase adequada dos sonhos
Hora para refletir e pensar

Descanso merecido para quem se comprometeu marchar

Reconfortado pelo sono rápido
Levanto palpitando expectativas
Ainda dói em muitos cantos
Mas o sangue que escorre sinaliza a dádiva

Estou vivo e posso continuar a vida

Com passos firmes, pés calçados de experiência
Bússola imantada de instinto
Apontando mais uma vitória
Por mais que ela gire e dance em espirais de fogo

Contemplarei cada mudança de seu ritmo incerto

Nunca fujo dos demônios que se apresentam
Uma vez no inferno
Peça ao diabo para assinar
Faça um trato com ele

Serão um do outro até a música parar

Referencias aos limites
Devemos saber impô-los
A nós mesmos
Para que não andemos indefinidamente

As músicas sempre acabam

Como finda o tempo de chorar
Hoje, visto o traje da felicidade
Com botões reluzentes
Relógio de horas contentes

Vontade enorme de vê-las passar

Cada ínfima escolha de nossas vidas
Nos leva a seguir ou parar
Depende do que realmente queremos
Do como e onde queremos ficar

Nem comece se desconhece onde vai terminar

Quero os desafios da vida
Os prazeres da carne
Os desejos da alma
Qualquer pressa e toda calma

O amor, que sempre mata, renasce e salva

24.5.05

Transparencias

Sua carne
Quero mais dela, mais nela
Ser meu tempo que não acaba em você
Mas que no seu ser se encerra

Quando entra, finca e fecunda; terra

Suar sobre sua fertilidade dada
Pronta como as nuvens que proporcionam chuva
Seus planaltos, planícies, depressões e lagoas
Pois seu liquido é levemente salgado

Temperado com o cheiro do desejo derramado nele

Não te vejo coisa
Sinto-lhe gente
Fervente, ardendo, ardente
Inteiramente febril

De interior alucinantemente quente

Que me queima e não adoece
Que me maltrata e não me padece
Por me deixar de boca seca me entorpece
Que da prazer e o merece

Possua toda minha capacidade de satisfazê-la

Deixe minha língua pintar você
Transparente
Para não lhe perder
Saber cada nuance de sua pele

Beijar cada pinta linda que se espalha por seu corpo

Arraste sua cor por minha vermelhidão sacana
Entenda meu falo
Quando falo
Pelo intenso de seu interior

Onde me calo

Que você absorva minha mudez grunhida
Dando voz as genitálias vivas
A minha, a sua: unidas
Falando amor de forma transcendente

O inexplicável só se sente

Imprima seu desejo em mim com força
Deixe seu rastro presente, forte, pertinente
Qu’eu encontro o caminho
Penetrando seus portões de frente

Implicou, agora agüente

Largue-se e solte esta vontade
Crave as unhas, me abre as costas; invade
Solte esta garganta e liberte esta alma em gozo
Antes que eu arranque este orgasmo com a língua

Mas para que pressa se podemos esperar, ainda

Você de pé
Mãos na parede, espalmadas
Pernas lisas, coxas firmes, bunda empinada
Quase malvada merecia palmadas

Maravilhosa quando fica vermelha

Recosto minha testa sobre sua nuca arrepiada
Uma palavra implicante
Sua respiração profunda
Você completamente maluca

Leva meu corpo pra dentro do seu, ofegante, delirante

Dança nova
A musica de hoje fui eu que compus
O traje desimporta
Pois dançaremos completos e inteiramente nus

Irrepreensível as formas que toco e as que vejo no espelho

Alucinante perceber nós dois
Quando somos um só
Meu corpo dentro do seu
O seu guardando o meu

Consumiremos o desejo de antes durante o depois

Momento de plena degustação
Quero seu hálito, seu dedo do pé, suas mãos
Levo seu corpo a boca
Imitando as suas em forma de vão

Espaços onde me enfio: me perco, me acho

Você fêmea; eu macho
Além de todo instinto um fato:
Sempre há o carinho no rosto, o abraço
Escorrego suado nos seios, me encaixo

Olhos abertos, beijo na boca, meu peso em você

Refletidos nos olhos do outro
Percebemos o momento quase cruel
No ápice do calor infernal
Chegamos juntos ao céu

Unindo seu verniz reluzente ao meu branco pastel

23.5.05

Juntos

Tinha certeza que você podia esperar
Que pararia sua vida se fosse preciso
Mesmo sabendo que não tinha a menor noção do quando
Faria o impossível por apenas um momento

Um segundo que lhe reservasse a felicidade plena

Mas o respeito por sua vontade
É maior que minha eficácia em ser egoísta
Jamais me permitiria usar sua esperança
Como desculpa para minha covardia

Desperto do sono cômodo, como um cavalo recém parido

Dou coices a esmo no vento
Tentando acertar o tempo perdido
Ponho me de pé
Pois é preciso correr muito

Estive séssil por demais

Tenho um mundo adverso para dobrar
Cada aresta, cada farpa
Tocarei todas
Minha carne ficará pelo caminho

Seriei mais forte em cada gota derramada

Este sangue tem destino certo
Renovação dolorosa
Que trará um fruto vermelho e vivo
Nosso amor em carne e sentimento

Tudo que meus sonhos quiseram de nós

Guinar-se-ão pelo ímpeto de conquista
Ganhar você dia a dia
Pelo prazer de lhe ser prazer
Pelo fato de proporcionar tudo que você quereria ter

Adivinhando seus objetivos intraçados

Matéria prima de sua construção
Liquidez de sua água
Para que eu não passe despercebido
Como o oxigênio que você respira

Invisível e indispensável

Quero que me perceba
Que eu lhe falte
Que me tenha
Que me coma e que me beba

Tangibilidade sutil e devastadora

Mais que necessidade; uma indispensabilidade
Não quero ser bom; serei o seu melhor
Longe é estar ao lado; permanecerei dentro
Jamais ser ausência; por vezes, estar saudade

Trocar o triste tenho que ir embora, por um feliz já volto

Sua vontade equivalente fez-me perceber
Que há possibilidade no incabível de ontem
Fazendo maior uma força antes enorme
Nada fará com que eu desista

Melhor ainda saber que não desistiremos

Obrigado por parar de fugir de si mesma
Por ter percebido o que é o amor
Descobrir a diferença entre paciência e conformismo
E tornar dois pronomes num ambíguo duplo solitário

Por ter feito de eu e você, um só nós dois

19.5.05

Externa

Calço pedras nos pés
Já não me faço estradas como antes
Caminhos fáceis são quedas d’água
Quero algo duro como minha alma

Incontavelmente derrotada

Ainda assim impenetrável
Auspiciosamente delirante e intrépida
Dada, como prostitutas pela estrada
Cobrando pouco ou quase nada

Quer apenas ser usada, vista, tripudiada, fagocitada

Chega de desvios e descansos
Resguardar um ideal incauto, incredulável
Desperdício temporal irremediável
Sem retorno ou regresso de lugar nenhum

Ignorância esta eterna vigilância mórbida

Como quem guarda defuntos com a própria vida
Tanto valor para uma lacuna da natureza
Zelo por um nada em completude
Desrespeito pela própria juventude

Clame-se por uma introspecção humilde

Recolha seus pedaços de gente
Monte cada coisa em seu devido lugar
Apresente uma mão à outra
Diga a seus ouvidos que quem fala é a garganta

Prove a seu coração que quem manda é a cabeça

Pense na sua vida
Suas coisas, seus desejos
Seu passado é um presente
Ou seu futuro já é passado?

Ama-te como faz com o próximo

Que pode estar longe
Inalcançável, impalpável
Mesmo assim, de querer indevasso e intransferível
Visão paradisíaca dum inferno chamado perfeição

Acima de tudo somos o que nos resta

Tudo que temos
Que queremos
Quando não houver mais ninguém
Nem mesmo tempo

Seremos sós; nós com nós mesmos

Então se goste
Prove seu sabor e delicie-se
Consuma íntimo desejo e satisfaça-se
Seja alvo de sua vontade

Descubra que não é verdade

Que sozinho é justo como está
Pior, é tudo que, por desventurança, é
Tem tudo e tudo lhe falta
Um vazio aterrador que lhe enterra vivo, amargo

Nos falta o outro

Nosso amor
Nosso par
Que quando temos traz ar
Quando falta faz suspirar

Falta alma: um alguém para amar

16.5.05

Increscido

Um dia fui criança
Agia por puro instinto
Sabia por apenas ver
Quem poderia verter carinho

Dom de quem se sabe sensível

Uma entrega mortal
Que faz vida em cada ser a minha volta
Minha fragilidade certeira
Densa como um pilar ainda em construção

Imaginação é lugar indestrutível

O mundo acerca, nos cerca
Começamos a aprender o que devíamos desconhecer:
Selecionar pessoas
Nossa visão de nós mesmos define os outros

Procuramos nosso eu em cada um que se aproxima

O que nos vem é repulsa
Trabalho duro este de separar vidas
Com braços curtos e dedos frágeis
Quando seria bem melhor abraçar a todos

Convulsionarmo-nos em uma hiper dose de sentir

Apreender o outro
Olhar direto em seus olhos
Mirar-lhe a alma
Absorver sua imensurável verdade

Acreditar que amar é mais que toda esta armadura

Armada para privação
Deixar de sofrer um ato não vivido
É entristecer uma alegria incomeçada
Por simplesmente não ter deixado acontecer

Começamos a andar justo quando devíamos apenas engatinhar

Pra que alguém nos olhasse
Pegando com carinho e alento ao colo
Aquela criatura que se esforça para ser forte
Esticando a coluna para postar-se de pé

Nesta posição o coração fica exposto

Agora os braços fortes
Protegem dos perigos físicos
Pois querer sentir outro alguém
Não é palpável; é louvável

Entrega feita sem protetorados

Houve um tempo em que era fácil
Enganar que sabia o amor
Flexibilizava meus desejos
Niilista aos apelos do outro

Distanciava quem mais queria próximo

Adultifiquei-me e deixei de sentir o externo
Vesgo pela contemplação de mim mesmo
Fui ficando torto, absorto
Um ser vivo quase morto

Quando tive a decência de chorar

Deitei no chão sujo e disforme da minha onipresença
Ralei meu corpo no encosto bêbado de minhas crenças falsas
Degolei meus pés que invertidos
Explodiam em dor uma cabeça repleta de agonias vis

De joelhos voltei a ser criança

Olhando aqueles olhos enxerguei esperança
Pedi seu colo e conquistei lembrança
No tocar de pele o encontro reconfortante
No alisar do rosto, minha vida: um instante

Percebi que me dar era tudo que queria

Ininteligível esta obsessão
De querer apenas felicidade
Quando a dor nem sempre é o sofrimento
As vezes, indispensável, à adiantada e irremediável vitória

Ganho meu ser a cada dia

Tem dias que sofro e agradeço
Em outros estou alegre e cresço
Através das horas aprendo e mereço
Em sua vida sou eu mesmo e reconheço

Ser sua criança é amar e não tem preço

13.5.05

Simples

As músicas tocam iguais
Delicadamente diferenciadas
Pelo meu pensamento que viaja
Percorrendo cada lembrança sua

Fim de estrada maravilhoso

Seus olhos que abrem suas portas
Sua boca que sopra brisa em meu fogo
E estas pernas que abrem clarões
De puro desejo e prazer

Convidam para nossa festa tribal

Onde dançamos nus
Um pelo outro
Um para o outro
Um no outro

Através de corpos que se amam

Carnalmente ditosos
Tudo agora é nada
Qualquer comparação é mal vinda
Pois estar em você é incomparável

Pena da pessoa que não sente

Este furor proveniente do amor
Esta luxúria que a efemeridade do tempo não leva
Beleza eterna que reside no carinho
Na vontade de ser seu

Completo e feliz quando poderia ser apenas eu

Divino completar você
Faz a existência rutilar
O corpo quente é água, suado
A alma em êxtase é choro

Jorrado, chorado, gozado

11.5.05

Lúdico

Que mentira maravilhosa esta
Desfeitos por dentro
Temos a empáfia de responder
Que estamos felizes

Porra nenhuma

Tudo é uma grande merda
Quando a nossa felicidade não é próxima
As canções e os cheiros de ruas conhecidas
Aproximam e torturam ao mesmo tempo

Mostram quão inalcançáveis nos mantemos

Desquero palavras doces
Frases de efeito
Placebos eficientes para uma mente conturbada
Sabe-se de imediato o motivo

Dói pra caralho

Nenhum palavrão me livra da tormenta doce
Deste turbilhão de passados presentes
Montando um futuro ausente
Desgraçadamente verdadeiro

A inevitável partida

Vem feita mula desenfreada
Aríete desgovernado e bruto
Derrubando o que se lhe opuser
Por puro capricho, falta do que fazer

Suas costas outra vez

Não fossem tão belas deixaria de olhar
E apóiam-se em nádegas redondas, firmes e atrevidas
Delimitadas por um corte diabolicamente traçado
Onde minhas mãos indecentes santificam

Pecado seria recusar

Todo este desejo que insular invade
Querendo compreender cada ato
Sentir ínfimas trepidações
Desta ventania desconcertante

Palavras da sua boca

São mais que gemidos e sussurros
São ordens
Acato a cada uma delas prazerosamente
Na velocidade que você imprime

Dirige este corpo que obedece a seus comandos

Deixe de lado esta modéstia, vestido e calcinha
Sente-se no meu colo e esqueça da vida
Lembre apenas que morreremos
E pulse vida em minha carne viva

Peça para eu ficar quieto

Enquanto me semeio em você
Umedecendo seus seios com a boca
Para que o coração não ferva
Provando você a você

Viu como é?

Saudade é foda
Nem estamos juntos
E monto seu corpo em sexo como se estivéssemos
Amo sua carne com a minha sem tocá-la

Desejo calcado na vontade

Quando longe compreendemos o análogo
Teoria dos contrários
Dos momentos ordinários
Por mais distante ou cansado, luto

Não fomos feitos pra ficarmos separados

Curiosamente, ao voltares, desalinho
Seu corpo lindo é secundário
Quero o conforto do seu sentimento
Dar-lhe o calor do meu carinho

Recostar a mente, agora calma, em seu peito ninho.

9.5.05

Paisagem

Nos dias mais belos
Tenho mais saudade
A sensação de desperdício
Aumenta a dor

Pode ser que não haja outro

Certamente haverá
O problema vai além
Saber que o próximo
Será totalmente desigual

Crescente só minha vontade

Convertida momentaneamente em angústia
Num querer contido
Deste coração comprimido
Que esbarra em externalidades

Toda vez que se expande

Mas preciso dar-lhe seu real tamanho
Meu peito não é casa para ele
É prisão, senzala
Com direito a tronco e açoite

A procura do navio negreiro chamado coragem

Que me trafique transoceânico
Sangrando mares de hipocrisia
Singrando feliz cada onda sua
Que traga a luz do nosso dia

Nossas peles juntas naquela praia

De areia alva e fina
Pisada e mesmo assim acolhedora
Chamando nossos corpos
Ao merecido descanso

Repouso de seu desejo

Distante este paraíso bíblico
Que peco por não manter
Coisas simples que me sobrevêm
Desnecessário dificultar

Esculpindo agora sua materialidade

Seu vibrar guia meu martelo
Que lhe sabe de cor
Emprestando um tom vermelho sangue
Proposital e mortificante

Fazê-la jorrar

Sinta-se estátua e movimente
Seja a seca e chova
Almeje terminar e comece
Compreenda-se viva e morra

Com vontade de amar

6.5.05

Tomo

Parado aos olhos de viajantes apressados
Aprecio o céu sobre meus pensamentos
Físico, denso, imponente
Debaixo de todo este peso não há opção

Estatifico-me e continuo impotente

Engano achar que não há potencial
Por dentro eu fervo
Quero sacudir as torrentes que jorram vontades
Nesta cabeça que agora pensa

Criando uma reta que por definição nos aproxime

Difícil é descobrir os mais íntimos
Dentre tantos próximos pontos
Pois você é só contato
Pelo tato acho que me perco

Sem dúvidas encontrei um labirinto

Agora enxergo opções
Minha mente gela
Clama por um sossego inerte
Residente em uma certeza infame qualquer

É tudo desculpa para seguir parado

Esta dormência realmente embriaga
A possibilidade de não fazer é tentadora
Sentir poder nos consome
E querer não fazer é perigoso

A ignorância se aproxima quando temos muitas certezas

Aquele fardo ainda me circunda
Sei das reais intenções
Mas desconverso a respeito do presente
Conheço sua face como se me olhasse

A cada dia te pergunto quem sou

Não é minha imagem que procuro
Minha possibilidade de ser seguro
Busco aquele que desconheço
Este que incansável lhe ofereço

Que só você enxerga

Pateticamente tento dominar algo seu
Que embora meu, não me pertence
Sou o que você quer de mim
Feliz por ser assim

Teimosia explicita esta de mudar-me

Mania de acreditar que não podemos
Que quando podemos não devemos
Que quando devemos não queremos
E querendo não entendo

Como posso ser seu amor?

Eu é que quero que você seja o meu
Necessito amar você
Permanecer apaixonado, entregue, dado
Esquecendo deste seu direito

De me enxergar como a melhor coisa do mundo

Querendo, desejando, almejando
Babando por minha existência simples
Que simplifica seu viver
Acreditando que sou tudo o que quer

Da semente ao arvoredo pra perceber

A possibilidade de ser querido
A magnitude de ser escolhido
Beijado, abraçado, amado, lambido
De conter e estar contido

Num paraíso agorafóbico que limita por paredões de liberdade

Aquele céu agora desaba
Minha cabeça esta muito leve para deixar que eu corra
Destemo a chuva
Pois ela não é capaz de lavar minha candura

Doçura imensa em suas papilas sensíveis

Creio que sou mesmo sua criatura
Bem impagável, inalienável
Sou a prova de sua recusa
Pela impossibilidade de negar-se a si própria

Então me toma se lhe convém

Abre sua boca e me engole
Espalha minha presença e absorve
Sorri meu hálito e sorve
Dona da minha alegria

Perceba o eriçar de sua pele, pelo e alma

Agora os viajantes é que param
Atônitos, aflitos, antagônicos
Papéis se criam invertidos
Os antes protagonistas jazem expectadores

No melhor ato, de fato, nós

Todos fogem da tempestade epicentrica
Estremecendo a certeza de toda dúvida alheia
Quero erupções contínuas, criadoras
Que eternizem minha existência

Neste dilúvio único que é viver

5.5.05

Pesquisa, esclarecimentos e amor ou outra ordem qualquer

Gostaria de agradecer e muito. Ultimamente tenho sido visitado e agraciado pela presença, carinho, reconhecimento, elogios e toda espécie de bons sentimentos de várias pessoas e pretendo e quero acreditar que mereço todo este calor. Juro que farei por onde.

Gostaria de dizer também que ontem, como já aconteceu outras vezes e com certeza, acontecerá novamente, meu irmão, Canhoto, postou dois textos. Não tenho nada que me meter com o que cada um escreve. Viva a liberdade de escrita. Só queria salientar e deixar explicito o seguinte: discordo totalmente dos dois textos e sou totalmente torto e errado no que diz respeito a amar. Sofro, sinto dor, choro, entristeço, fico alegre e canto pela casa, fico puto e emburro a cara também. Amor não é paz porra nenhuma e se algum ser humano conseguiu a perfeição de permanecer em plena paz ele está morto e enterrado. Amar é viver plenamente, com todas as suas faces boas, ótimas, ruins e péssimas. Por isso o amor é indefinível

Juro que tentei fugir desta pesquisa. Mas fui presenteado por duas pessoas que eu realmente adoro. Os convites saltaram aos meus olhos no mesmo dia, mas para não ser injusto, vou por ordem cronológica.

Sandra, acho que não preciso dizer nada. Adoro você mesmo. Minha revisora predileta. Beijo intenso. Aquela frase ao meu respeito na sua resposta da pesquisa não me sai da cabeça. Ainda chego lá.

Bruxinha, você é a madrinha deste blog. Adoro você demais. E existe um modo simples de saber de mim. Pessoas em que confio e admiro como você precisam apenas perguntar. Beijo e um cheiro minha Bruxa

Podem ter certeza, ainda em relação ao amor, ele pode ser de diversas formas. Saibam que fico radiante quando um texto meu cai como uma luva para alguém. Cada comentário é um presente e não tenho o menor medo em dizer e sentir que amo cada um de vocês. Beijos. Minha vontade era dar abraço apertado em cada um.

Amanhã eu posto mais um texto torto de amor.



Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

Não li o Fahrenheit 451, mas gostaria e serei um livro sobre o nascimento de uma criança e as maravilhosas mudanças que este acontecimento traz para os pais quando eles renascem para esta nova vida. Prometi a mim mesmo que farei este livro e publicarei para dar a minha filha em sua cerimônia de alfabetização. Nem que saia apenas um exemplar, este será dela, por causa dela.

Já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem de ficção?

Eu admiro muito a construção psicológica de um personagem chamado Wolverine. O convívio conflitante de um ser fisicamente poderoso, quase indestrutível, que pouco sabe sobre si próprio além das dores de seu presente tumultuado. E, mesmo assim, consegue ser violentamente sutil e justo consigo próprio e tem um refinado senso de amizade. Alguns podem achar que histórias em quadrinhos estão à margem da literatura formal, mas a enormidade de imagens literárias e de conceitos ali empregados é fantástica.

Qual foi o último livro que compraste?

Como aprender Java em 21 dias. Faz quase dois anos que comprei e não passei da primeira semana.

Que livro estás a ler?

Constituição da República Federativa do Brasil. Vou passar num concurso público e ela faz parte da matéria. Sugiro e recomendo a sua leitura a todos. Apesar do linguajar desagradável e enfadonho é certeza de boas risadas e faz nossa carne tremer de raiva quando percebemos que potencialmente equilibramos poder e apatia cívica

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
A casa dos budas ditosos
Diário de um mago
Odisséia
Musashi
Como aprender Java em 21 dias (tenho que acabar de ler este livro!!)

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?

Para a Naiara, por que escreve muito bem e mora em Niterói como eu.
Para a Eliane Alcântara, por que ela administra um manicômio virtual comigo
Para minha amiga Rô, do Alma Nua, por ter uma vontade teimosa como a minha

2.5.05

Campal

Saio para o mundo
Disposto a destruir tudo
Pela força que foi concedida
Através do poder que descobri

Paro ao primeiro passo

Aprendi a enxergar esta cegueira
Paralisia advinda de um fluxo interminável
De vontades equivocantes
Que separam o amor do ódio

Equilibristas treinam sempre no baixo, pois caem também

Executar verbos prefixados em des é fácil proeza
O espírito quer conquistas
Mas despreza o desperdício da batalha
Prefere o toque aconchegante

Vitórias pela delicadeza

Respeito é o que lhe vem
Quando as pessoas não nos temem
Pretendo levantar a voz
Somente por ótimos motivos

Exteriorizar que te amo

Há capacidade para conseguir o máximo
Pois é o mínimo que almejo
Picadas por caminhos tortuosos são preferíveis
Para infectar-me com o vírus da resistência

Doença com nome e sobrenome: santa paciência

Que compõe das músicas, a mais bela
Montando sua presença ao acorde dos ventos
Transpirando seu cheiro a cada movimento
Na saudade que nunca dói

Meu acalanto, meu travesseiro, meu alento

Onde durmo minhas pressas cotidianas
Repousando meus torpores corriqueiros
Deixo que o medo me invada
Tornando minha existência temerária

Fazendo buscar a segurança do seu eu

Fragílimo em minhas bases mais profundas
Quero ser derrotado, perdido, agredido
Por este sentimento que só fica mais forte
Este maldito azar que só dá sorte

A cada sinal na mata que apago farejo você

Sigo seu rastro
Anseio casto
Estar em seus cachos
Erguendo meu mastro

Ao aguardo de sua brisa e vela

Que me guia, navega e leva
Desconhecidamente familiar
Direto para nenhum lugar
Exato onde quero ficar

Que me esqueçam por lá

Certeza saber sua pessoa assim
Sem referencias, influências
Invisível aos olhos da carne que pulsa
Expulsando seu lado mais lindo

Quando choras ao sentir que me ama

Fizemos um trato em silêncio
Para toda vida, um encanto
Quem faz trato com o tempo vence
Pois ele nos cobre; é um manto

Que venha mais uma batalha

Cortando fundo na carne, navalha
Fazendo espadas no aço, que malha
Quando saindo do peito estraçalha
Este peito frouxo, fornalha

Escaldada pelo indestrutível amor que sinto por você

29.4.05

Residente

Hoje não queria sair de casa
Ter obrigação
Dar bom dia quando não o fosse
Ir me vender barato para alguém

Queria ficar comigo, sozinho

Clima frio aí fora
E o calor daqui de dentro me endurece
Fixando minha vontade
Onde só eu sei achar

Dentro de mim está tudo sob controle

Uma vigilância absurda
Que ensurdece olhos
Que teimosos só vêem medo
Onde deveria haver confiança

Ser hóspede de outra pessoa é realmente maravilhoso

No momento estou intransigente
Quase perfeccionista
Qualquer coisa que não pareça comigo
Parece incipiente, frágil e displicente

Bem no raso sei o motivo; estou carente

De me dar por completo
De não poder ficar
De ter que esconder em sombras
A vontade enorme de falar

Necessito verbalizar que te amo

Montar sua existência no meu existir é muito duro
Construir seu eu e dividi-lo comigo é possível
Porém me desfaço, desacho
Perdido entre conviver comigo e poder perder você

Tortura escolher entre estes dois amores

Com a razão residindo no peito
Fica mais forçado respirar
No meio de tanto vermelho sangue
Só consigo suspirar

Um lamento que pede atitudes

Externas, estremas, eternas
Que caia o mundo entre as pernas
Escorando joelhos quebrados
Por carga de um peso insuportável

Que teima em carregar sem perceber

Entregue-me para você
Me receba
Coloque-me em seu colo
Em seu seio

Quieto e completo eu semeio e colho

Nosso beijo de bom dia
Aquele sorriso de alegria
A felicidade que irradia
O amor de nossos sonhos

Por este motivo quero ficar em casa

Por não haver nada melhor na rua
Por ninguém ser mais linda que você nua
Por estar aqui a língua tua
Provando lasciva minha vontade

Quero dar-me a você inteiro

Consuma meu desejo que reverbera por suas paredes
Abuse da minha masculinidade verticalizada
Entregue-se pela luxúria lânguida do horizonte
Que percebo ao contemplar você

Acredite: você pode!

Esquartejar minhas horas em frações de segundo
Eternizar momentos através de existências
Ser assim tão exagerada
Justamente sendo tão simples

És quem eu quero; a que amo

Leva-me pra sua vida
Faz isso hoje, agora
Me lambuza de sua vontade
Prova o rosto, o corpo, o gosto, o gozo

Mastigue, deguste, devora, sem demora

Este sentir que implora por uma chance
Verdadeiro como a tristeza que carrego no peito
Ao sentir fraqueza por não conseguir
Até que a verdade acorda minha realidade

Hoje é dia de estar lá fora

Feliz, disposto e exposto
Procurando uma luz ultra que diferencie minha refração
Lançando um raio-lança que te alcança
Petrificando a esperança em seu coração

Pra que descubras que seu amor sou eu

Preciso estar fora de mim
Pra que me ache
Indispensável ser eu por aí
Sem mais disfarces

Enfim descubra, me beije, me abrace

Sinta o peso de não me envolver em seus braços
Rasgue sua garganta neste grito afônico
Engasgue com esta falta que entope a glote
Envergue pela insustentabilidade do tudo que é não ter

A isto chame saudade.

27.4.05

Escrita

Papéis em branco são sempre assim
Nos roubam o colorido, levam nosso vazio
Cheio de escuro, de procura
Sensação de loucura

Fazendo acender certas chamas

Começa de novo, um novo
A cada olhar para aquele espaço
Nos acho mais perto
Desenho você para mim

Assim, de dentro, pra fora, agora!

Sem formas, sem cheiro
Rabisco sem jeito, te escrevo
Acentuo, pontuo; desejo
Contorno seu corpo a cada beijo

Certo ao quando, o quanto reticentiar-te

Letras são realmente pinturas
Descrever sua pessoa é sempre a mais bela
Toda vez que te repito
Diferente, nova, a mesma; presente

Deslumbre de imaginação consciente

Não preciso de borracha ou retoques
Qualquer traço seu me marca
Ilimita, transita, me agita
Faz os dedos discorrerem linhas simples

Pela simplicidade de saber-te inscrita em mim

São versos que quase choro
Pressas em que demoro
Por todo verso que te declamo
Te chamo, em dentro, te amo

Pois nada mais é que a letra que vive; meu fim

Tarefa fácil fazer tão difícil compilação
São frases suas
Palavras nuas
Vontades cruas

Papel liso o sentir de seu rosto em minha mão

25.4.05

Quasifeito

Quase é sempre um lamento
Grito de um querer desatento
Sucesso de um desfazedor de inventos
Um nada que ainda tento

Tudo aquilo que não agüento

Recusa inerte de tentar ainda mais
Como quem quer conseguir sem ter que lutar
Pelo desprezo da vitória
Pela glória insuportável da conquista

Justo por não julgar merecido tanto valor

Esperar por algo que sabido não vem
Pois mora em outro animo esta viagem
O rumar certeiro da colisão
De dois corpos que se compõe

Unidos por uma vontade rascante

Travando o doce do corpo
Roubando com a língua
As estrelas do céu da boca
Clareando o dia com o sol do desejo

Quando tudo falta descobrimos do que as coisas são feitas

A natureza é noite por excelência
Escurece quando há nuvens densas ao meio dia
O amor é sempre o outro
Notório que sou nada

Quando de ti, minha existência esvazia

Sentir falta é pros que apenas gostam
Dói, faz lembrar e passa
Saudade é para quem ama
Atropela, despedaça, acaba com o dia e fica

Aquela vontade de você, indevassa

Consumir sua transparência é o mínimo
Que a opacidade de meu despertar solitário pode fazer
Marcas de um lençol que parece comigo
Amarrotado, vasto, desusado

Como se o avesso fosse meu único direito

Agora quebro copos
Levanto com o pé esquerdo
Passo por baixo de escadas
Pego o ônibus errado

proposital, pra ver se a vida muda, e se acho você

Agrido cada poça d’água com pisões tonelares
Esperando que você saia do próximo reflexo
Mas você não vem, teima em se esconder
E cansado de tentar mudar o mundo, desperto

Chegada a hora de eu começar a fazer

Me busco em cada ausência sua
A cada segundo que desperdicei corro mais rápido
Por cada esquina que quis desentortar
Traço mapas de um encontro fantástico

Tu estás aqui dentro e fui tão longe me perder de você

Desculpe a demora
A falta de tato
Esqueci-me de mim
e acabei por esquecer você

na longa e triste infinda jornada que foi me desmerecer deste amor

quem esperou sofregamente foi você
por um eu que cismei te pertencer
agora encontro facilmente
o eu que quero lhe ser

descobri que nos dividia, quando devia me adicionar você

então vou amor,
pois nosso tarde é um quase
e eu quero ser cedo
até a vida anoitecer

Em lençóis de atalhos que sabemos tecer

22.4.05

Certeza

Tenha certeza: adoro seu corpo!
Suas linhas definidas, seu contorno preciso
Seu peso, sua densidade, seus seios
Adoro deslizar as polegadas de meus dedos por sua carne

Nua, já foi tua, esta presença imponente

Agora és minha, completa, sozinha
Do meu desejo, do meu abraço, do meu beijo
Seus cabelos, soltos no meu peito
Seu querer revolto, livre, na prisão dos meus pelos

Nus, seus, já foram meus, mas preferem estar com os pelos teus

Penetrar por seu consentimento é indescritível
O prazer é inquantificável
Não quero saber o quanto ou quando vou gozar
Quero apenas ser o motivo da sua plena satisfação pessoal

Quando me ordenas: me pega!!

Espaço infinito esta tua cintura
Que enlouquece
Esta seu calor que sem pudor entorpece
E, viciado, bebo mais do seu sexo

Na fonte, sem esperar que ele brote de sua mina fervente

A visão de sua escultura de baixo para cima é linda
As coxas me abraçam, laçam, levam ao seu púbis
Público na nossa particularidade; nosso
Já meu, preenchido, imagino quão dentro estou em você

Aliso sua barriga tesa numa escalada rumo a boca de um corpo arrepiado

Prestes a se desencontrar, descontrolar, desgovernar
E como sua montaria que sou resisto, insisto, existo
Minha dona está em êxtase, acelerada, inundada: cavalgada
Perfeitamente sentada, encaixada, amada

Orgasmaticamente feliz

Tenha certeza: um dia este vigor acaba
Toda esta juventude será apenas lembrada
Neste dia então, serei ainda mais feliz
Pois estaremos juntos e depois de um carinhoso beijo

A eterna beleza de um amor que sempre se quis

19.4.05

Meta

Desimportante quem vai dar o último e derradeiro passo
Ambos querem chegar juntos
Mesmo que se carregue no colo
Aquele que confiar seu cansaço ao outro primeiro

Colo é melhor pra quem dá que pra quem recebe

Saber-se confiável
Inunda nossa boa vontade de desejo
E transforma o adorar puro e simples
Num sentimento muito mais belo

Respeito é base do amor

Respeitar as fraquezas, mesmo que momentâneas
É sinal de fortaleza de espírito
Ser a perna de quem não mais caminha
E, ainda assim, concretizar seus anseios

O amor se mostra quando, fora de nós, nos realizamos

Esta pessoa que temos em mãos não somos nós mesmos
Ela é nossa suplementaridade
É o aquilo que desejamos extra ego
Fazendo buscar o toque do intangível

Essa mania viciante de palmear o impossível

Seu corpo não me diz absolutamente nada
Sua voz suave e firme é completamente muda
Seu calor, que pulsa sobre minha perna, liquido, não atormenta
Sua língua, vadia, perambulando por meu corpo é ignorada

Não fosse o maciço amor que me estupra as entranhas

Derrubando conceitos
Desfazendo pretextos
Destruindo meu jeito
E me fazendo um seu perfeito

E, culpa dele, te desejo com fervura

Esqueça a candura
Vou te apertar a cintura
Puxar pra mim sua estrutura
E fazê-la implodir de prazer

Quero vê-la chorar por gozar de amor

Pois o que te sinto vem primeiro
Sentimento que desisti de compreender
Hoje, apenas espero
Que enfim anoiteça para nós dois

Independente do tempo que restar depois

Ainda sonho com a noite de lua cheia alaranjada
Com as manhãs de domingo
Com um sonoro beijo na alma
E com aquele silencioso e intraduzível eu te amo no olhar

Já realizo você pra mim.

15.4.05

Incomeçado

A sensação é de estar com o corpo mergulhado
Em sangue,
No próprio sangue.
Que esquenta

Ferve

As bocas se chamam se querem
Beijam e se transportam; impelem.
Levam os corpos que se atraem, se servem
E tudo que não se precisa é mais um beijo

E o beijo é tudo

Os corpos vermelhos,
Mais que rubros pedem:
Desejo
O corpo já não pensa

A euforia do sexo compensa

A sensação perplexa é intensa
A impossibilidade do lugar e de Tempo
imensa
Outro beijo e haja paciência

Corpos dormentes de querência, não conhecem obediência


Fui procurar em meus escritos qual foi meu primeiro texto em forma de poesia no blog e descobri que foi este. A partir dele, cismei em escrever deste jeito.

14.4.05

Passagens

Ontem, saindo para vir trabalhar, percebi algo que não faço realmente, mas que muitos fazem sem perceber. Desci a rua para tirar o meu carro da garagem. Tinha acabado de tomar banho, perfumado, roupa passada, sapato confortável, bolsa cara para carregar as coisas que podia não ter; como celular, carteira, meu caderno e dinheiro para passar o dia.
E na frente do portão da garagem, um homem pára de catar as latinhas no lixo e me dá bom dia. Respondo: Bom dia meu amigo e obrigado!
Ele sorri parecendo entender.E continua sua vida, enquanto eu vou terminar mais um dia.

Obrigado, amigo, por provar mais uma vez
Que o que vale na vida é viver
Por ensinar a este catador de letras
Que é preciso alegria para catar a vida

Pois enquanto reclamamos, outros riem por viver

Obrigado, pela lição em forma de sorriso
Que me tira da apatia egoísta
Fazendo perceber que o fim
É mais que apenas morrer

Impagável a aula de vida que me deste

Como se diz para um conformado
Que sua situação é passageira;
Além de qualquer rotina
Através do que se queira

Lhe devo o prazer de viver à minha maneira

Gratidão por me fazer covarde
Incapaz de sequer pensar reclamar
Conseguiu mostrar-se alegre com pouco
Quando outros, com muito, se põe a chorar

Sempre na mente o sorriso, que faz minha mente sossegar

Não quero dizer que tenhamos que abrir mão do conforto ou dos supérfluos que merecemos quando podemos. Mas queria realmente, que muita gente sorrisse para o próximo e percebesse que enquanto por vezes reclamamos pedindo o fim do dia, existem outros que sorriem, mesmo que não lhes tenha começado a vida

11.4.05

Verbificação

Não é o sentimento que não falta que me falta
É a sua presente ausência que exacerba
Principalmente depois de tanta verdade, a densidade
Saudade, que consome, machuca, invade e te evade

Como se ser livre me aprisionasse

Não quero te-la, vassaliza-la
Ser seu senhor no feudalismo do termo
Quero ser chão de sua gleba, plantado em você
Pelo tempo que nos atravessa insone

Fazer com que sua vontade me droguifique constantemente

Para que odeie ir embora
Para que chore ao não poder me ver
Que o desespero lhe surja, ao não nos poder
Que sua cabeça desracionalize

Impetuosatiza-se; e venha para seu eu em meus braços

Constatar a equidade do nosso amor tortura
Pois nesta agrura momentânea percebo a diferença
Sofro por fazer tudo e não lhe conseguir
Sinto seu sofrer por supor suposta sua desatitude

Acredulável tua falta de coragem

Queria mais neologismos para linguificar o meu sentir
Uma palavra que ao menos suprisse
Esta imensidão atátil que estraçalha o peito
Trazendo suspiros que fendalizam carne feito bisturi

Operando um milagre invertido em minha personalidade

Qualquer um que me perceba sente o quanto sofro
Quem me vê lhe adorar inveja a paixão que sinto
Quando você, invariável parte, afirmam que minto
Pois só vêem o que, eu, te amo

Sei o como você me quer

Concordo que também podes
Basta dar-se o primeiro de indefinidos passos
Para ser completa e inteiramente feliz
Sabido que impacientiza-se a cada chamado da rotina formal

Concorde com seu sentimento!

Caminho ainda triste e, porém, ainda mais, consciente
Espero o que só as externalidades podem trazer
E sob o protesto dos impregnados de razão sigo sendo inexplicável
Certo que ninguém me entende

Fiz uma escolha simples

Resolvi entre o que quero e suporto
E aquilo que não posso fazer
A dor inescusável me fez decidir
Ou ia embora, ou via você partir

Impossível é não ser possível amar você.

8.4.05

Letra de Forma

Imprópria a letra que tenta diferi-lo
Não está na capitalidade da língua escrita
Ou no formalismo das maiuscularidades gramaticais
Sua infinita tensão emocional

Único e exclusivo que é a cada ser que se apresenta

Fosse fácil seria comum
Venderiam a qualquer preço
E como comumente ocorre
Esvaziar-se-ia seu sentido

Que é apenas tudo o que se sente

Conflitos inventados por nós próprios
Vícios de uma vontade torta
Que luta para não conseguir
Pois não se conforma com seu intrínseco merecimento

Cisma de não deixar-se permitir, ao menos, tentar

Aspiramos um ar que não se respira
Brigamos através de tempos incomeçados
Sacrificamos vidas mortas
E desperdício é a razão de um suor congelado

Que se expõe em rochas acreditadas intransponíveis

E é tão simples
Tão sutil
Quase uma piada de bom gosto
Não fosse nossa pressa em dar o primeiro sorriso

Sabido o prazer de quem simplesmente sente

Deuses, amor, tempo, dor
Tantas palavras que nos remetem a provações
Meu amor é sempre assim
Assíncrono, alitero, ilógico e imensurável

Amor, em particular, é o que é

Nada de grilha-lo em letras
Ele morre a cada pronome possessivo que se pronuncia
E tem na liberdade que lhe damos
O corpo finito que lhe basta

Implodindo cada alicerce frágil de nosso desejo

Criou-se esta idéia de amor carnal
De um desejo dissociado do sentimento
Do magnetismo da carne
Que suplanta a troca aditiva do amor

Ímpeto e impulso sexual são de natureza humana

Baseie uma relação em carne e sexo
E verá muito cedo o destino cumprir-se
Somos exemplos vivos
Que depois de expostos

A carne apodrece e o corpo perece

E esta coisa que é o amor
Prova-se maior que qualquer desejo
Transcende qualquer sanidade
Invade mais que qualquer falo insaciável

É mais prazeroso que qualquer sexo perfeito

Atitudes, desejos e destruições emanam dele
Vidas surgem e somem num simples começar e terminar
Deseje o que a pessoa é pra você
E não a sensação física que ela lhe proporciona

Esteja só e pense na pessoa amada

O cheiro impregna-lhe a mente
A sensação de embriagues arranca o peso das horas
O contorno perfeito da face brilha no breu da imaginação
E a excitação vindoura eriça-lhe o desejo e faz suspirar

Você faz em amor a pessoa e a ama sem sequer tocá-la

Amar não é conflito
Não é chorar
Amar é entrega e disposição interna
É querer se dar e ganhar

Feliz aquele que, antônimo de mim, já sabe amar.

6.4.05

Atitulorium

É difícil tomar certas decisões
porque
nos perguntamos demais
se merecemos ser felizes

Perdemos muito tempo

sofri muito para perceber algo
que estava no espelho de minhas lagrimas
e como todo aquele que chora
estava de cabeça baixa

olhando pra dentro

procurando em mim um erro que não tinha
e mirando acertos
em quem não sabia construí-los
pois que um dia as lagrimas secaram

e pude perceber frente a toda dor

que de cabeça erguida e peito exposto
a fratura não era tão grande
e que a pessoa que mais me doía
era aquela que eu culpava realmente

batendo as mãos raladas sobre as roupas velhas elas desfizeram-se

despindo-me de toda pena
que sentia de mim mesmo
e assim, nu de espírito
busquei ajuda no lugar mais próximo

e me encontrei dentro e feliz em fim

2.4.05

Pertidão

A distancia não está nos corpos que não se tocam
Ela é a vontade dos que não se querem
Como se fosse impossível transpor
O peso nulo que é a falta de querer

Qualquer ato de saudade me aproxima

Dessa boca que me cala
Destes braços que me libertam
Destas pernas que me paralisam
Dentro do seu sexo libertador

De todo movimento que me dá calor

E nada é tão distante que não se imagine
Tudo é tão perto quanto me possibilito
E nada é mais devastador que sua imparidade
Dou-me a ti, em infinito

E desejo sua entrega como se minha fosse

Pela verdade que carrego em suspiros
Quando nada é mais longínquo que você
E na esperança do aceno breve
Espero intenso, tenso e denso

Ser o único a ter você

Então tudo é concebível
Pois só quero aquilo que posso querer
E se ser contigo é o mais querido
Sou tudo aquilo que pode ter

Tenha-me em seu animo e serei precioso ao animá-la

Sinto a verdade dos beijos distantes
Que por mais afísicos que sejam
Levam a saudade embora
E nos trazem à pertidão:

Junção sensorial de longe do corpo e dentro do coração

31.3.05

Temporal

Quanto tempo da vida perdemos
Para o próprio tempo?
Quanto de nós mesmos doamos
Ou apenas entregamos?

O que você fez hoje para encontrar-se?

Ele é sempre atemporal
Incabido que é de sua imensa concepção
E simples por excelência, funcional
Ele apenas passa

E impassível aos maus tratos dos nossos contratempos

A diferença esta no uso que fazemos dele
Uns, procuram respostas, e ganham
Outros, desencontram-se das perguntas, e perdem
E ainda assim, ele é o mesmo

Quanto de você já se descobriste?

E por campos ou clausuras
Não há como deixá-lo solto ou aprisionado
O Tempo é sempre interno
Se seu, ponha a seu lado

A felicidade evapora o tempo e nos aproxima do fim?

Não é o passar que acaba conosco
Nós é que acabamos quando paramos
Não se gasta o que não se possui
E não se desperdiça o que não se tem

Seu tempo é seu quando lhe convém o tempo todo

Acordar na madrugada da descoberta
É difícil como levantar mais tarde
Para o caminhar que leva as conquistas
Porém tem mais efeito

Cedo é aquele que usa o tempo e não se consome por ele

E assim, sendo nele o que se tem
Quero além do que o que me vem
Urgente são momentos de quem espera
Urgência a vida de quem não tem

Quanto de seu tempo você se deu hoje?

Esclarecendo possíveis dúvidas: Canhoto e Destro são pessoas diferentes. O lado esquerdo é meu irmão mesmo, filho dos mesmos pais. Como o nome do blog diz, são duas posições distintas escrevendo no mesmo lugar. Eu Destro e ele Canhoto fazendo alusão ao nome do blog, que significa muito mais que isso. Quanto sua menor aparição, só ele pode explicar. Posso afirmar que ele tem liberdade para escrever o que quiser e sintam-se a vontade em relação aos comentários a respeito de seus textos. Beijo a todos

29.3.05

Seu teu, meu eu

E na penumbra de seu corpo sobre o meu
projeto o desejo que embora teu
arde em minha carne
campo vasto e uniforme
dum pronome que é todo seu
eu

26.3.05

Triologia

Postando de forma diferente
Três pequenos textos
Oriundos de um bate papo
Com uma pessoa maravilhosa.

Espero que gostem e uma páscoa com ovos galados, que saibamos chocar e cuidar. E que os primeiros pios de renovação e paz se espalhem por todo o mundo e que se enraíze no infinito universo único chamado nós.



É o que sou!
em meio a todos que não sabem o que são
eu sou mais um
que se busca naquilo
que acha que é


____________X X X___________X X X__________


Maravilhoso!
o gozo
e tudo que o antecede também é
o carinho,
o desejo,
o calor,
as invasões permitidas,
língua,
suor,
líquidos e carne
barulhos,
gemidos e silêncios,
olhares e suspiros
o arrepio que enrijece e prepara
e o descarrego do corpo naquela sensação de morte,
libertadora,
que nos traz para a vida
Respire,
Ainda nem começamos


____________X X X___________X X X__________


sou meu herói e meu algoz
sou manso e sou feroz
e meus eus
chamo por nós

que clamam a ti, pois morrem se sós.

24.3.05

Alfabeto

Para que luz se não usaremos olhos
Quero apenas seu corpo
Querendo o meu
Como sua resposta

Quando perguntas: sacia meu desejo?

Combinação imediata de eu e você
Então nós, e se sós
Pra que voz
Se só vamos gemer?

Esta é a língua do nosso prazer

Longe do analfabetismo da carne
somos cegos
queremos nos ler
e tocamo-nos por inteiro, em braile

pois precisamos nos entender

a dormência dos dedos insinua
a sua, a minha
pele nua
e concordamos de imediato

próximo ato:invadir você

e me acolhe tão quente
e me envolve;serpente
com pernas e fendas
que me oferecem você

este liquido, veneno, que me enlouquece ter

me leva para dentro e brinca comigo
me morde, me beija, me escorrega no abrigo
irresistível de suas pernas
e me ama bem dentro

longe de todo perigo

e a cada poro sensível
nos mamilos, seios e anseios
a cada parte do corpo que leio
entendo o enredo do texto

o que queremos mesmo é escrever

e quando rasga minha pele a unha
sussurro um grito para lhe dizer:
entendi esta parte do texto
termino esta frase em você!

Neste corpo liso e sem pautas onde consigo ser.

21.3.05

A diferença

Chegou
Devorou-me com os olhos
e segurando pelo colarinho da minha blusa
explodiu todos os botões de minha veste

meu corpo tremia de vontade: exposta

fixou-se em mãos na minha cintura
segurou minha saia
e com toda força
arrebentou o pouco pano em metades

abriu minhas pernas e fiquei a vontade

escorreu as mãos por minhas costas
virou-me e penetrou meus olhos
cruzou os braços
suspirou profundo

eu era só o desejo; ele todo amor do mundo

e partiu.

18.3.05

Introspecção

Deixaste de ser e passou a ficar
Entregou-se a quem não poderia guardá-lo
Depositou toda esperança numa chance torpe e remota
E está aí, convalescendo, bêbado, por seu próprio barril

De ressentimento

Pois que você remói, rumina, vomita e digere
Todo o tempo o tempo todo
E viciado em sofrer encontra novo paladar
A cada antiga e decorada degustada amarga

É o paladar a que te remete a solidão

E consegue ser ignorante, vil e moribundo
Passeia por vielas feitas de sarjetas de tão estreitas
Úmidas pelo suor do desejo alheio que ali, junto se derrama
E esquece da duplicidade de quem não ama

Baixaste a guarda ao levantar a cabeça

Não existe nada além do horizonte
Que você não tenha objetivado antes
E teimoso, quis o impossível
E agora sofre feito uma mula

Carregando sozinho o peso de uma decisão

Ficou surdo para seus olhos
Com um corpo dormente não sentiu uma só palavra
E demente como os que ignoram a realidade
Excluiu-se de tocar a verdade

Bem feito idiota!

É seu próprio demônio, infernizando seu dia a dia
E sabe disso, gosta e quase adora
E o deus que cabe em seu peito é razoável
Detém razão e quer libertá-lo

Vai ser burro assim na casa do caralho

Pare de entregar seus dias, sua vida, seu prazer
Venda seu corpo mais caro, cobre por você
De valor aquilo que tem única e completamente
Controle sobre ser decente, dono de corpo e mente

Deixe de ser doente!

Um mundo novo de prazeres e felicidades lhe sorri
E como um morto vivo espera uma salvação por pecado incometido
Fostes sempre justo, menos consigo próprio
Perdoe-se e permita-se merecer

Já que babaquice tem limite

Agrida seu corpo beneficamente
Extirpe as unhas encravadas que doem e
Atrapalham o caminhar
Expurgue este lodo sagrado de suas veias carregadas

Doe seu sangue para renovar-se: renasça!

E que seja parido aquele mesmo homem
Obstinado, perseverante e feliz
Mas que saiba errar no primeiro erro
E que tenha menos resistência à dor

Pois ninguém mais agüenta esta aberração que já não anda

Que se arrasta pela vida carregando o mundo alheio nas costas
Que enxerga soluções para todos e se afunda em erros crassos
Um oráculo as avessas que advinha o presente e esquece do futuro
Fazendo deste um glorioso nada obscuro

Pára de fazer merda, idiota

Olha a seu redor, a sua frente
Sua filha, seus amigos sua gente
A pessoa que te ama e as pessoas por quem sente
Sacuda esta idéia tão ausente.

Este fim já chegou

E você perde tempo
Perdeu pro Tempo
Apostou com o único ente invencível
E como não era pra ser diferente

Se fudeu

Bata palmas pro vencedor
Estenda a palma da mão ao derrotado
E os apresente
Prazer, eu, por ter vencido
Merecido, eu, eu ter perdido

E aceite que esta luta acabou.

Fim!

17.3.05

Mapa de Silencios

ele é tão indecifrável
mas é uma das maiores certezas
como se fosse estranho a nossa natureza

entretanto,

não há aquele que viva sem ele
e por mais que se busque alternativa
por mais triste que se lhe encontre
a saída que deixaste na entrada
terá resposta nele

e no momento mágico deste encontro
em qualquer instante
ou em qualquer língua
saberá seu nome

e olhando atento
no mais profundo; dentro
sussurrará seu nome
com total deslumbramento

me entrego: amor


Existem pessoas realmente diferentes e importantes. Eliane Alcântara é uma delas para mim. Obrigado e não sei se percebeu, mas não usei a palavra especial. Brincos, perfumes e coisas são especiais. Pessoas são indispensáveis

14.3.05

Pois é

Mais uma daquelas tardes perfeitas
Sol brilhando, nada de nuvens
Brisa acariciando o corpo
E a tormenta, atormentando

Uma mente atormentada

Em busca eterna pela eterna paz
Estado de graça que só vislumbra você
Tranqüilidade de alma que mora em seu corpo
Querendo você me contorço, paralisado

Por nada poder fazer

Já não depende de mim
Fiz o que era impossível fazer
Fui além de limites
Por nunca acreditar na existência deles

E no meio desta estrada, onde está você?

Você, que por dentro chora e por fora demora
Que me bem diz frente a frente
E que por traz me devora
Que verdadeira me ama e pra si mente

Por favor
Se encare
Se enfrente
Imperativo: tente!

E de todos os pedidos que nunca fiz
Por não poder influir nem mais um triz
Queria pedir-lhe o ingrato que sempre faço
Sofra!

E nos faça feliz

E nesta incontável e idêntica tarde já ida
Desejo realmente por esta paixão incontida
Que me esqueças talvez e de repente
Mas não me largue, perdido, em sua vida

Não faça de mim seu vampiro
Fiel, imortal e sem luz
Não me deixe amarrado a um desejo
Que direto ao meu nada conduz

Pois sabes o quanto te quero.

E que sou o capaz de sofrer
Que consigo de eu próprio esquecer
Que não me custa à morte viver
Se um dia seu, eu, puder ser

Só você, sabe o quanto te amo

E se for para não te-la, faça agora
E se for pra ser seu; qualquer hora
E se realmente lhe for impossível
Beijo na sua boca, vou embora

Eu sei, já me vistes de costas outras vezes!

Sabes que não irei
Percebe que já tentei
Só falta que sua coragem permita
Ter-me, ser seu e sermos um

Eu amo você
E
Sem você
Não irei a lugar algum.


Desculpem o tamanho do texto, mas carrego uma história no peito que não caberia nas páginas brancas que encontro pela frente.

10.3.05

Busca, em si, perfeição

Não é dúvida
Seria fácil se só fosse isso
É sempre mais, como olhar o céu sob meio dia
Quanto mais perto, mais doído e não dolorido

Querida é a brisa noturna e suas penumbras
Vez que sombras são ausência de luz
Mas como se formam?
De onde irradia a força poderosa que as produz?

Ouse perguntar mais simples
Olhe para si num próximo e questione
Ao desconhecido que vive em você:
Quem sou eu? E dá, a si, um nome

Não responda o que faz
Não diga como você é
Ao menos cite o que possui
Tente apenas responder quem você é, o que o constitui.

E como tudo que parece simples
Levará vida e não responderá
Não existe resposta para perguntas
Onde a resposta na pergunta está

O caminho é apaixonante
E a dor será presente
Pois ela sempre é oposto
Da alegria que se sente

Dizem ser sentimento
Mas no fim é o que todo mundo quer
O amor não está em pessoa ou coisa
O amor simplesmente é

E na viagem que não termina
De porta em portos do que se quer
A pergunta se faz resposta
E me respondo quem você é?

8.3.05

Deus é mulher

E por mais que se busquem palavras para definir
Só uma pergunta me vem à cabeça
Como?

Num soneto as avessas como é possível ser tão forte e tão sensível
Que poder é este de se poupar e ser visível
Na beira do que se nega, como podes ser tão impossível?

E junto a este ente da natureza
Todas as respostas se perdem
Há perguntas que não devem ser feitas
E respostas, por si só, perfeitas

Querendo se-las, sonhando em te-las
Nenhum de nós será um dia capaz
Infeliz o homem que não sabe ama-las
Mulheres, união de amor e paz

Os amores são sempre distintos. Amamos filhas e filhos, mães e pais, familiares, amigos e amantes. Mas nada deve se comparar a uma mulher que ama a si própria. Vocês são fonte de vida, pela própria história, por acerto da natureza. Perpetuamo-nos por vocês e eu, particularmente, agradeço a todas que sabem deste dom mágico que só vive em vocês. Deus está em cada um de nós, é o que dizem, mas só em vocês ele realmente é.

Parabéns e gratíssimo pela existência de cada uma de vocês.

Beijos de um homem que, no mínimo, faz o impossível para amar fielmente algumas de vocês e que se pudesse pedir a deus um milagre pessoal, pediria para saber como é ser Deus e gerar uma vida a nossa imagem e semelhança.

Obrigada a todas vocês, filhas e mães, pelo amor, carinho e pela graça da vida.

6.3.05

Saudade

Um motivo era tudo que eu queria agora
Pra poder justificar sua ausência
Pra não sentir a dor tão densa
Que a saudade teima em transformar-te presença

Saudade tem o dom, a manha de fazer isso
Pega todo aquele vazio e solidifica, no meio do peito
E com esse peso no coração, na há quem resista
Me dobro em joelhos e olhos da chuva são espelhos,
dos meus sentimentos, visita

Me entrego em chorar

Copiosa e ardentemente
As águas que jorram dos olhos não tem tanta força
Se a razão dos meus sentidos não consegue
Quem dirá esta água, pura e calma que segue

Não encontrei ainda nada mais forte que ele

E por mais que este amor me doa
Por mais que se sofra sentir
Ínfimo instante de sua pessoa
Conseguem fazer que eu queira permitir

O ter você em cascalhos
Sutil e limitada ao tempo de orvalho
Corta a carne e inflama
Mas, e, sou, em doença, quem ama

Amo você, Criatura
Minha dor,
Meu amor
Minha cura

Mulher que em corpo me invade
Sou o homem do teu corpo em verdade
E a cada essência que ao outro evade
Fica um querer maior que corrói em saudade

Desdenho do tempo
Ignoro os sentidos
Desejo seus sonhos
Queria em todos ter sido

Seu.

5.3.05

Ainda bem

Mudou-se o rumo do mirar
Agora já não importa o alvo
Não quero atingir ninguém
Ouso apenas me encontrar

Tão difícil quanto não ser tão simples
E mesmo e tão somente por intrínseco motivo
Não meço vírgulas que expliquem sentimentos
Quero reticências que espichem meu caminho e é só o que peço

Pensei que o verde da natureza em abundancia me faria inspirar
Que traria mais idéias
Que faria viajar
Mas e justo, são pessoas que me fazem suspirar

E surge assim uma vontade
Aquele desejo imenso de parar, continuar e criar
Este é sim um agradecimento em verso
Daquele que se não fosse destro

Poria a esquerda a trabalhar

Descobri neste momento de férias que a fonte de toda e qualquer inspiração, pelo menos para mim, não está nas paisagens belas ou em um relance momentâneo que nos faça escrever. Cada visita que faço aos que como eu escrevem e se descrevem em textos, contos e poesias, são em definitivo, fonte de criação. E mesmo diante da vista linda de um pedaço de mata Atlântica que mora em meu quintal é maior o impacto das palavras que sinto em cada blog que espio. Se depender só de vocês, escreverei para sempre.

4.3.05

Terras

Há plantações que são feitas de suor e luta
De pura labuta.
Escolhem-se sementes, se semeiam grãos
E por vezes as lagrimas os regam

E dali se faz seu pão

Acontece de vermos terras arder em vão
Sementes que nunca vingam
Águas que não penetram
Um chão que morre em chão

Infeliz é aquele que semeia o Não

Porém há pastos
De verdes vastos
que são muito além de matos
e estes a outros se dão

O acaso aqui se faz perdão

E voam pássaros
Que de bico em bico
Que de papa em papo
Levam a certos merecedores
Muito mais do que o esperado

E estes alguns sim,
Lavradores
Fazem do bem seu prato
E este sentimento escasso
Estende-se na colheita em abraço
Levando a um alguém exato
O que se plantou de fato

Semear o bem é sim, certeza de colher o que há de melhor. Não me preocupo com a qualidade da plantação, mas me pergunto se sou merecedor de recolher, não só para mim, tanta bonança, pois toda vez que admiro as terras férteis da minha vida, certifico-me que há culturas magníficas que me trouxeram e que jamais plantei. Retiro-as e devolvo suas sementes a terra em sinal de gratidão.

Obrigado Clara Isasknovit

3.3.05

Férias, repeteco e velox

Quero mandar beijo a todos e dizer que estou meio ausente por estar de férias. To postando um texto que já postei antes, mas que por ser de dezembro, acho que quase ninguém viu. O velox da minha casa sai amanhã e começarei a dar a atenção devida a todos que me retribuem em carinho. Saudades imensas de vocês. Obrigado por tudo

Transitivo, Direto


Amar é simples Ser
Complexa ciência
Junção de e Ser Ciência
Essência.

Ciúme é trair
Mania de induzir
Erro em conjunto de trair e induzir
Traduzir.

E tudo que traduz o ciúme
Simplifica amar
E surge enfim o Verbo
Imperativo o conjugar

Faça-se sujeito
Ponha o predicado a funcionar
E o pequeno verbo, transitivo
Por seu objeto, direto
Fará sempre certo
Ao cuidar de quem amar.

28.2.05

Baforado

Não há quem explique por completo
Cada um vive o seu, diverso
E por mais que eu me estenda em vasto número de verso
Jamais serei uno

Impossível universo.

Prazer de aceitar que se pode sofrer
Opção de quem sabe que a alternativa raiz é só querer
E neste eterno de prazer e vontade
Toma-me, me encarna, me invade

Me domina para sua completa realidade

Do que se quer beber em corpos
Do que se penetra para tornar aberto
O corpo responde aos estímulos
E estes fervem quando se está por perto

Intimo, interno, no seu interior; desejo.

O seco das bocas algodoa pela maciez do toque
Leve-me, me tome, sacuda em reboque
Deixe minha cabeça ilesa e castigue meu corpo
Com todo seu calor

Me permita! Entrar, sair, tirar, me por. Suor, gozo, vapor

De suas lagrimas que brotam pela pele
Da pele que me impele
Que me imploram que eu te revele
No negativo da minha língua

Que te banha em prata, que se lhe mostra em saliva doce, que por embalo quase mata

E o que segura não são vossos braços
E o que sustenta não são pernas em laços
O que se quer difere de sexo no encalço
A busca é maior que qualquer percalço

Te quero amor, Amor, este impossível em ser falso.

Que remete ao paraíso
E retorna em sem segundos
Que me arrouba em paixão o juízo
Me fazendo prisioneiro voluntário de seus mundos.

24.2.05

Agradecendo

Entrei no mundo dos blogs para expor a mim próprio e vi nestas andanças por vários cantos digitais, que idéias e ideais se afeiçoam ao que sinto e escrevo. Por vezes palavras intimas, extraídas pela segurança de estar desconhecido, trazem alívio e soluções.
Quero com este post agradecer os novos amigos que me visitam, que me lêem e que me sentem por entenderem, cada um a sua maneira, aquilo que tenho a dizer e me expor.
Muito feliz por ter a presença de vocês e espero que sua companhia seja constante e que tragam mais companhia, pois para mim é sim, um orgulho, ler os comentários nos meus textos e poesias meio doidas. Beijos e abraços a todos. Estejam sempre

Questões e quesitos

Qual é, afinal, a sensação de quem espera o grande amor chegar?
Será que dói de prazer quando ela chega
Ou será que se desfaz a emoção perante uma possível frustração
De não ser tudo tanta explosão?

E quando tudo é perfeito como se imaginava?
Será que se quer realmente que esse instante chegue?
Pois seguido ao momento em que se o consome
Ele impreterível acaba.

Quem ama assim a distancia, distante, sufocante
Quer realmente que este amor aconteça?
Deve ser tão bom poder viver num futuro que sequer será presente.
Imagine a possibilidade de mudar seu fim a cada instante
justo por nunca se ter tido um começo.

De poder montar a pessoa como se deseja,
de ser dela o tempo todo
onde quer que se esteja
De ser dela sempre, seja lá de quem e seja ela como seja.

Realidade é mais dura
Quando se quer não se tem
Quando se chama não vem
E para aquela saudade que inverte a visão, amém

Não se pode amar sozinho
Não se pode suprir amor de ninguém
E por mais que se tenha amor no peito pra dar
Este sentimento devastador e bastante
Precisa
Inevitavelmente
Sucumbir
Ao devorar alguém

Chama de amor sozinho não arde
Mas gelo de saudade queima
O calor do impossível invade
E machuca o vapor congelante de medo e verdade.

Experimentando

E sem rumar certo algum
Por pura inversão da invenção
Se faz um caminho que ninguém vai entender
Sequer eu

Mas como quem brinca em brindar palavras
Intenciono que seja distinto ao ponto
De se fazer lembrar ao menos
De ser eu e ser autentico, a mim ao menos

Sim, a pretensão é o desconexo
E sem fundo musical fica mais difícil guiar o sentimento
Falta algo que concretize as coisas
E me tire do concreto em que te cimento

Por mais liga que se consiga
Existe um vazio cheio de espaço que te obriga
E se é tão cheio assim
Por que diabos me abriga?

Esqueço que não lembrar-te é uma arte
Pois que se faz oficio de tão difícil
Porem não mais me espezinha
Com a tua louca vontade de ser acompanhada e ser

Sozinha

Ali num canto
Caída em pranto de tanto amor
De tanto espanto, afasta o encanto e abraça a

Dor

Já fostes tudo
E hoje inerte
Sequer inverte
Meu falsete em ódio, chamado

Amor

22.2.05

Atitulorium

A danada está mesmo próxima.
Seu cheiro peculiar já perfuma minhas manhãs
Sua posição já acolhe meus dedos trêmulos de inexperiência
Pois que ela é a sempre velha e nova conhecida de todos que a buscam

A alegria não mais se confunde com ela
Esta é volátil e repentina
A outra, coesa, sólida e construída
Face a muitas partes de alegria e pitadas, ou picotadas, de coisas doídas.

Que se afastam a cada aproximação do que se quer
Outrora inalcançável e agora tão permissível e verossímil
Que assusta pelo tempo perdido em não tê-la querido
Em sequer ter se permitido ter sentido.

E justo por tanta luta, conflito e dor
Simplesmente por desfazer qualquer torpor
Ela é mais que um estado, uma eterna vontade
Por ser a maior busca de nossas vidas
Temos que sê-la sempre
Intocável
Tocante
Felicidade.

18.2.05

Amarelo, preto e branco

Ontem uma trombada em amarelo quase derrubou-me
A intimidade tem na indiferença seu antônimo
E atônito, percebi o peso insustentável
De estar despercebido

Não há amizade para os que amam
O amor é forte, grandioso, talvez egoísta
E por sua natureza plena, nunca deixaria
A amizade sobrepor-se a sua fome de conquista

Vi nela espelho do que faço
Reflexo do que realmente acho
E, em seus olhos, não me vi sequer em facho
Pois sua vontade era forte como aquilo que trazia a imagem

Vazia, e pós, feita em aço.

Hoje, sofremos em dois, a dois
Não pelo antes, e sim e também e ainda, mas, com medo do depois
Tudo que eu desejava era um sincero e agradecido abraço
Que, desfazendo em seu vestido preto e branco em laço
Não seria se quer traço
Da saudade
Que se tem,
Pois.

Carne moída

A fome que se espalha assolando mundos é maior e de todos
As pestes que são de todos assolam imundo
A hipocrisia que faz dos cegos os que conseguem ver, desculpa os responsáveis
E a passividade diante das agruras fere aqueles que lutam sozinhos em comunhão

Ainda assim, diante de toda esta grandeza exterior
Consigo sentir uma dor maior, um vazio pior
Pois sei exatamente onde, como, quando e porque tudo ocorre
E dói ainda mais quando percebo que só eu posso fazer parar

Não é a falta de condição que me impõe a trava
Menos ainda o desconhecimento de causa e efeito
O contrário é que me assola, consome e esfola
Imola a carne como se os desejos fossem proibidos
Diz ao sentimento que deixar perder será ultrágico
Por simples ser, pior que nunca poder ter e
Por isso e com isso, sem querer nada disso
Disponibilizo-me a saber que vou sofrer
Alguém, em ato de compaixão, faça-me parar de sofrer
E só posso e faço este pedido a mim
Só que isso, ainda, não sei querer

Queria ser da força espada
E desta, mortal, a lamina
Mas da lamina somente o fio em sua luz fustigante
E queria ser de quem a empunha
Consciente, consciência, exuberante
Para ter noção da força, visão da perda, embainhar a arma e seguir,
Num sempre


Adiante...

16.2.05

Racionalizando

Palavras, as temos todas
Todas aquelas a que conhecemos
Por muitas achamos que são nossas
Mas só algumas vezes é que somos delas de verdade

E quando isso acontece, nossas bocas sequer as pronunciam
E realmente o inesperado é tolo e previsível
Pois em sua concepção abrupta
Vem sempre de onde se menos espera

O que se sente se faz e desfaz-se nelas e
Por elas nos construímos e destruímos
Certos que é possível e que assim somos
Devido a um impulso que nos impele a confrontar o mundo

Mundo de nós mesmos
Paraíso de em si insultos
Inferno de desejos puros
Mar de imensidão e desconhecimento seguros

Agradeço, quase em prece
Se assim soubesse
Pela surdez do meu olhar sensível
E saboreio em êxtase por julgarem-me a cada segundo

Falta pouco, entretanto
Já quase entrego-me ao sentimento chamado razão
Definição nova para palavra interdita
Que somente agora percebo fazer vibrar meu coração.

15.2.05

Quem tem olhos que ouça

Sim, meu irmão, estou persistindo no erro conscientemente. Só não concordo com a possível direta em relação a deus. Faço o possível para que não haja milagres em minha vida e, certo ou errado, eu nunca creditei a deus qualquer merda ou acerto que eu por ventura tenha feito na vida. Ninguém nunca me ouviu dizer que deus me fudeu. Pelo contrário, se tem alguém que sabe dizer que cagou na regra este alguém sou eu.
Talvez pela facilidade em errar ou pela total sinceridade em assumir que não sou tão perfeito quanto vocês ao ponto de acertar sempre.
Antes de fazer suas assertivas a respeito do presente dos outros, fuce seu passado e se pergunte quanto tempo dura sair de situação semelhante. O passado só é passado para quem passou por ele, e se ninguém percebeu ainda, mesmo do alto da razão humana onde vocês, grandes humanos corretos se encontram, meu passado ainda é presente como o futuro que virá amanhã.

Obrigado, seu pequeno obstinado em erro, irmão.

14.2.05

Estrelizar

Dela eu não queria o brilho.
Não almejo o que todos querem.
Meu querer é singular e egoísta.
Só o quero para mim e para ela e para mais ninguém.

Me entrego em poucas palavras, viste?
Existe mais alguém por quem quero junto
Então não sou mais egoísta por definição, não é?
Sou sim, pois carrego os dois amores em um só coração.

Queria dela apenas sua mais linda aparição.
Daquelas em que seu rutilar brinda as estrelas com sufocante luz
Para ser dona de seu único ato não, pois.
Justo e, somente apenas, para testemunhar um passeio eterno rumo ao terminável.

Queria que ela ocularizasse beleza vindoura maior, como de fato é
Que ela sucumbisse à mortalidade de uma mulher tão linda
Que transforma noites em puro cenário e faz de sua protagonista
Uma mera estrela.

Pena que a lua cheia de meus sonhos seja tão vazia
Lástima a mulher que estreliza luas ser tão tardia
Erro próprio do que nasce impróprio pela covardia
Que se faz nigérrimo, ao alvo sol do meio dia

Quem precisa da segurança negra das noites
Se lhe bastam as sombras do sol de um amor
Que arde por não poder cessar
Que cessa por não poder calar

Em palavras de adoração mútua
Em silêncios de desejos únicos
Em vidas de seres distintos
Em destinos de caminhos lúdicos

Será minha lua enquanto impossível for ter-te e alcançar-te
Linda, perfeita, estática, baluarte
Serás de todos como assim desejam
Pois não é possível a você lua, para meu sol amor entregar se

E em qualquer noite de lua que se conceda
Um olhar, será diferente e egoísta
Quererei sempre provar-te
Que mulher mais linda existe e que por mim foi vista
Mas não foi permitiu-se que ficasse

As vezes, somente em erros regenciais como estes
Percebesse o acerto que deixamos de realizar
Por que o não ter regra da vida é simples
É preciso se deixar tentar.

11.2.05

Pontuado

Eis enfim que um fim tardio finda mais um inicio
E assim perto de tudo e longe do precipício
Precipito me, e, condensando meus sentimentos mais sublimados
Póstumo
A chorar

Póstumo é corruptela, mera liberdade com a língua
Indicando posição, do verbo me ponho a
E, exato, póstumo, pois choro a enterrar algo que não mais vai germinar
Crescer, sofrer, frutificar, por mais que se sofra em regar, florestas hidropônicas

Se ciclos são realmente cíclicos vou por me a ciclicar
Quero que os ventos do movimento em espiral me façam espiralar
Projetando minhas dúvidas e novos medos na certeza da espera
Do que possa vir a ser e do que quero conquistar

Já não quero nada com tanta exatidão
Quero que me queiram
Vou descansar no conforto do desejo externo, alheio, de outro seio
Na luta pela minha própria conquista
Permitir me e a outros que a vitória não me pertença
Pois a bem aventurança de quem não busca nada está na solidez de ser buscado

Sempre desejei a outrem como se estes fossem
Os últimos de um lugar inóspitamente apaixonante
De um planeta amor onde erroneamente supus só ser possível a mim
Lutar, desejar, perder e ganhar
Desconfiando de minha real iluminancia
Apagando, analogicamente contrariando, um brilho que em mim reside
e que inexplicável em forma, não me permitia ter, gostar e ver

Enxergar que tenho o que busco e que outros buscam em mim o que tenho
Deixou me instável, volátil, estranho e com medo
Mais seguro, orgulhoso,
Novo sentido para a palavra humildade
Outra face da moeda chamada dar
de um lado, o já conhecido, o ato de reter, possuir, conter, de ir pra vencer e conquistar
do outro, o movimento contrário, o poder de se deixar, de não se ter a si, e, mesmo assim,
Se dar.
De se presentear com a possibilidade inexplicável que é
ser alguém
Que um outro alguém
tem vontade de amar

10.2.05

Hoje, meu aniversário

Peço desculpas a todos, mas só consigo escrever isso no momento: TÁ FODA DE ATURAR

Gostaria de estender me em palavras de alegria e contentamento pela data, de desejar me felicidades, alegrias e toda aquela besteirada de data, mas não to com humor, saco, paciência ou espaço na cabeça para coisas boas. Coisas boas são como velhas obesas vestidas em roupas de viscose branca:São vistas de longe, demoram a chegar, nunca são exatamente o que aparentam, quando chegam tomam conta de todo o espaço disponível, consomem sua beleza e ao partir, dão a bunda por resposta.

Nem precisa dizer que estou de péssimo humor.

Escutei mais uma vez hoje que deus só dá o que conseguimos suportar. Agradeço pela saúde física que tenho, realmente sou uma muralha, pela inteligência e por minha capacidade de entender os semelhantes não acéfalos, mas gostaria se sobrassem umas coisinhas mais tranqüilas para eu resolver, ter pelo menos alguns dias completamente perfeitos, mesmo com todas as imperfeições que nós mesmos criamos.

Obrigado de coração a todos que passaram a visitar o blog. De verdade, feliz por saber que alguém se interessa pelo que transparecemos ser em nossas palavras e não somente pela oportunidade ou interesse que suscitemos de qualquer modo.

Bruxinha, mais uma vez obrigado. Tem um amigo em mim realmente. Abraço a todos

2.2.05

Borboletas

Sonho com casas. Sonho com águas e céus mais limpos. Acordo com o cheiro de mato secando ao sol da manhã que se esboça num horizonte de novos horizontes

Cada passo deste novo acordar é seguido de visões peculiares que trazem a tona sentimento de novidade. Gosto de descoberta. Prazer de conhecer o nunca visto. Impregnando todo o corpo num sem fim de deslumbramento que é tudo que queria.

Já não me atrevo a desdizer me por mais um segundo. Quero tudo que mereço com a pressa de quem morrerá no próximo segundo que virá primeiro. Desejo você, seu corpo, todo seu sentimento. Sua paixão que me encanta a cada carinho sobre minha pele que já espera ávida.

O Tempo que antes demorava a passar agora fagocita. Como se devesse ser consumido por ser impróprio. Como se tivesse que ser derrotado por ser indevido. Como se conseguisse se dar a si próprio, assim, pleonástico, por ser tudo que se necessita. O Tempo agora, este deus, é devorado com a força dos ponteiros do universo: constante, invariável, infalível, conscientemente. E só o que se consegue é perder a cabeça.

Finda mais um ciclo. Já sonhei mais uma vez com fliperamas e toda vez que isto acontece tenho certeza que algo de importante acabou. Que um passo de vida foi dado e que ele terminou. Sei que o exato dia do sonho é o encontro com a certeza que devo para de seguir naquela direção. Agora meu sono já não tem mais sonhos. Só consigo descarregar por imagens desconexas desejos e pedaços de um quebra cabeças que imaginei poder ter montado. Sei agora que peças vieram faltando e que jamais as encontrarei. Não para esta paisagem que este desejava ser. Talvez outra paisagem, mais distante, mais a frente diferente.

Peito aberto. Sangue nas mãos. Pupa desfeita. E novas borboletas como a que sou agora esperam a luz do sol para fortalecer as asas. Quero os céus brilhantes e das chuvas, antigas companheiras, só espero gotas em intenção de orvalho, para que possa calmamente pousar sobre folhas verdes de esperança e seguras, e beber de sua água de batismo, renovadora, pois que nascimento de verdade, como mostra a natureza foi assim deste jeito, demorado, dolorido e grandioso. Parabéns pra nós que renascemos, pra mim enfim, já que nasce um novo homem. Que quer querer e tem vontade

Que eu seja bem vindo